quinta-feira, 30 de outubro de 2014

NÃO SOU RICO, APENAS TRABALHO!

Falta de dinheiro e pobreza são paralelos que não se encontram.
Quando eu era criança vivia lendo as frases de para-choque e nas traseiras das carroças puxadas por cavalos. Num caminhão: "Deus ajuda quem cedo madruga." Uma das frases me chamou a atenção: "Não tenha inveja de mim porque não sou rico, apenas trabalho." Mais curioso é que a frase estava escrita a pincel, com letras borradas na parte de trás de uma carroça carregada de areia lavada. Ao olhar na superfície, vem o pensamento: "Quem poderia invejar a vida de um carroceiro" se existe outras profissões de mais status? 

Hoje parece que a cobiça por coisas maiores e melhores segundo um novo contexto social, tem feito muitas pessoas invejarem sem ao menos desprenderem esforços necessários para alcançar aquilo que desejam. O estímulo para o alcance do status e poder de consumo que é sugerido como "realização" na vida, deve ser feito com a devida orientação para que a busca pelas coisas seja apenas um fim que deve ser alcançado sem os critérios do respeito e solidariedade para com o próximo e suas conquistas por mérito de seu trabalho. Muitas pessoas cresceram na vida com esforço e o suor de seu rosto, que resultou de planejamento e sonhos. Ao olhar a vida de pessoas realizadas, muitos não conseguem enxergar o sacrifício que tiveram para essa realização.
Mas ao olhar a vida daquele carroceiro depois, era possível perceber que ele não tinha uma vida miserável, apesar de aparentemente seu trabalho não ser "invejável." Morando em um bairro pobre, sua casa era diferente das outras. Seus filhos pequenos matriculados na escola pública. Em sua mesa não faltava alimentos. Não vivia no "luxo", mas tinha o essencial para viver. No quintal de sua casa, tinha um carro velho, bem antigo, mas levava a família para a igreja e de vez em quando passeava com os filhos. Mais tarde, aposentou a carroça e comprou uma velha caminhonete e foi crescendo aos poucos, com planejamento. Parecia ter objetivos claros. Era um homem que acreditava que tudo na vida se adquire pelo trabalho. Apesar de não ostentar grandes posses, estava longe de ser um homem pobre. Pobreza é estilo de vida.

Mais que isso é importante desenvolver espírito solidário

Ele trabalhava desde o amanhecer. Seus filhos cresceram vendo o exemplo do pai, estudaram e se formaram.

Era comum perceber que alguns tinham certa "inveja" do pouco que aquele homem possuía, mas com honestidade.

Mas isso acontece até hoje. A diferença é que esse comportamento tem sido estimulado pelo governo, que em vez de promover oportunidades e governar para o desenvolvimento do país, protagoniza críticas ao que chama de "elite" adotando atitudes "paternalistas", superprotegendo àqueles que deveriam ser estimulados ao trabalho, mas acaba suscitando a inveja e a cobiça por coisas, sem cumprir o que é necessário para esse fim. 
A "elite" de hoje, foram os trabalhadores de ontem que se esforçaram e produziram, inclusive, riquezas para o nosso país. 
Observe a história de vida de grandes empresários consolidados no mercado; os concessionários de empresas de ônibus; redes de supermercados entre outros. 

É preciso saber separar carência da pobreza.
A miséria e a pobreza devem estimular a força do trabalho, da motivação, não a dependência. Mas para estimular o trabalho e oportunidades, o governo precisa promover o necessário para que isso ocorra, desde a cultura e educação até o desenvolvimento econômico e social. 
Com o atual comportamento adotado pelos líderes da nação, a sociedade continuará dividida entre a "elite" e os miseráveis; entre os que comemoram sua ascensão na escala social por méritos pessoais, capacitação, esforço e trabalho, e os que vivem olhando a esses como inimigos e usurpadores dos pobres; que vivem cobiçando, invejando e nutrindo sentimento de ódio, manobrados pelo poder oficial, como se também não pudessem mudar de vida com métodos semelhantes. Parece que é isso que ultimamente muitos tem aprendido. E esse comportamento não colabora para a mudança social, pois se respalda nas diferenças como um meio de sustentar uma política usurpadora do bem maior  do País. A preguiça não deve ser afagada, pois custará caro. O preguiçoso ambiciona e nada alcança, mas os desejos daquele que se empenha na obra serão plenamente satisfeitos. (Provérbios 13:4)