domingo, 1 de novembro de 2015

INTOLERÂNCIA RELIGIOSA NA INTERNET

           
Como tratar de "intolerância religiosa" no âmbito político, se política e religião são paralelos e antagônicos que dificilmente se harmonizam quando se trata de princípios inegociáveis? Recentemente passaram-me uma lista para assinar. Era uma petição que será encaminhada para que seja votado projeto que proíbe a "intolerância religiosa" na internet. Não fui politicamente correto. Não assinei porque, de fato, não concordo com a proposta pois desconheço sua real intenção. 
       
         Ao mesmo tempo que desejamos viver plenamente um regime democrático, temos a tendência de acentuar o contrário, principalmente quando nosso interesse é abafar opiniões ou manifestações que consideramos antagônicas ao que cremos. 

        Em primeiro lugar é importante que seja definido o que é "intolerância religiosa" e sob que interpretação essa "intolerância" será julgada. Não poderíamos estar embarcando pelo caminho do cerceamento da liberdade de expressão se não estivermos atentos aos interesses por trás desse pedido? 

       Causa estranheza o fato de as próprias religiões estarem interessadas que esse tema seja votado. Não seria um "tiro no pé" o apoio a esse projeto sem conhecer os critérios interpretativos da "intolerância?" 
         
Todas as religiões tem posições claras e definidas e, cada qual, tem o direito de expor suas convicções ou até mesmo concordando ou discordando de práticas que julgam como princípio. Para quê fazer disso uma guerra? Não estariam os religiosos preparados para a liberdade que ainda possuem? 

            Ninguém deveria ser proibido de defrontar, discutir ou defender aquilo que crê de maneira transparente, verdadeira e honesta. Isso poderia ser desrespeitoso? Por que não se poderia contrapor a ideias amplamente divulgadas por instrumentos de mídia oficiais sem o direito de resposta ou de ouvir o contraditório? 

        Combater a "intolerância religiosa na internet" pode ser um caminho para afunilar ainda mais o direito de emitir opinião ou argumentar sobre crenças e costumes religiosos publicamente. É o poder da palavra que esclarece, cria, constrói, persuade. Por outro lado, a intolerância impõe, fere, distancia, cria barreiras. Não é criando "separações" e demarcando territórios como pretende as leis que nos faremos conhecidos ou nos permitiremos conhecer o outro. Intolerância, discriminação e preconceito coexistem exatamente pelo véu que as leis querem impor, legalizando segmentos. A segregação se dá exatamente sob pretexto semelhante. É preciso conhecimento e estar disposto a conhecer e ser conhecido. 

        De que maneira o Estado pode ocupar o lugar como "tutor" dos religiosos que são julgados como "intolerantes" segundo os critérios do próprio Estado? Porventura os religiosos não teriam outro defensor que pudesse ratificar de maneira clara as suas crenças? 

        Observemos o que Cristo disse a seus discípulos e serve para todo indivíduo, pois de trata de um princípio: "Bem aventurados sois, quando perseguirem vocês por causa da verdade; e quando mentirem dizendo todo mal contra vocês."

          O Critério do Cristo é  este: "Porque se amardes os que vos amam, que recompensa tendes? Não fazem os publicanos igualmente assim? E, se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis de notável? Não agem os gentios também dessa maneira? …(Mateus 5:45)

         Não é preciso recorrer a defesa do Estado, ou reivindicar direitos, se agirmos segundo os critérios de Cristo. 
         
        Seja de que lado for, os religiosos jamais deveriam se sentir vitimados por quaisquer comentários que julguem nocivos a suas crenças se sua preocupação é com a fé que praticam. Quando envolve uma instituição religiosa organizada, os interesses passam a ser outros. Para os indivíduos, essa seria a maior oportunidade para esclarecer sobre aquilo que creem. A justiça que deve nortear os religiosos é a prática do amor de uns para com os outros. Ao levar esse tema ao âmbito das leis garantidas pelo Estado, é tornar-se refém da forma da "liberdade" que oferece, ajoelhando-se diante de seus critérios e convenções. Do ponto de vista religioso isso representa um grave perigo. 

Cada indivíduo deve ter o direito de se manifestar e de se defender, plenamente consciente do papel que deve assumir como praticante de suas crenças sem interferências externas. Isso precisa continuar sendo um direito.