quinta-feira, 22 de outubro de 2015

PÃO QUEIMADO

-Você levaria esse pão para casa se estivesse em meu lugar? - perguntou o cliente ao atendente do outro lado do balcão da mercearia. O pão estava queimado, mas a resposta do atendente foi de que não podia perder a fornada. 
       Pensar na qualidade do que se oferece aos outros parece que ainda é uma mentalidade difícil de ser adotada aos que querem lucrar a curto prazo. Querem apenas vender um produto que não existe pela defasagem de sua eficácia, ou pela qualidade duvidosa. 
     Tornar-se um vendedor apenas com cabeça de vendedor, não a de comprador, para muitos pode significar prejuízo no momento em que a venda é vista como um meio de sobrevivência. Perguntar-se a si mesmo se compraria ou se indicaria a um amigo o que está vendendo, em muitos casos pode trazer um peso na consciência inicialmente, mas ao adotar a ideia de que está cumprindo sua parte como vendedor torna-se com o passar do tempo um anestésico para a dor da consciência. Aliás, compra quem quiser comprar! Esse é o argumento defensivo. Mas há quem diga: - Muitos gostam de pão queimado! E é um argumento de quem não quer admitir que o pão passou do ponto, de fato. Admitir as falhas é assumir que precisa mudar, fazer diferente, o que exige mais perícia, conhecimento, análise, avaliação.
Não é possível progredir
vivendo a doce ilusão do passado
É possível que uma árvore plantada dê frutos várias vezes, mas se ela não for cuidada e protegida, com o tempo se esgotará o seu vigor, influenciando diretamente na saúde dos frutos e sua aceitação. Não é suficiente viver na doce lembrança de que no passado os frutos eram viçosos e saudáveis. A reflexão deveria ser a de observar desde quando as pragas começaram a atingir seu empreendimento e corrigir as falhas. A nossa aprendizagem começa a partir do ponto em que conseguimos identificar em que ponto erramos. É assim que passamos a assumir o controle de nossas ações, e sair do "piloto automático." 

           Há os que não desejam ser desonestos com a própria consciência por oferecer um produto que não traz o resultado proposto. Seria como vender com cabeça de comprador. Por outro lado, o cliente que abre mão de seu produto após tê-lo experimentado e não sentir sua falta ou prejuízo por não obtê-lo, já é uma mostra de que o que vendeu é desnecessário. 
           -Já falou com aquele empresário sobre a publicidade? - perguntou a gerente comercial.
          -Que produto estamos oferecendo a ele? O que podemos trazer como benefício que o convença de que o nosso produto é necessário para ele como um instrumento que trará resultado? 
       É preciso que essa questão seja levada em consideração. Não se deve pensar apenas em ganhar como fim, sem considerar a qualidade do resultado para aqueles a quem oferecemos nosso produto, seja ele qual for. Você conhece, de fato o que está oferecendo? Pensa apenas em ganhar sem antes investir na qualidade do produto que oferece? Se assim não for, seu empreendimento está fadado ao fracasso. Esteja disposto a ouvir o que seu cliente diz a respeito de seu produto. Não se justifique. Avalie. Pois o que você produz não é para si mesmo.