domingo, 24 de janeiro de 2016

"EU ESTAVA LÁ"


Com alegria ele apontava o dedo indicador para uma fotografia. A turma de funcionários da escola onde trabalhava, havia posado para a foto em comemoração a meta alcançada de matrículas. 
-Onde está você na foto? Não estou achando! - perguntei.
-Estou segurando esse cartaz, não dá para ver meu rosto. Só aparece a minha mão na margem superior do cartaz. 

Certamente a foto não apresentava nada que documentasse a presença dele no grupo, nem seu nome foi citado, mas estava feliz em ter participado. Parecia não se importar em ser reconhecido na fotografia. O importante era ele mesmo saber que fez parte daquele momento histórico.

Apesar de sua importância no grupo, ele estava empunhando um cartaz que exaltava o trabalho de todos que se empenharam naquele ano, inclusive ele. 
Ao ouvir sua empolgação naquele momento, sorridente ao falar de sua participação, peguei-me imaginando: 

"Num mundo em que se busca autoafirmação e holofotes para a imagem individual, ali estava uma pessoa que pouco se importava em ter o rosto reconhecido naquela fotografia oficial que foi publicada numa revista institucional". 

Ele estava levantando um "estandarte" da escola. Para ele o que o que importava era apenas fazer parte do grupo e estar bem resolvido em relação a isso."

Na verdade, quando nos dedicamos a levantar uma mensagem, o que menos deve aparecer somos nós mesmos. Acabamos desaparecendo quando aquilo que fazemos e os nossos motivos são maiores do que nós. 

Lembrei-me da passagem Bíblica da serpente no deserto, e a profecia: "Quando Cristo fosse levantado no mundo, todos seriam atraídos a Ele." 

Essa mensagem é muito pertinente como exemplo da experiência daquele funcionário. Quando levantamos em nossa vida aquilo que é mais importante, nós simplesmente desaparecemos. E mais que isso, não fazemos questão de aparecer. "É necessário que ele cresça e  que eu diminua" - como disse João Batista, o precursor da vinda do Messias. "Quem vem das alturas está acima de todos."(João 3:30) 

Quando assumimos nossas responsabilidades e reconhecemos o nosso real papel no mundo, esse modo de pensar estará norteando toda a nossa caminhada.