sexta-feira, 23 de outubro de 2015

A LUTA DO MAL CONTRA O MAL

       
Meu filho me perguntou esses dias ao olharmos uma figura de imagem antagônica: - O que é o bem e o que é o mal? 
É o que fazemos. Nem o bem, nem o mal ganham lugar sem as nossas ações. São necessários instrumentos para que se manifestem. O mal é tudo o que destrói, mata, corrompe, engana, e tudo isso se manifesta pelas ações humanas. Fazer o bem ou o mal é algo que aprendemos sobre o que é fazer o bem, e o que é fazer o mal. Por outro lado, todos os homens nascem com a consciência do bem e do mal. É essa consciência que dá aos homens a possibilidade de escolher. O produto do mal é como "castelo de areia" em que dois brigam para conquistá-lo. Os malfeitores destroem a si mesmos, uns aos outros, e o ambiente que ocupam. Os que praticam o mal caem na própria armadilha que criam, porque o malfeitores se sustentam a não ser tentando prolongar articulando outras práticas malévolas que se tornam mais destrutivas a si mesmos e ao lugar que ocupam. Em vez de aplacar o orgulho, assumem seus erros como verdade. 

        Mesmo ao nos desculparmos de termos nascido num ambiente predisposto ao mal e de que nossas inclinações pendem para o mal, é necessário que parta de nós a ação para que o mal se multiplique. Do mesmo modo o bem. Podemos praticar o bem, mesmo tendo inclinações para fazer o mal. 

Ouvimos sempre falar da luta do bem contra o mal. Pensando friamente, o que observamos é que o bem, em tempo algum, nunca se posicionou como um "lutador", pois a grande característica do bem é o amor.  O bem é o princípio. O mal estabeleceu-se a partir do bem desintegrando-se de sua origem, iniciando uma luta para manter-se e conquistar simpatizantes. Mas o mal, ao logo da história, criou outros males que disputam entre si, maior espaço. O mal luta entre si, o bem, não. O que é princípio, originado do amor e da luz não precisa autoafirmar-se para se tornar aceito. O bem não se impõe, enquanto que o mal precisa propagandear-se, defender-se, acusar. O mal causa desordem em todas as esferas onde atua, pois sua razão de existir é a disputa, o desejo exagerado pelo poder.


         Jesus quando esteve no mundo causou insegurança aos poderes da época, que viram nEle um opositor, uma ameaça aos seus interesses terrestres, mas deixou claro que seu reino não era terreno. Ele não veio para derrubar impérios, destruir os que praticavam a injustiça, nem ameaçar com espada àqueles que não aderissem aos seus ensinamentos, mas para dar ao indivíduo a possibilidade de entender que para o reino da luz ninguém precisaria disputar um lugar. 
            Se Jesus viesse disputar o poder dentre os homens, sua bondade, justiça e misericórdia estariam ameaçadas. Se concordasse com o discípulo Pedro ao cortar a orelha do soldado que o ameaçava, estaria agindo com as mesmas armas dos maus. 
           Observe que o mal se propaga no mundo por causa dos poderes que os homens buscam conquistar. A mentira, o engano, as injustiças são praticadas de uns para com os outros como elementos para resistência e subsistência. "Matar para não morrer" é palavra de ordem; destruir os que cruzam seu caminho passa a ser uma ordem natural do império do mal. Aqueles que conquistam os poderes terrenos precisam usar as armas dos terrenos, e a luta do mal contra o mal se estabelece, não apenas para aniquilar o mal, como sendo um propósito justo, mas para ampliação do poderio a todos que parecem ser ameaça aos seus intentos. 

         Os filhos da luz jamais lutarão contra os filhos das trevas. São dois paralelos, duas dimensões, cada qual com seu caráter e suas ações. A luz jamais usará sua força para aniquilar as trevas, pois as trevas é ausência de luz, e em sua presença, as trevas apenas se dissipam, sem traumas, sem demandas, sem dores, sem clamores. Aqueles que empunham armas pelo bem, aliam-se ao mal, e tornam-se maus entre si. Seguir a luz é adotar a mente do Cristo: "Amai os vossos inimigos; orai pelos que vos perseguem." Se Cristo assim orientou a seus discípulos, Ele assim se revela diante dos malfeitores.