segunda-feira, 13 de outubro de 2014

NADA MUDOU






A campanha eleitoral de segundo turno do PT está diferente, a luz, a cor, a claridade, a expressão da candidata, o sorriso curto em final de frases, como que atendendo a uma orientação de especialistas do Marketing Político. Parece que aquela imagem de “mandona” e o tom de voz ríspido e grosseiro por  uma suposta necessidade de parecer imponente na tentativa de intimidar os oponentes deu lugar a uma postura mais humilde para pedir uma segunda chance aos eleitores. Mas parece que tudo soa falso; nada parece verdadeiro e essa mudança brusca e radical no modo de fazer campanha, até mesmo deixando de lado a cor vermelha e roupas de tons fortes.
Estratégia semelhante foi usada pelos marketeiros do ex-presidente Lula. O “Lula light.” Adotou o sorriso, o olhar; assumiu cabelo e barba grisalhos para dar um tom de credibilidade e serenidade. Fizeram do Lula o menos “casca grossa” possível, como era visto em outras campanhas, assumindo discurso como sindicalista, do mesmo jeito que fazia nos trios elétricos. Por fora é possível maquiar, mas o que está oculto só se revela nos confrontos. E é isso que foi percebido aos poucos.
Certamente os eleitores mais observadores e a população mais informada veem isso como uma estratégia para passar uma nova imagem com o mesmo rosto; um “novo governo” com os mesmos personagens, inclusive, defendidos de maneira incisiva para minimizar o impacto das denúncias de corrupção. Na cabeça deles - admitir a corrupção de seus aliados e que fazem parte dos quadros do partido e que ainda recebem apoio do ex-presidente Lula que fora do país diz que mensalão não existiu e que essa história será recontada – é desestabilizar o processo eleitoral. A estratégia de por em dúvida as denúncias, atribuindo-as “a uma parte da imprensa” e usar o discurso da candidata petista de que “não pode acusar ninguém sem provas” – é mais um reforço à dúvida. Na cabeça deles, isso pode levar as pessoas menos informadas a pensarem mais sobre as acusações e até mesmo imaginar que existem “forças ocultas” querendo tirar o PT do governo, esquecendo-se que essa “força oculta” é o resultado de seus próprios desmandos, que aos poucos, tornam desgastados qualquer discurso ou frases de efeito e refrões repetitivos na tentativa de desviar o olhar do povo para os reais motivos, para o foco do problema. Já está desgastada a máxima usada de que “todo mundo é corrupto.” Um Estadista responsável jamais diria isso a um país, senão chamando todos à responsabilidade de combater os erros.
A autodefesa apontando as falhas dos outros, não é digno de um governante que respeita a honra, a dignidade e a hombridade.

Percebo um cansaço quase que generalizado por parte das pessoas que não conseguem ver alguma mudança nesse quadro avassalador que se instalou no país. O desgaste é grande, e a tentativa de o PT omitir seu nome na campanha, mudar a aparência para dizer que mudou na essência, torna pior ainda a situação, pois isso mostra que a grande preocupação do partido é continuar no poder, que arrebanhou um grupo grande que hoje depende do favoritismo político para sobreviver. O próprio Lula diz: ”Eles não sabem do que somos capazes de fazer para Dilma ter um novo mandato.” É um tom ameaçador, destoante daquele que tenta se vitimizar, dizendo que existe um “ódio” contra o PT. “Eles odeiam; tem dor de cotovelo porque queriam estar em nosso lugar” – um discurso barato, que se manifesta pelo “narcisismo político”  totalmente fora de tom, quando se espera de um governante ações práticas de suas propostas.  
A oposição atribui essas ocorrências escandalosas ao aparelhamento do Estado, que visa utilizar essas empresas estatais como o “quartel general” de seus apaniguados políticos e militantes. Quando mais abrangente se torna o poder do partido, mais proteção tem em seus atos de corrupção, pois tudo fica dentro de casa mesmo. Graças ao papel da imprensa de divulgar esses escândalos, a população fica sabendo, pelo menos, de parte do que realmente ocorre nos bastidores do poder, do que ocorre a portas fechadas. Não é à toa que o PT cobiça Estados e prefeituras, porém, cada vez mais desgastado, o partido, mesmo tendo o Governo Central, não consegue eleger governadores em Estados estratégicos. O PT tem um projeto de poder bem organizado, porém com estruturas podres que não se sustentam por muito tempo, pois a corrosão da corrupção age de dentro para fora. Enquanto permanece entre quatro paredes, a maquiagem ainda funciona, mas depois da erupção, fica muito difícil restaurar a imagem de dignidade e decência. Continua a mesma cara com um novo disfarce.