quarta-feira, 6 de abril de 2016

SE O IMPEACHMENT NÃO ACONTECER, O CAOS TERÁ VALIDO A PENA


Dá para conjecturar que tudo o que vem acontecendo no atual governo é proposital. Não é concebível a ideia de que haja, de fato, tanta incompetência de um grupo que chegou ao poder pelo processo democrático, com propósitos bem definidos, embora não revelados essencialmente ao povo, mas apenas o que era uma expectativa do povo. É assim que trabalha a política. E foi assim que esse governo trabalhou, e muito, de todas as formas possíveis, para mostrar que era necessário ao País, e convenceu. As eleições de Lula por dois mandatos e o de Dilma Roussef mostraram que as articulações deram certo, que a política feita para as classes mais pobres deu a eles a contrapartida do voto. É indubitável a gana desse grupo pelo poder. A entrada de Lula na tentativa de salvar Dilma, visa a si mesmo e a seus interesses. Não é uma atitude democrática nem republicana. Pelo que se vê nas manobras de Lula para dar sobrevida ao falido governo, nem uma derrota nas urnas faria esse grupo admitir derrota, pois os indícios comportamentais, a maneira como agem e reagem mostram que estão preocupados apenas com seu projeto de poder, que não é o que espera o Brasil. É preciso muita competência e vocação para ser corrupto. É preciso saber com quem está lidando e os caminhos para alcançar os objetivos. O grupo que ascendeu ao poder em nosso país mostra, claramente, que não existe um inimigo à altura, apesar de tentar igualar a todos em suas falhas e isolá-los de seus acertos.  

Quando os reais propósitos, aquilo que está por trás das intenções, que ocorrem nos bastidores sem o conhecimento do povo ficam entre quatro paredes, cria-se uma nuvem de incertezas diante dos sintomas que começam a aparecer, mesmo diante de um discurso diferente do que se sente na prática. Assim se cria uma crise bem arquitetada, sinalizada pelo trabalho que tem tido a justiça para responsabilizar os agentes operantes desse sistema de corrupção que se implantou, aos poucos, em silêncio.  
Não dá para conceber a ideia de que tudo isso se deve à incompetência do governo. Não é. É preciso muita competência para ser corrupto, criar um cenário que aos poucos vai mostrando o caos que tentam reverter como algo positivo aos seus interesses, escondendo-se em argumentos de que todo ser humano é corrupto. Se um governo teve o direito de ser corrupto, isso justificaria o fortalecimento dessa corrente, ao invés de quebrá-la, pois isso custaria a aniquilação de um projeto de poder bem arquitetado entre seus grupos, cujos tentáculos se espalharam por todas as instituições públicas.


Se o impeachment de Dilma não acontecer, a debandada do PMDB a essa altura, assim como de outros partidos, e a chegada de novos apoiadores do governo pode ser um tiro no pé daqueles que desceram do barco, trazendo alívio ao governo, abrindo-lhe caminho para prosseguir com mente fixa na perpetuação do poder, colocando em prática toda proposta ocultada que, aqueles que possuem discernimento conseguem enxergar pelos sinais já vistos nos rumos que a sociedade vem tomando, inclusive na inversão de valores. Não é preciso apresentar provas. Os sintomas são claros de um desequilíbrio generalizado. Aqueles que veem do lado de fora conseguem perceber. Os que ainda estão escravos, de algum modo, do sistema que o alimentam, pode não ter a mesma perspectiva, pois estão numa outra escala. Quando os projetos são subjetivos, sua sutileza começa a minar a mente das pessoas, mudando sua visão de valores que foram construídos sob os pilares da justiça, do fortalecimento das famílias que são a base da sociedade; do respeito às diferenças, à propriedade, o mérito, sem incitar contendas e perturbações da ordem que se tornam fatores que desequilibram o bom senso, criando uma verdadeira celeuma social ao fazer com que se divida ovacionando suas razões e privilégios oferecidos de maneira terceirizada, sem conhecer, de fato as raízes de tais “benefícios” concedidos. Os fins justificam os meios, para essa filosofia que vem minando as mentes. 

É preciso observar de fora, as atitudes da sociedade e como tem se portado diante desses acontecimentos. Quem sabe, é isso mesmo que esse governo deseja. Continuar usando pessoas como “massa de manobra”, posando de vítimas e acusando como revanche, quem primeiro o acusa. O governo permitiu que o caos se estabelecesse para usar “as cartas da manga” e fazer valer exatamente o que desejavam: “desbrasilizar” o Brasil. Se o impeachment não acontecer, o caos sempre será revertido em benefício da corrupção, desmoralidade e injustiça, seja agora ou depois. Essas raízes se aprofundam e se fortalecem, tornando o país refém de uma outra classe social: "A elite política."