quinta-feira, 13 de novembro de 2014

PERDI MEU TEMPO


O tempo é precioso, ao mesmo tempo em que é implacável. É sempre para  frente e jamais  volta atrás. Dedicar tempo é importante em todos os aspectos da vida para alcançar ou conquistar o que se deseja, pelos métodos requisitados. Mas de que maneira tempos empregado nosso tempo e nossos esforços?
Há riscos a correr, e é preciso que o entendimento de que nem tudo pode ocorrer de acordo com o que esperamos, não faça esmorecer a esperança de concluir os projetos que iniciamos. É quase certa a frustração ao canalizarmos todas as forças e expectativas em nossas suspeitas de que o que fazemos pode dar bons resultados. Mas, inicialmente trabalha-se sob hipóteses, sonhos, suspeitas; não existe nada objetivamente claro que leve a crer que o sucesso ocorrerá. Este, por outro lado, não deverá ser motivo para a descrença e a falta de iniciativa. O importante é levarmos em conta de que maneira dependemos daquilo que estamos almejando e que  importância  damos  aos  esforços que empregamos e o que estamos dispostos a fazer.
Há ocorrências corriqueiras que podem nos levar a pensar negativamente, desde os pequenos sinais; esperar tanto tempo numa fila e na hora de ser atendido acontece algum imprevisto; de sair no horário de sempre de casa e chegar ao trabalho atrasado; esperar por uma entrevista de emprego e não ser chamado. Como por exemplo, recentemente os pais de um menino que sofre de obesidade, com 3 anos de idade e que  já  pesa 70 quilos. O menino não tem a síndrome que os médicos suspeitavam. A equipe médica trabalhou sobre a suspeita e deu negativo. Imagine todo esse tempo de espera dos pais por um resultado que desse a eles a possibilidade de iniciar o tratamento adequado para o filho. Foram meses de espera, torcendo para que a suspeita se concretizasse, diante da incerteza e angústia de não saberem nada sobre a doença que afeta o filho?

E aquele crime em que é preso um suspeito e as  investigações apontam que não é ele o culpado? Certamente o suspeito sabe que não é o culpado, mas essa espera é angustiante. Para a polícia seria tempo perdido? Se foi preso um acusado inocente durante algum tempo, o verdadeiro culpado tem o destino ignorado. E agora? Como proceder novas investigações?
E no caso do menino obeso com diagnóstico que não confirmou as suspeitas dos médicos? O que teria o menino? Qual seria sua doença? Tempo perdido?
O importante é o que se faz no período da espera. O tempo responde por si mesmo. É o que fazemos no tempo que faz a diferença na maneira como recebemos os resultados daquilo que precisamos esperar.
Viver ansioso por suspeitas ou possibilidades parece ser um vício que temos. Sofremos por antecipação e a espera tem essa característica, pois não temos certeza do que virá depois. É preciso desenvolver o espírito que nos possibilite a esperar sem sofrer. Fazer o que precisa ser feito. Estar ciente de que todos os esforços que podemos empregar estão sendo empregados; que o passo a passo que podemos dar, estamos dando. A frustração é dura quando passamos a cobrar de nós mesmos o que poderíamos ter feito e não fizemos; a dedicação que negligenciamos. Acima de tudo, o mais importante ainda é saber que se todos os esforços são empregados; se tudo o que sabemos que podemos fazer está sendo feito e mesmo assim o resultado não corresponde ao esforço, é sinal de que nem tudo depende apenas e tão somente dos nossos esforços.
Depois de fazer tudo, é importante ficar firme. Aceitar e alegrar-se pelo dever cumprido com amor e dedicação. Porque assim, saberá que seu tempo não foi perdido. Isso serve de lição, experiência, amadurecimento espiritual. Para quem está em movimento o tempo não é perdido, ele apenas passa. Não se permita iludir com a imaginação. Aja!
“Lança o teu pão sobre as águas, porque depois de muitos dias o acharás.
Reparte com sete, e ainda até com oito; porque não sabes que mal haverá sobre a terra.

Estando as nuvens cheias de chuva, derramam-na sobre a terra. Caindo a árvore para o sul, ou para o norte, no lugar em que a árvore cair, ali ficará.
Quem observa o vento, não semeará, e o que atenta para as nuvens não segará. Assim como tu não sabes qual o caminho do vento, nem como se formam os ossos no ventre da que está grávida, assim também não sabes as obras de Deus, que faz todas as coisas. Pela manhã semeia a tua semente, e à tarde não retenhas a tua mão; pois tu não sabes qual das duas prosperará, se esta, se aquela, ou se ambas serão, igualmente boas”.