quarta-feira, 29 de outubro de 2014

NOVOS CARAS PINTADAS?

Campanha contra o presidente Collor que renunciou antes
do processo de cassação do mandato. 
Clima de golpe no ar? As manifestações na internet que estimulam eleitores a assinarem uma petição de apoio à ideia de Impeachment da presidente Dilma Roussef, vem crescendo aos poucos. No site Avaaz há mais de 1 milhão e 300 mil adesões. Grupos nas mais diversas cidades convocam os insatisfeitos com o governo da presidente Dilma a saírem às ruas em protesto.
Um dos grandes temores que pairam sobre grande parte da população do país, é a política comunista que o PT pretende implantar, muito mais preocupante do que os casos recentes de corrupção. Políticos de oposição dizem que os desvios e lavagem de dinheiro, mensalão e outros casos de corrupção, são meios de o governo se fortalecer, comprando apoio e abrigando apaniguados políticos em diversos órgãos estatais.
Material distribuído sugere impeachment de Dilma

Mas de que valeria o Impeachment da presidente Dilma à essa altura? Nesse caso, quem assumiria a presidência por  impeachment ou vacância é o vice, que é do PMDB, partido estratégico para manter a governabilidade, assim como fez em outros governos, por meio do fisiologismo e barganhas. Não se sabe até que ponto o PMDB é sincero em sua defesa ao governo, ou se aquieta pela zona de conforto que conquistou, mas esperando um estímulo maior para agir. Pode ser que o “golpe” não venha de fora. É de se estranhar como um partido forte não lança candidatura própria à presidência da república. Talvez por estar ganhando muito mais apoiando o governo. Há um clima de suspense no ar. Há um descompasso entre o Congresso e as ideias da presidente Dilma em muitos pontos que precisam ser esclarecidos. A bancada de oposição acredita num golpe do governo contra a democracia, adotando o que se pratica em países comunistas, acusando o governo, inclusive, de forte aproximação com governos ditadores que controlam o Estado, a mídia, o aparelhamento de estatais, entre outros, com o objetivo de se perpetuarem no poder.
Parece que Dilma baixou o tom e fala em dialogar, o contrário do que veio fazendo até aqui, sendo acusada pela oposição de “apequenar” o Congresso, onde muitos partidos fazem parte dos planos do governo e se “ajoelham” diante de suas “ordens” como revelou recentemente o Senador Mário Couto do Estado do Pará. Ele criticou o silêncio do Congresso diante de tantos escândalos ocorridos no País, levantando suspeitas de que muitos estão “comprados.”
Um pedido de Impeachment nesse momento, seria viável sob esse ponto de vista? Ou seja, se a presidente tem a maioria em sua base, não haveria em maior escala a tentativa de barrar, assim como fez isoladamente o  Deputado Roberto Jefferson que criou a tropa de choque para poupar Collor do Impeachment em 1992?
Collor não tinha maioria no Congresso. O país passava por algo novo e o povo foi, de algum modo, manipulado a aceitar a saída do presidente que mal havia entrado. E até hoje muita gente ainda não sabe qual foi o verdadeiro motivo do Impeachment de Fernando Collor.Mas naquele tempo, corrupção parecia um tema novo no governo, havia um repúdio maior da população. Não ficou claro se era o povo mesmo que foi para as ruas, ou se grupos de militantes políticos falando em nome do povo. O que se sabe é que muitos dos que participaram das manifestações foram abrigados sob as asas do PT quando chegou ao poder, como sindicalistas e representantes de movimentos estudantis e sociais. Aqueles que eram pobres, ficaram ricos com a ascensão do partido. 

Agora fala-se de impedimento de uma presidente que faz parte de um partido que está há 12 anos no poder. Os escândalos de corrupção e CPIs não foram suficientes para responsabilizar o presidente Lula, nem a presidente Dilma. Há uma rede de proteção para evitar suas citações nesses escândalos mesmo que indiretamente, como chefes máximos da Nação, responsáveis diretos de sia administração. Essa proteção vira os holofotes para os delatores que são desacreditados, colocando-os na mesma situação dos corruptos. Assim foi feito com Joaquim Barbosa, que julgou o caso e condenou os envolvidos, mas foi desacreditado pelos petistas, que o atacaram frontalmente.Assim o governo reage contra a mídia que divulga para a população, escândalos que por outro meio não saberia. A livre expressão das pessoas pelas redes sociais e o impacto dessas opiniões sem interesses pessoais, não é bem vista pelo governo a ponto de discutir a regulação das mídias. 
Capa de revista reportava ao escândalo
do mensalão e a defesa de Lula para o ocorrido

Os tentáculos de sustentação do governo atual são grandes, e alcançam os poderes paralelos. É preciso saber até que ponto a pressão do povo será capaz de fazer o governo aceitar passivamente esses rumores, sem se preparar, usando suas prerrogativas com respaldos e brechas legais para se proteger de um golpe.
O governo emplacou a ideia de que corrupção sempre existiu e a tática de apontar as corrupções de outros governos, tem servido de defesa de seus desmandos. E a ideia tem sido aceita por grande parte da população. “Os erros não são do presidente”, dizem, são dos aliados, que mesmo assim, continuam exercendo posições privilegiadas dentro do partido e protegidos como “heróis nacionais.”

Não é fácil derrubar esse governo. Mesmo com suas bases corroídas pela corrupção, tem um palanque oficial que é usado para acusar parte da sociedade como uma “elite” que quer destruir os pobres e miseráveis. Essa ideia ainda está colando! Manter a sociedade dividida é uma tática importante para se estabelecer o caos, e se apresentar as possíveis soluções. Fazer isso do lado de dentro, com as prerrogativas oficiais, escudados pela legitimidade do voto popular é muito mais fácil. Na maioria dos casos, é estratégia imbatível. A acusação de corrupção é tirada de letra: “não sei, não vi, assinei sem ler, a culpa não é minha”...