quinta-feira, 2 de outubro de 2014

O ELEITOR CRISTÃO

 Somos um país de fé, mas que precisa urgentemente manifestar suas obras pelo direito de todos.

De acordo com a FGV (Fundação Getúlio Vargas, há cerca de 9 milhões de assembleianos no país, os que se denominam fieis da Igreja Assembleia de Deus. Em 2012 a população evangélica e protestante chegou a 22,7%, cerca de 42 milhões de fiéis; os católicos representam 57% da população. É uma força que unida pode fazer grande diferença na sociedade. Se há divergências doutrinárias, em pontos fundamentais, todos os que mantém posição coerente com o que pregam, defendem o mesmo princípio: o amor ao próximo, o respeito, a liberdade, a valorização da vida e da família.
O Estado é laico, mas seus cidadãos, em sua maioria, professa alguma fé. Neste ponto, a  interferência  do  Estado em questões pontuais e definidas de acordo com princípios cristãos não é bem recebida por aqueles que professam e praticam as orientações de moral religiosa. A política é partidária, a religião é apartidária, por isso são paralelos que para conviver sem conflitos, precisam assumir seu papel com respeito aos seus propósitos. A família forma o Estado, e é a célula mater da sociedade, portanto, a família é maior que o Estado. Por isso, o trabalho dos governos constituídos pela vontade popular é resguardar os direitos da família, promover a segurança e manter as liberdades e os direitos de propriedade. 

Para eleitores cristãos conscientes a importância maior não é a discussão sobre competências ou sobre a obrigação cumprida pelo governo, pois isso não justifica o mal causado às estruturas morais de um povo e à democracia.  

Há alguns anos o Estado tem interferido em temas que afetam diretamente a família no que se refere a educação dos filhos. A lei da palmada que está em vigor prevê punições a quem agredir crianças, mas já existem leis que prevêm punições a maus tratos e agressões. Agredir e espancar o filho é um extremo; o outro extremo é de igual modo nocivo e pode ser causa de grandes males futuros para a sociedade. Os cristãos entendem que o equilíbrio é importante na educação. Se por um lado há filhos rebeldes, há pais que provocam a ira nos filhos pela maneira indevida de corrigir. A Bíblia diz: “A vara na correção dá sabedoria, mas a criança entregue a si mesma envergonha a sua mãe”Provérbios 29:15. A lei da palmada, portanto, tem outra configuração de profundidade desconhecida, mas parece tirar dos pais a autoridade de corrigir quando, de algum modo, precisam usar forma mais direta para despertar a criança. Cada criança se manifesta de maneira diferente diante de uma ordem ou de um comando, diante dos limites necessários. E só os pais aprendem a maneira de lidar com essa questão, ou deveriam aprender.
A fragmentação da família tem criado uma sociedade de filhos perturbados, esquizofrênicos, de mente dividida, sem uma definição de vida e de seus compromissos, direitos e obrigações.
Neste ponto há uma interferência direta do sistema e do governo que visa a chamada “liberdade” sem nenhum critério, sem orientação, mas denominando fundamentalistas e hipócritas os que ainda pretendem preservar o que é moral no âmbito de uma sociedade organizada e interdependente. As ações de uns, acabam interferindo nas reações dos outros. Começam a valorizar as coisas, o consumo, os bens duráveis e objetos como um fim em si mesmo. Banaliza-se a vida e as relações humanas, reduzindo-as ao mero egoísmo e a satisfação pessoal. 
Exemplo disso é o aborto que o governo pretende tratar como caso de saúde pública e permiti-lo pelo sistema de saúde oficial a quem desejar abortar, segundo o que foi dito pela presidente da República. Os cristãos entendem que a vida começa com a concepção no ventre da mãe."Os teus olhos viram o meu corpo ainda sem forma" - Salmos 139: 16.
Outro ponto que destoa dos princípios religiosos é o “casamento entre pessoas do mesmo sexo”, cujo termo foi trocado por “união civil homoafetiva” – mas a finalidade é a desconstrução do modelo de família tradicional, como agressivamente vem sendo defendido pelos ativistas do movimento gay com respaldo do governo e suas bases, que segue os parâmetros Marxsistas do sexo livre. Esse conceito da ala esquerdista tem sido levado às crianças da educação pública impondo suas doutrinas em mentes que não são capazes de discernir pela razão e senso analítico e poder de decisão consciente. É a pedofilia moral. "E, semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em si mesmo a recompensa que convinha ao seu erro."(Romanos 1:27) 

Mais uma preocupação é a liberdade religiosa. Os religiosos que mantém seus princípios regidos pelo evangelho serão aceitos apenas se manterem posições relativistas e não confrontarem com os costumes e práticas  consideradas iníquas. A proposta faz parte da lei da mordaça.Os cristãos seguem a ordem de Jesus: "Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a todas as criaturas. Quem crê e for batizado será salvo, quem não crê, será condenado"(Marcos 16:15)

A comunicação será controlada. Aos poucos isso já se faz notar. Desde o início do atual governo, o ex-presidente atacava diretamente a mídia e os noticiários que revelavam corrupções em sua administração. Exemplo recente foi a campanha para tirar uma jornalista do ar e impedi-la de dar opinião. Vários outros jornalistas dos principais noticiários da televisão deixaram de emitir opinião a respeito de assuntos de interesse da população. A continuidade de governo de perfil totalitário torna-se, portanto, uma grave ameaça para a democracia, como ocorreu na Venezuela em que canal de televisão de posição crítica ao governo teve concessão cassada; o mesmo ocorre em Cuba, com os meios de comunicação “chapa branca” que tornam-se porta-vozes do governo, o mesmo modelo de governo que aos poucos vem sendo implantado em nosso país.

Os cristãos defendem a liberdade, dizem não ao preconceito, mas mantém seus princípios inalterados, porém, querem ter o direito de pregar os princípios que regem seus atos. Cristãos aprendem a amar e preservar a vida animal e humana, e ao próximo; a desenvolver a caridade e o auxílio aos pobres; mas querem ter o direito de, com base em seus ensinamentos, alertar sobre comportamentos e ações nocivas que são praticadas na sociedade.

São esses cristãos ativos e conscientes de seu papel como cidadãos e participantes ativos da sociedade que exercem também seu papel de eleitor em cumprimento de seu dever. E são esses que não costumam escolher seus candidatos com perfis destoantes de suas crenças. Esses cristãos, não são condescendentes com a mentira e a corrupção. Somente a união dessa parcela da população que chega a quase 90% por um propósito, pode evitar que a sociedade da qual faz parte sofra as terríveis consequências de uma escolha equivocada. Somos um país de fé, mas que precisa urgentemente manifestar suas obras pelo direito de todos.