quinta-feira, 29 de outubro de 2015

QUEM É O SEU ESPELHO?

    


Se seu espelho for exemplo de corrupção, da corrupção será exemplo.  O ser humano acaba se parecendo com aquilo que tem acesso e, mais que isso, com aquilo com o que se identifica. Se não há referência do incorruptível, a ideia é de que não existe incorruptibilidade. Se não há referência do que é justo, não haveria justiça?  
        A sociedade vive de referências, e esse papel é cumprido pelos poderes que controlam a educação, a política, os meios de comunicação. Quando repetidas vezes ouvimos que a culpa das mazelas sociais é daquele “inimigo” criado e apresentado à sociedade, como sendo o monstro a ser combatido, deixamos de exercer o senso crítico se abraçarmos essas referências como sendo a verdade. E assim aceitamos essa bola de neve, nos envolvemos nela e dificilmente rompemos suas estruturas para observarmos do lado de fora. Quando as referências negativas da mentira e corrupção são acentuadas, a verdade tropeça, os valores se invertem. “Não pode contra eles, una-se a eles” – diz outro pensamento comodista largamente conhecido. 
       O termo “ninguém é perfeito” e “todo mundo erra”; ou “não foi só eu quem errou”,  acaba transferindo responsabilidades pessoais para algo ou alguém real ou imaginário criado na tentativa de minimizar os danos que provocamos. Essa ideologia não contribui, em nada, para mudanças de rumo, de olhar, de comportamento, a não ser um instrumento a serviço da manipulação das mentes para se tornarem condescendentes e passivas com o erro.
     Não existe homem absolutamente perfeito. Há quem usa como referência a honestidade, a coerência com o que é justo. Esses buscam alcançar a honra.
    Se entendemos que o homem tem tendências para praticar erros, esse mesmo entendimento nos serve de alerta, não como uma “licença” para errar. De outra maneira, a prática de erros conscientes, torna-se um ato deliberado, como uma escolha. Para os que erram deliberadamente, já não resta perdão, pois o perdão se processa pelo reconhecimento da prática errônea, do arrependimento e do abandono dos erros.


    Em nossa sociedade é cada vez mais notória a prática deliberada da corrupção, e muitos defendem que isso faz parte da “dimensão humana”, porém essa constatação deixa de ser produtiva no sentido de converter as ações corruptíveis.
    A decisão de não condescender com os erros já é sinal da busca da perfeição e da intenção de melhorar como ser humano. A não conformidade com as práticas que levam à desconstrução do que é justo, honesto e perfeito, aponta para o caminho da mudança de olhar e do entendimento do papel de cada indivíduo como responsável por suas próprias ações diante do universo.
Romanos 14:10-12 diz: “Pois todos havemos de comparecer ante o tribunal de Cristo... De maneira que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus.” II Coríntios 5:10 nos diz: “Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem, ou mal.