quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

QUEM "ENDOSSA" A VERDADE?

              
O que dá credibilidade a uma verdade eterna, certa, lógica, insofismável? Prejuízo é de quem não a aceita, refutando-a com conceitos personalistas. A acessibilidade dessa verdade é tão evidente que não dá a ninguém o direito de ser a sua referência, ter sua posse ou transferi-la, pois nenhum homem é absoluto e incorruptível. A verdade é para a libertação do homem dos homens, para Deus.

          Mas a sociedade aprendeu a viver assim, apontando os agentes que falam a verdade, ovacionando-os, chamando a atenção para si mesmos e muitos dos quais aceitam para si mesmo esses louvores e, pelos resultados de sua aceitação, acabam por muitas vezes se iludindo. De algum modo, essa “responsabilidade” assumida leva os homens a uma linha muito perigosa quando apoderam-se dela para vangloriar-se diante do mundo, apresentando seus frutos como a única referência e sua motivação é sonegada. 

Os Cristãos jamais deveriam adotar esse comportamento. Foi assim no passado com os escribas e fariseus, homens dignos, politicamente corretos, amantes da lei e da verdade.

Então falou Jesus à multidão, e aos seus discípulos, Dizendo: Na cadeira de Moisés estão assentados os escribas e fariseus.Todas as coisas, pois, que vos disserem que observeis, observai-as e fazei-as; mas não procedais em conformidade com as suas obras, porque dizem e não fazem; Pois atam fardos pesados e difíceis de suportar, e os põem aos ombros dos homens; eles, porém, nem com seu dedo querem movê-los; E fazem todas as obras a fim de serem vistos pelos homens.” Mateus 23:1-11.

Não se trata de “testemunho”, pois naturalmente a expressão dos frutos produzidos pela verdade praticada não passam despercebidos, mas as motivações de nossas expressões é que contam para Deus.  

O que tratamos nesse tema é a forma como assumimos essa verdade a ponto de torná-la como “colunas” do orgulho e vaidade a ponto de levar-nos a uma supremacia religiosa. 

       Observemos o fato de que, ao ter contato com uma verdade, algumas pessoas, principalmente de expressão e notoriedade social, em diversas áreas,  são alvo de exploração propagada, como se sua aceitação da verdade garantisse a ela mais credibilidade e convencesse mais pessoas. 

             Quando um cego foi apresentado a Jesus para ser curado, alguns perguntaram ao Mestre quem havia pecado, se o cego ou os pais dele,  pois as doenças eram tidas como resultado do pecado  de alguém. Jesus os respondeu: “Nem ele, nem seus pais; mas para que a obra de Deus fosse manifestada na vida dele.”(João 9: 1-3)

        O que sentiria o protestante que se converteu ao catolicismo ser manchete do jornal da diocese: “Pastor protestante fecha igreja e se converte à verdade católica”, ou vice-versa? Por algum motivo há exploração por parte daqueles que se colocam como “guardiães” dessa “verdade,” como quem dissesse: “Viu, nós estamos com a verdade. Nós temos razão”, a nossa mensagem é verdadeira,  e incorrem no perigo das armadilhas do triunfalismo, do orgulho e vaidade.

O que daria credibilidade a uma verdade? É a pessoa que a aceita, ou a própria verdade em si mesma? É a instituição que difunde a verdade, ou a própria verdade? 


Se um famoso ateu deixa de ser ateu, Deus passa a existir mais do que antes? As pessoas seriam levadas a acreditar mais em Deus por causa da conversão de um ateu? 
Se alguém é sugestionado a crer em Deus, porque até um ateu se converteu, de que Deus temos pregado? Se a verdade eterna precisa da aprovação e aceitação humana para cumprir o seu propósito, de que verdade estamos falando? Um ateu que "garante" que Deus existe, não estaria se colocando como um deus? Não estaria buscando glórias para si mesmo e sua "descoberta?" 

A religião não deveria apresentar-se como um mercado competitivo, onde a verdade de uns se apresenta mais verdadeira que a verdade de outros, motivo que os levam a lutar para mostrar quem tem razão por uma autoafirmação massificada. 


Qualquer instituição religiosa que pensa em usar pessoas que abandonam seus segmentos religiosos ou práticas pela aceitação de uma outra mensagem para difundir a verdade que prega como se ela fosse um “produto” testado e aprovado como se faz na publicidade, é uma prática que satisfaz aos simpatizantes dessa crença, que vangloriam-se e jactam-se de suas próprias obras. Isso vai criando, com o passar do tempo, uma cultura. Esse tipo comportamento se torna bem evidente em seus seguidores que são reconhecidos pelas bandeiras que levantam, pelas "camisas que vestem", por seu "grito de guerra". 

As pessoas devem ser atraídas à Cristo. Ele é a verdade que não se permite a interpretação humana, mas que ao homem se apresenta tal como O é. Mas, do ponto de vista de todas as instituições cristãs religiosas que existem no mundo, aceitar a Jesus e sua graça, não é o bastante. Se o fosse, não haveriam tantas religiões.  

Mas resta-nos um conselho poderoso: “Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós. Alimpai as mãos, pecadores; e, vós de duplo ânimo, purificai os corações. Senti as vossas misérias, e lamentai e chorai; converta-se o vosso riso em pranto, e o vosso gozo em tristeza. Humilhai-vos perante o Senhor, e ele vos exaltará. Irmãos, não faleis mal uns dos outros. Quem fala mal de um irmão, e julga a seu irmão, fala mal da lei, e julga a lei; e, se tu julgas a lei, já não és observador da lei, mas juiz. Há só um legislador que pode salvar e destruir. Tu, porém, quem és, que julgas a outrem? Eia agora vós, que dizeis: Hoje, ou amanhã, iremos a tal cidade, e lá passaremos um ano, e contrataremos, e ganharemos; Digo-vos que não sabeis o que acontecerá amanhã. Porque, que é a vossa vida? É um vapor que aparece por um pouco, e depois se desvanece. Em lugar do que devíeis dizer: Se o Senhor quiser, e se vivermos, faremos isto ou aquilo. Mas agora vos gloriais em vossas presunções; toda a glória tal como esta é maligna.

Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado”.
Tiago 4:1-17