segunda-feira, 26 de outubro de 2015

TÃO IMPORTANTE QUANTO VOCÊ, É O SEU PRÓXIMO!

Quando vejo campanhas na televisão de gente envolvida pelo bem de outras pessoas, emociono-me ao perceber de que maneira um meio de comunicação pode ser usado. Não para ajudar a empresa a se sustentar para que continue fazendo a mesma coisa, mas como uma ponte para ligar os que podem ajudar, àqueles que necessitam. Necessidades físicas, não imaginárias, que muitas vezes são sugestionadas por argumentos emocionados que provocam sensações diversas. Esses dias ouvi um pastor na televisão quase chorar pedindo oferta especial para manter seu programa. O argumento era que aquela era uma obra de Deus e não podia parar.
        Vivenciei uma experiência que nunca esqueci. Em meu início de carreira no rádio trabalhei numa emissora mista, que também alocava horários de programa. Certa vez um pastor estava no ar com seu programa e chegou uma pessoa na rádio para fazer um apelo. O homem estava desempregado e precisava de cesta básica. Ouvi a resposta: “Aqui eu não posso fazer pedido para as pessoas no ar. Aqui eu só prego o Evangelho.”  Esse pastor era um dos tantos que pediam ofertas no ar para manter seu programa.
Diante disso, imaginei que ele faria alguma coisa pelo homem pessoalmente, mas nada foi feito.
        Tão importante quanto você, é o seu próximo.  Isto ficou bem claro quando um novo mandamento foi dado por Deus, que resume todas as regras de convivência no mundo: o amor a Deus e ao próximo. Quando avançou nessa questão, Deus pediu para que cada um amasse ao próximo quanto a si mesmo revelando a igualdade do amor. O amor a todos nivela. Se dizemos que amamos a Deus, a ponto de fazermos algo para Ele, em nome dEle, para uma instituição ou organização que acreditamos pertencer a Ele, mas retemos a mão em ajudar ao semelhante necessitado, nossa oferta a Deus não é aceita. Se devolvemos dízimos e ofertas para ajudar a obra de Deus e damos as costas ao nosso irmão, o nosso próximo, nossa aparente generosidade para com Deus é interesseira.  Se os instrumentos que temos em mãos, que podem ser usados para o benefício social e físico do semelhante, a exemplo do que Cristo fez em sua missão na Terra, e usamos todos os recursos para um crescimento corporativo, seremos como servos infiéis.
          O que você faz a você, em seu benefício, a roupa que veste, a comida que come daria ao próximo anônimo, desconhecido, como a si mesmo? Ou faria o seu esforço para doar a órgãos ou instituições porque são de “credibilidade” que poderiam ovacionar seu nome em gratidão nominal?  



“Ai de vós, doutores da Lei e fariseus, hipócritas! Porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, mas tendes descuidado dos preceitos mais importantes da Lei: a justiça, a misericórdia e a fé. Deveis, sim, praticar estes preceitos, sem omitir aqueles!” – Mateus 23:23.  
           Essa mensagem não é reflexiva apenas aos líderes ou a alguém com poder de comandar pessoas e operar o amor, a justiça e a misericórdia para com os outros. No plano do amor de Deus, todos estão nivelados: para o amor, não há grandes ou pequenos, líderes ou comandados. Para Deus não importa o que você é ou o que você faz. Para Deus importa se você ama a Ele, e ao próximo como a si mesmo.
“Mesmo que eu dê aos necessitados tudo o que possuo e entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, todas essas ações não me trarão qualquer benefício real”. - I Coríntios 13:3.


Se você doa porque a consciência pesa, você precisa mudar a consciência. Se doa porque diz que Deus lhe abençoou e que por isso deve ajudar ao outro, você precisa mudar o pensamento. Se você doa por algum motivo que o obriga a dar satisfação de seus motivos, reveja seus motivos. O amor é vazio de todo e qualquer pensamento egoísta. 

        Quando vejo instituições religiosas justificando seus pedidos milionários para sua sustentação, por manter obras sociais, lembro-me do caso dos fariseus diante da oferta da viúva pobre. As obras sociais institucionais são um meio de justificar diante da opinião pública seus feitos a ponto de merecer as ofertas e contribuições que são apenas uma parte ínfima do que arrecadam. Mas nenhuma delas será capaz de vender tudo e distribuir aos pobres. A verdade é uma só: o mandamento de amar a Deus e ao próximo, opera-se de pessoa para pessoa. Este é o segredo. 


         No final das contas, Deus não lhe perguntará quanto de dízimo e oferta doou para sua obra; quantas pessoas você “converteu” a Ele; quantas igrejas você ajudou a construir. Essas práticas dependem de sua  disposição pessoal e de seus motivos, por suas crenças e pactos que fez. Deus lhe perguntará o quanto você amou o seu próximo: aquele que se assenta ao seu lado na igreja que você ajudou a construir; aquele que bateu à sua porta em momento de dificuldade pedindo socorro.