segunda-feira, 6 de outubro de 2014

PARA TRÁS É QUE SE ACERTA

“É pra frente que se anda.” É natural que seja assim, porém, é preciso compreender os passos que damos, avaliar por que caminhos queremos realizar os nossos objetivos e se é nesse caminho que estamos. Há muitos “andando para a frente” no afã de concluir seus objetivos tomados por uma cegueira que só consegue ver o que os olhos alcançam no que tange à suas conquistas materiais ou de posições na escala social.

No aspecto político quando se fala em retrocesso aponta-se para as conquistas do passado em comparação às novas conquistas, o que não foge do que é previsível.  Não é esperado que  tudo continue como está. É previsível que o crescimento ocorra de acordo com as necessidades reais ou criadas sistematicamente, das quais a sociedade passa a depender. Sem dúvida, são estratagemas, como iscas, que furtam a liberdade de muitos, impedindo-os de reconhecerem seus direitos e garantias fundamentais. 


Seria ignorância achar que as conquistas se perdem com o tempo. Isso não é prática da área político administrativa, pois quando algum sinal é entendido pelo povo - ciente de seus direitos -  como a desconstrução do que foi alcançado estruturalmente, a reação é de repulsa. Esse tipo de argumentação surge em momento oportuno como no período de disputas eleitorais e acaba espalhando um certo receio na população, com base em hipóteses e suposições, instrumentos usados para fazer o povo imaginar ou pensar no que não vai ocorrer como se fosse a verdade. É uma espécie de manipulação para angariar a preferência na disputa. 

Por outro lado, as decisões políticas não devem ser tomadas com base em hipóteses ou suposições, mas com planejamento estratégico para avançar ou mudar, sem comprometer as estruturas, mesmo  que  algumas medidas a curto prazo tenha impacto na vida da população. A mudança, por vezes, requer rompimento, não com as estruturas, mas com o modelo criado, o formato das negociações que não deve confrontar com os interesses da Nação e satisfazer interesses partidários. 

Para conquistar algo sólido e durável, é preciso cortar o que é supérfluo – que apesar de oferecer uma “zona de conforto” e comodidade, pode representar uma ação perdulária e enfraquecida no momento das “turbulências.” O que é supérfluo transmite uma sensação de poder de consumo, mas que nem sempre se sustenta a longo prazo por falta de uma visão futurística de planejamento e ações que visem a sustentação das conquistas. As perdas materiais podem ser um reflexo não da perda propriamente dita, mas elas ocorrem como o resultado de falsas expectativas que levam em conta apenas o cenário atual. Por outro lado, todas as estruturas sustentadas pelas aquisições materiais se comprometem. É preciso saber o que motiva um governante a trabalhar no aspecto exterior, sem levar ao conhecimento do país o que há por trás de suas ações. A política viciada leva as pessoas a cobrarem o que fez um mandatário no tocante a obras, mas não desenvolvem a percepção sobre os rumos que o País vem tomando, aos poucos. É como se o benefício social concedido à população, fosse uma licença para ações escusas do governo que podem comprometer a democracia e as conquistas sociais, construídas ao longo da história, de um só povo, uma só Nação. A conquista pelo trabalho; o mérito pela dignidade; o crescimento pessoal pela educação.

No campo do desenvolvimento humano, a máxima que ouvimos é de que “É pra frente que se anda.” É natural que seja assim, porém, é preciso compreender os passos que damos, avaliar por que caminhos queremos realizar os nossos objetivos e se é nesse caminho que estamos. Há muitos “andando para a frente” no afã de concluir seus objetivos tomados por uma cegueira que só consegue ver o que os olhos alcançam no que tange à suas conquistas materiais ou de posições na escala social, assediados por um falso discurso de prosperidade que isola outros pontos importantes do desenvolvimento pessoal. É preciso avaliar as condições morais, éticas, e de respeito aos limites; os valores de família; o respeito à propriedade privada; os direitos coletivos. 


As vezes o avanço exige um passo atrás, quando ameaças são percebidas. Ameaças que podem interferir na paz social e no conjunto de regras que regem a sociedade como um todo, cada qual reconhecendo o papel individual nessa esfera de relacionamento com o meio.  Voltar atrás é atitude digna quando se reconhece que o abismo está adiante. Quando a luz amarela do sinal da consciência acende. Mas não basta apenas dar um passo atrás. É preciso retomar o caminho com a consciência de que nem todos os erros podem ser apagados, mas compreendidos para que a partir deles se reconstrua ações acertadas. Não é possível avançar sem reconhecer os erros cometidos e acertar o passo, pois eles (os erros) encobertos podem se avultar de maneira tal por trás de nossa defensiva que não poderão ser refreados quando eclodirem diante de nossos olhos. Entre o pensamento e a ação há sempre um intervalo. É nesse tempo que devemos refletir se apertamos ou não o gatilho da liberdade ou da escravidão; da honra e decência ou da subserviência.