sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

NÃO SE COMBATE CRIME, PRATICANDO CRIME.

É de estarrecer o "espírito" de justiçamento de uma sociedade que tenta livrar-se de criminosos, praticando crimes semelhantes ou piores. Vê-se, no fundo, a falta de amor ao próximo. Se a reação ao assassino é o assassinato dele, essa corrente criminosa só aumentará e trará desequilíbrio. Esse processo precisa ser quebrado para que uma outra realidade se estabeleça. Isso não depende de medidas adotadas pelas autoridades constituídas, nem no âmbito da segurança pública, mas de um processo que se inicia nas ações particulares de cada indivíduo, no que diz respeito à compaixão, à caridade; o compartilhar. O egoísmo e as ambições humanas, são fatores que desencadeiam as maiores séries de crimes e violência. O aprendizado da caridade eleva as pessoas a um outro nível de vida. 
A palavra "intolerância" nunca foi tão usada como está sendo atualmente. Mas o que precisamos não é de tolerância. Precisamos de amor. Quem tolera, por uma questão de aprendizado do controle emocional, pode cair na intolerância quando chegar ao "limite."

A "legítima defesa" não é legítima, quando fere a lei máxima estabelecida pelo Criador, e que se sustenta pelo ódio e espírito de vingança.  

Recentemente o Papa Francisco declarou ser contra a pena de morte e sugeriu sua extinção no mundo todo. "A lei não matarás é para todos" - declarou, citando um dos dez mandamentos. 

Eu ficava intrigado quando via motoristas xingarem pessoas que distraidamente ou propositalmente atravessavam a rua na frente dos carros.Tentava entender o que eles pretendiam com isso.Estariam eles preocupados com a preservação da vida dos que se arriscavam na travessia? Se fosse essa a intenção, por que os xingavam? Ou estariam, de fato, se sentindo ameaçados por um iminente acidente que poderia prejudicá-los? 
A ação e reação, segundo o plano de Cristo, é que se pague o mal com o bem. "Cortar a mão de quem rouba" é a mais baixa visão do ser humano, nas profundezas das trevas. Querem saber o motivo de quem rouba? Está disposto a ouvi-lo e dar a ele uma oportunidade? Isso não seria uma atitude humana. É exatamente por vivermos a vida nessa escala, é que o mal continua predominando e a corrente do mal crescendo.  
O ser humano precisa quebrar essa corrente que faz com que perceba com apenas o olhar que aprendeu a observar as coisas ao redor. É preciso avançar na dimensão do amor. Alguém que espanca, quem quer que seja, até a morte, tendo diante de si a oportunidade de baixar as armas, de recolher a mão; de cessar a ira ao ver que um semelhante seu, sem reação, ferido e subjugado se esvai em sangue, pratica ato monstruoso. 

Não existe justificativa para o ataque à vida de quem quer que seja, pois ninguém é justo suficientemente para se colocar na posição de juiz do outro e condená-lo, movido por revolta. 

Certa vez um amigo que tomou um grande prejuízo, ao lamentar-se da situação, finalmente disse: "...mas eu prefiro estar na situação quem tomou o prejuízo, do que na situação de quem dá prejuízo a alguém." 

Certamente, a conta daqueles que reagem desproporcionalmente é bem maior. Levar à morte por espancamento alguém que tentou roubar, por exemplo; ou usar armas, sejam quais forem, contra alguém sem a mínima condição de defesa, é malignidade, impiedade, injustiça. Que crime não é maior do que a falta de amor, se é a partir dessa falta de amor que se desencadeia todas as suas variantes? É a falta de amor a corrente que engrossa cada vez mais, onde pessoas se veem inimigas de pessoas, no cruzamento pelas ruas da cidade, na expressão do rosto, nos olhares; nas avenidas e no comportamento no trânsito. Estamos mais preocupados com as nossas próprias razões, segundo os nossos próprios critérios e juízo de valor. Assim, condenamos, massacramos, "atropelamos".

O ser humano deve permitir-se à regência desse amor. E isso é para todos. Aquele que viola esse princípio, incorre na prática da injustiça, pois a ele não é dado o direito de agir com malignidade sem sofrer as consequências reflexas, seja aqui agora, ou no futuro. Nenhum justo terá marcas de sangue em suas mãos, nem levará sob seus ombros o peso da amargura dos sonhos destruídos de alguém, interrompendo o fluxo de sua existência aqui na terra, onde enquanto vive, tem a chance de obter novas oportunidades. A nossa missão é fazer o bem, amar, cuidar, proteger, e isso jamais nos levará a matar para não morrer.