segunda-feira, 3 de novembro de 2014

A GERAÇÃO SEM SONHO

A religião exerce um papel importante na formação do pensamento e do caráter das pessoas. A  fé vai  sendo  imprimida na mente, muitas vezes de maneira a desconstruir sonhos pela falta de entendimento sobre a nossa vontade material e a vontade de Deus.
Ajuda a olhar para o “invisível” fora da dimensão humana. O jovem pode aproveitar a vida, mas sabendo que Deus vai julgar tudo o que fizer. Isso é fato. “É mais fácil o camelo passar pelo fundo da agulha do que o rico entrar no céu.” De algum modo, o rico é demonizado, enquanto o que vive uma vida parca de bens, seria um bem aventurado diante de Deus, sem o entendimento real do significado das palavras.
Há muitas mensagens e frases de efeito, inclusive, para consolar os “pobres” que não exercem nenhuma motivação para que sintam vontade de colocar o pé para fora da bolha onde se encontram, sem levá-los a  entender que é possível ter uma vida próspera em todos os sentidos, sem ferir os princípios ensinados por Jesus, que orienta a seus servos a serem generosos uns para com os outros.  “Você é pobre porque os ricos roubam de você, exploram o seu suor.” É uma crença que promove mais separatismo e ódio, do que um olhar propositivo de superação.
Por outro lado, os pobres consolados, colocam-se em posição de superioridade como uma defesa de seu desinteresse pela riqueza material, levando-os a julgar e a suspeitar da riqueza dos ricos.
A vovó já dizia: “Quem não rouba e não herda, só vive na m...” Sem dúvida é uma frase de consolo para aqueles de boa moral e bons costumes, fazendo-os vangloriar-se da pobreza porque não roubaram e nada herdaram, mas não passa disso.
“Onde estiver o teu tesouro, ali também estará o teu coração.” Nesse pensamento não se demoniza o tesouro, nem o torna algo sem valor. O valor do tesouro que você tem, é a influência que ele exerce sobre a sua vida. Em que escala de importância colocamos os bens que possuímos? É ali que estará o nosso coração.
Uma religião que apregoa a “privação” e as necessidades materiais como sendo elementos favoráveis para o crescimento espiritual, acaba formando uma geração sem sonhos terrenos, predisposta a enfrentar as aflições e carências pela fé, mas uma fé que não promove o resultado de uma ação ao contrário. Por outro lado abre brechas para mensagens oportunistas que leva essas pessoas a um outro extremo de igual modo negativo. De que vale a fé como sendo apenas um elemento de resignação em meio ao sofrimento, se por ela não damos ordens a nós mesmos para agirmos e relutarmos diante das aflições e nos levantarmos diante das quedas? A fé que não move "montanhas", não é fé. 

A orientação sobre a privação, mal canalizada pelo ouvinte, exerce uma influência que pode levar até mesmo a um sentimento de culpa quando nasce o desejo de conquistar uma vida material próspera. É isso que leva muitos crentes a se desviarem dos ensinos considerados negativos, para experimentarem o que não encontram dentro das igrejas, como as palavras de motivação capazes de apontar  uma outra visão de vida e mudança de comportamento.
A carga de ensinamentos, muitas vezes mal entendidos pela falta de clareza, acaba escravizando o indivíduo que entende a vida espiritual como uma vida sem grandes avanços, de conformismos. É como aquele jovem que disse ao pai que não ia estudar, que não adiantaria, se o mundo ia mesmo acabar. É como aquele jovem que não sonha com uma vida próspera no futuro, se tudo ficará por aqui mesmo.
Há uma geração de crentes. Crentes pobres, “louvando a Deus na pobreza”, apenas por uma questão “ideológica” da privação, sem entender que Deus pode ser louvado também na riqueza e em tudo o que somos e temos.
Quando estudiosos começaram a propagar que ser rico não é pecado, o grande estrago mental já havia estagnado a vida de muitos. 
"Para quê sonhar, se este mundo é uma ilusão e nada aqui presta?"
Para desprogramar uma mente que pensa assim, só mesmo com a renovação do entendimento, como disse o Apóstolo Paulo. Não devemos nos conformar com o mundo, isso é regra para o Cristão. Mas é a renovação do entendimento que dará a ele a liberdade sobre sua vida e suas ações para usufruir dos bens disponíveis no mundo, ao mesmo tempo mantendo-se incontaminável de seus conceitos.



“Bem-aventurado aquele que teme ao SENHOR e anda nos seus caminhos.
Pois comerás do trabalho das tuas mãos; feliz serás, e te irá bem.
A tua mulher será como a videira frutífera aos lados da tua casa; os teus filhos como plantas de oliveira à roda da tua mesa.
Eis que assim será abençoado o homem que teme ao Senhor”.

Salmos 128:1-4