terça-feira, 21 de outubro de 2014

NÚMEROS QUE IMPRESSIONAM


Eu ainda era criança quando no programa dos Trapalhões perguntaram ao Didi, que dizia saber de tudo: - Então me diga quantas estrelas tem no céu...
Didi colocou a mão no queixo como que fazendo o cálculo e respondeu um número que chegava a milhões e milhões. 
Quando um dos personagens duvidou, Didi disse:
-Você não acredita? Então vai lá e conta. 

Há quem diga que para impressionar é bom apresentar números mas para a sorte dos que alardeiam números de coisas supostamente feitas que os beneficiam, as pessoas não "sobem lá para conferir." 

Números estão sempre associados a sucesso ou fracasso quando se apresenta quadros comparativos. O jovem para se gabar, muitos deles, gostam de dizer quantas namoradas já teve. O profissional na tentativa de impor respeito, fala de seu tempo de experiência - e há quem faz questão de apresentar até o tempo não oficializado comprovadamente-, mas do que fez antes.

Mas não é isso o que importa. Importa o motivo pelo qual os números são apresentados. O que alguém pretende e que mensagem quer passar quando cita números de suas realizações - que impressionam seus ouvintes?

O ex-presidente Lula comentando sobre sua estratégia de dizer o que lhe é conveniente em um vídeo que circula na internet, ele gaba-se de si mesmo ao superestimar o número de crianças nas ruas do Brasil, em 50 milhões, quando ainda não era um político de expressão, em que o Brasil não tinha muito mais que 100 milhões de habitantes. 

Um grande exemplo disso é que a Vitrine do governo federal nas eleições de 2014, a marca de 8,1 milhões de estudantes no Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) pode ter sido inflada com matrículas que ainda não se confirmaram. A Gazeta do Povo confrontou informações repassadas pelo Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) e constatou que em ao menos cinco capitais – incluindo São Paulo e Porto Alegre –, os dados repassados pelo governo federal são até três vezes maiores do que os informados pelos municípios.

Números nem sempre são confiáveis, dependendo do motivo de sua divulgação e de quem o faz. É sempre bom desconfiar, principalmente, quando são "números oficiais" do governo, até porque, por trás existe interesse político. Dificilmente esses números são confrontados, mas pelo caráter de sua exploração é preciso manter certa desconfiança. Um político que mente sobre números, apenas para obter vantagem não merece confiança. E quem fez uma vez, certamente mostra desvio de caráter. São esses mesmos que não admitem seus erros, mesmo à clara luz. Repetições de mentiras não confrontadas acabam ganhando sentido de verdade.