sábado, 27 de fevereiro de 2016

PORTE DE ARMAS É PALIATIVO CONTRA UM MAL INVISÍVEL

O que você sente ao vir um assaltante ser perseguido, baleado e morto? Quando vê alguém ser espancado, sangrando até à morte? 

Certamente, muitos consideram que, se é um bandido, tem que pagar! Mas, se você não soubesse quem era essa pessoa e o que ela fez, e vê-la sendo atacada, qual seria o seu pensamento? Seja qual for o pensamento, vítima e vitimado são seres humanos. Usamos mal o pensamento de que, "a árvore que não dá bons frutos deve ser eliminada." Aprendemos que aquilo que nos prejudica e nos tira a paz, precisa ser atacado e, assim, vivemos. Começamos a atacar os sintomas de um mal maior sem investigar onde começa. É esse "princípio" que leva o patrão a demitir seu funcionário que caiu em seu rendimento, sem saber o que se passa com ele; do professor que reprova o aluno sem entender o que dificulta o seu aprendizado. Agir diferente, é comprometer-se com o próximo. 
O homem não foi criado para se defender, nem para atacar. O homem foi criado para viver e servir uns aos outros. Não foi criado para ameaçar, nem se sentir ameaçado pelo semelhante. Ele foi criado para compartilhar, para promover o bem comum. O respeito de uns para com os outros não se obtém pela capacidade da força que se alcança. Mas é esse tipo de "educação" que o mundo vem recebendo ao longo de sua história. É preciso se armar para se defender. Mas se defender de quem? De quem ataca. Mas para quê ataca? Para obter mais do que o suficiente para sobreviver. 

O poder e a força tem sido usados para dominar, para subjugar os semelhantes. A partir desse ponto surgem as reações daqueles que precisam agora lutar para sobreviver, tendo o semelhante como seu principal inimigo. 

Quando na sociedade organizada observamos correntes que defendem com garras e dentes de que necessita armar-se contra os criminosos, percebemos o quanto retrocedemos no ponto que deveríamos defender, que é o de adotar o princípio pelo qual viemos a esse mundo. O homem portar uma arma com a intenção de se defender de outro homem, atacando-o, mostra o quão estagnados espiritualmente nos encontramos. As autoridades constituídas que não tem sido estabelecidas pela luz da sabedoria sustentada pelo amor, e acabam legitimando a desordem como um caminho para a ordem. Lavam as mãos de suas responsabilidades de orientar e ajudar, sem outros interesses que não o propósito de servir. Mas isso criaria uma sociedade fraterna que não interessa aos poderes predadores, que se sustentam pela celeuma e desordem. 

A corrente do bem não pode ser cortada, fazendo com que seres humanos lutem na escala do mal, aprofundando-se nas trevas do próprio egoísmo e orgulho, alimentando o espírito de revolta e vingança. A paz não se estabelece pela guerra; nem por ataques; nem por acordos e tratados. Pois, nesse ponto, alguém teria que ceder, se submeter; enquanto que a paz supera essa escala e opera harmoniosamente pela consciência do bem. Não existe paz mundial, sem que essa paz aconteça em cada indivíduo pela transformação da mente, pela mudança de perspectiva, pelo rompimento com as manipulações que sustentam os interesses dos que tem o poder de liderança sobre os outros. Já havia sido revelado ao Apóstolo Paulo que descreve em uma de suas cartas a seus irmãos, dizendo: "A nossa luta não é contra a carne e o sangue. Mas contra os espíritos da maldade que atuam na mente." 
Atacar a quem ataca, é dar mais força ao ataque. Matar a quem mata, é dar mais vida à morte. Essa corrente só se quebrará pela mudança de pensamento, pela conversão de nossos valores, transmitindo-os aos nossos semelhantes. Se estivermos dispostos a isso, certamente seremos considerados filhos de Deus: "Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeia, e orai pelos que vos perseguem e caluniam, para serdes filhos de vosso pai, que está nos céus, o qual faz nascer o seu sol sobre os bons e os maus, e vir a chuva sobre os justos e injustos." S.Mateus 20:43.