quarta-feira, 1 de outubro de 2014

QUEM PAGA PARA VER DE NOVO?

Declaração importante feita durante um debate eleitoral: "Fazer o bem e cumprir sua obrigação não lhe dá o direito de fazer o mal" - replicou o candidato ao governo do Estado do Rio de Janeiro Marcelo Crivella ao atual governador candidato a reeleição Luiz Fernando Pezão quando falou das obras que fez, esquivando-se das explicações requeridas sobre corrupção em seu governo.
A nossa política é rasa, superficial, assim como os interesses do eleitorado. Parece que as consideradas “boas ações” do político, reivindicadas em público que mais parece elementos para compor jogadas de marketing torna-se carta branca para gerir de maneira escusa os assuntos administrativos de interesse nacional.

O maior escândalo de corrupção de nosso país, aos poucos foi minimizado pelos discursos repetitivos do governo. Os condenados e presos pelo caso, aos poucos voltam à sua vida normal, apoiados pelo governo e sua militância. O ex-presidente Lula ainda coloca dúvida sobre o caso e ainda supõe que o mensalão não existiu. A mídia, o único meio de levar ao conhecimento, pelo menos a ponta do iceberg da corrupção, é atacada e desqualificada pelos partidários. E o governo diz que "manda investigar"como se não soubesse do que se passa, somente depois de o povo tomar conhecimento pelos meios de comunicação.  O julgamento do caso foi desqualificado e o Juiz que condenou foi desacreditado, ameaçado, aposentado. Petistas odeiam Joaquim Barbosa, e foi ameaçado de morte por um militante a partir do Palácio do Planalto. O caso não deu em nada, apesar de ameaça de morte configurar crime.  A mídia é colocada como a oposição que tenta desestabilizar os interesses do governo denunciando seus malfeitos. Ameaçam jornalistas que comentam na televisão; calam a boca daqueles que parecem ser um entrave para seus negócios com chantagens, pois estão aparelhando o Estado, aumentando seus tentáculos perniciosos, tornando até mesmo instituições privadas dependentes de suas decisões.


Mas o que o povo tem a ver com as discussões internas, os interesses escusos de seus representantes, as negociadas por trás das cortinas no âmbito da administração, se o povo está cobrando apenas migalhas e migalhas recebe como resposta aos anseios populares, se para o povo o importante é ter seu benefício no fim do mês por ações disfarçadas de resposta aos reclames sociais? O povo não sabe de nada e não quer saber. E os políticos maldosos sabem disso. Assim continuam oferecendo o circo e o povo aplaudindo o espetáculo. A discussão deixa de ser política e passa a adotar suposições, julgamentos pessoais.
O maior escândalo de corrupção de nosso país, aos poucos foi minimizado pelos discursos repetitivos do governo. Os condenados e presos pelo caso, aos poucos voltam para casa e à sua militância política, apoiados pelo governo e seus aliados. O ex-presidente Lula ainda coloca dúvida sobre o caso e ainda supõe que o mensalão não existiu. A mídia, o único meio de levar ao conhecimento, pelo menos a ponta do iceberg da corrupção, é atacada e desqualificada pelos partidários. O julgamento do caso foi desqualificado e o Juiz que condenou foi desacreditado, ameaçado, aposentado; a mídia é colocada como a oposição que tenta desestabilizar os interesses do governo denunciando seus malfeitos. Ameaçam jornalistas que comentam na televisão; calam a boca daqueles que parecem ser um entrave para seus negócios com chantagens, pois estão aparelhando o Estado, aumentando seus tentáculos perniciosos, tornando até mesmo instituições privadas dependentes de suas decisões.

Para quê o governo tem que esperar uma manifestação pública para responder às cobranças, se o representante do povo em seu cargo deve  ter competência e capacidade de entender as necessidades básicas e elementares e trabalhar no sentido de minimizar suas falhas administrativas que refletem nos serviços que deve prestar ao Estado ou à Nação?
É assim que o governo se defende: quando é chamado à responsabilidade e a dar explicações sobre escândalos, desvios de finalidade na aplicação de recursos, a corrupção, entre outros temas de profundidade tamanha cujas consequências podem ser a destruição de um Estado, ele usa as ações sociais e maquiagem na apresentação de números e dados de avanço e progresso como escudo. As frases: “esse governo foi o que mais fez; nunca em tempo algum tivemos tanto...” são evasivas para desviar o olhar e as atenções do que é elementar. É muito bom ter cautela com candidatos que vivem apontando números de supostas realizações feitas. Assim conseguem atenção ou admiração enquanto não se prove em contrário, pois, dificilmente alguém sairá a procura dos números para conferir.  Munidos de dados estatísticos, tentam passar imagem de bom gestor, mas o que importa para o desenvolvimento de um país, não é o que foi feito, mas o que não foi. As frases repetitivas que servem como defensiva precisam ser observadas no confronto com o que se diz e com o que realmente é.
Essa falta de interesse da população para aprofundar-se e sair do senso comum e da política mediana que faz o governo, é que respalda essas ações rasas e o povo acaba se contentando com pouco, muito pouco.
Não podemos apenas discutir segurança pública com o uso e aumento da força policial, apesar de o povo pensar que isso resolverá o problema; não é aumentar o quadro de médicos para atendimento à população, ainda que o povo não saiba se expressar quando consultado sobre o que mais precisa. As bases estruturais precisam ser resguardadas; a política precisa ser ampla. A questão de moradia não se resolve apenas com a construção de casas, mas pela permanência de seus moradores numa moradia que garante segurança e infraestrutura adequadas às necessidades das famílias. Não se pode aceitar obras de fachada com fins marketeiros em época de campanha, apenas para maquiar as grandes responsabilidades de quem assume o maior cargo político de uma Nação. O trabalho na superfície por um lado agrada aos olhos, mas por outro lado, esconde o buraco negro para o qual o país pode estar prestes a cair, na desconstrução da democracia e das liberdades. Veja a educação, a atenção aos jovens, o combate às drogas. Veja a saúde, o saneamento básico.

Não nos permitamos à alienação. A comer o que nos oferecem; a aceitar o que eles respondem e a concordar que “se não tem remédio, remediado está”.  O maior perigo para uma Nação é o comodismo. E parece que é isso que tentam fazer pelas manipulações ideológicas de que tem muito a fazer, mas que não se responsabilizam pelo que não fizeram.  Não podemos aceitar a mea-culpa. As responsabilidades precisam ser assumidas, sempre.