sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

ATIVISMO RESSURGE NOVA SEGREGAÇÃO RACIAL

A apresentadora "Maju"
Vez por outra, assistimos pessoas protestando contra o racismo. Mas a fórmula desse protesto parece seguir um caminho nada seguro para a mudança de pensamento das pessoas em relação ao preconceito de cor. Aliás, que mudança de pensamento seria necessário nesse caso?  
Por um lado, a vitimização daqueles que se consideram discriminados e, por outro, a ridicularização e humilhação àqueles que discriminam. Se há ódio - como as organizações de defensores da causa dos negros entendem- esse sentimento é uma via de mão dupla: "De cá pra lá, de lá pra cá." O que é preciso saber sobre essa "troca de ofensas", é a quem isso interessa. Ela não existe naturalmente, a não ser por uma provocação, a partir de um conceito que determina o que é preconceito que na verdade é construído. Há uma arregimentação orquestrada para criar esse muro de separação ideológica entre as pessoas. É isso que precisa mudar. 


Vejo com preocupação o fato de artistas famosos, como o caso de Taís Araújo, que recentemente procurou a polícia para denunciar ataque racista que teria recebido na rede social. Formadores de opinião deveriam trabalhar no sentido inverso, não engrossando a corrente do ativismo que causa mais separação e não educa, assim como o caso da garota do tempo do Jornal Nacional, "Maju" em que colegas de profissão, inclusive da Rede Globo protagonizaram campanha com a frase "somos todos Maju", remontando o episódio do jogador de futebol que teve uma banana arremessada contra ele, a partir de quando se criou a frase: "somos todos macacos."  Famosos acabam sendo instrumentos da reprodução desse pensamento que não exerce nenhum resultado didático. Assim fica "cada um na sua". Estabelecem limites conceituais e cada um que "respeite o outro", em silêncio. Mas esse respeito tem sido trabalhado de maneira desvirtuada, através de processos judiciais, de leis punitivas, entre outros elementos, que não são capazes de reeducar o indivíduo para fazê-lo voltar a ser como aquela criança que não fazia distinção de cor de seus colegas.
A atriz Taís Araújo


"Eu só descobri que era negro quando caí no mundo, quando comecei a participar da alta sociedade. Entre meus amigos eu não conseguia ver a minha cor; a gente nem falava sobre isso." 

Ou seja: assim como preconceito é aprendido e disseminado, é preciso fazer o caminho de volta, não com a ideologia do ativismo, do privilégio. Somos todos humanos. E isso não vale apenas para a questão da cor da pele, mas para a classe social, a nacionalidade, a naturalidade.  

Essa frase foi dita por uma personalidade famosa da música e da política. Agnaldo Timóteo disse-me certa vez numa entrevista que o negro não deve esperar que a sociedade estenda tapete vermelho para ele passar. "O negro precisa se valorizar e parar com essa babaquice de se sentir vítima; tem que estudar, trabalhar...é por mérito que o negro terá reconhecimento, não por um sentimento de piedade alheia" - considerou.