quarta-feira, 8 de outubro de 2014

A CORTINA DE FUMAÇA

A geração passada aprendeu que é com trabalho que se avança na vida. É com boas ações que se alcança mérito; respeitando que se dá ao respeito e de que cada indivíduo é responsável por suas ações; o respeito aos professores, aos mais velhos; a responsabilidade sobre compromissos assumidos.  Essa era a educação recebida dos pais sem questionamentos pois os filhos entendiam que os pais eram autoridade sobre eles. Esse mesmo princípio as crianças levavam para a sala de aula, onde a professora era considerada a “segunda mãe”. A qualidade da educação pública nem se compara com a dos dias atuais enfraquecida pela forma imbecilizada de tratar a capacidade dos alunos, refreando seu avanço no desenvolvimento do senso crítico. Muitos conseguiam se realizar financeiramente como fruto do trabalho. Não era raro pessoas, até mesmo de pouca escolaridade ficarem ricas por sua disposição e desempenho em suas atividades. Mas havia também os que não tinham “tino” para o trabalho e amargavam a miséria, ficando sempre a espera de ajuda alheia.
  
A nova geração avança por outros caminhos. O poder público se coloca como o "tutor" dos pobres e acaba fazendo sua política para dar assistência social e, por ela, se faz merecedor da confiança da sociedade; estimula o consumo e aquisição de bens materiais como uma expressão de melhoria de vida; interfere nos valores de família e muda o conceito sobre ética, honradez e cidadania.  Concede demasiados direitos para crianças e jovens, como  se pudessem responder por si mesmas - sem considerar o pátrio poder de seus responsáveis a quem cabe o direito de educar e imprimir valores. É sob esse contexto que crianças e jovens são notícias em páginas policiais por agressão ao professor em sala de aula por chama-los à responsabilidade. É sob esse atual contexto, que pais processam professores em sala de aula por adotarem o ensino tradicional; é essa mesma mentalidade que acaba desconstruindo o senso do que é justo e correto, tornando as vontades pessoais e comportamentos individuais acima das regras de convivência no coletivo. O ataque à família, a célula Mater da sociedade, causa perturbações e desordens de toda sorte.

Se por um lado os programas sociais  ajudam pessoas sem oportunidades de trabalho e educação a terem ao menos o que comer, é muito pequeno um governo com todas as atribuições a que o cargo impõe, deixar desassistidas outras áreas de tão grande importância como o pão que alimenta ao faminto. Para se ter uma ideia da supervalorização dessas ações patrocinadas pelo governo, é só observar o que exploram em suas campanhas eleitorais, como o carro chefe de suas conquistas, repetindo a frase de que tirou milhares da pobreza e ascenderam outra parte para a classe média.
Como estratégia de marketing eleitoral esse formato tem dado bons resultados, porém, o governo vem patinando em outros setores importantes como a infraestrutura, ciência e tecnologia, controle inflacionário, ganho real do salário mínimo; saúde, educação, segurança.

O que parece mais cômodo são os discursos triunfalistas de realizações isoladas e localizadas que passam a ser o carro-chefe de sua prestação de contas. O país não pode crescer e avançar com políticas superficiais que atendem a necessidades momentâneas que passam a se tornar permanentes quando as ações visam conservar essas necessidades com objetivos eleitorais e é cada vez maior o número de pessoas que aderem aos programas sociais do governo e isso é um sinal de que a miséria continua e que ainda representa grande interesse do governo.
Ao olhar de maneira superficial, pelo menos levando em consideração os números que o governo apresenta, parece que de fato o Brasil melhorou, mas foi melhor para os que não tinham um pão para comer, e agora tem dois. Para os que trabalham pelo próprio sustento não houve mudanças consideráveis. As aquisições materiais tem muito a ver com o planejamento que os trabalhadores puderam fazer após o controle inflacionário desde a época do plano real. Muitas das mudanças que o atual governo atribui ao seu trabalho são reflexo de políticas anteriores.

Enquanto levarmos a discussão política exaltando o fato de que o povo tem mais comida na mesa, ainda não teremos saído da base da pirâmide.


O que há no Brasil e poucos querem enxergar é uma campanha para mudar a estrutura democrática do país, em que o governo pretende controlar todos os setores como as comunicações, as instituições públicas, ocupadas por militantes do partido sem conhecimento técnico, como parte de uma estratégia protecionista; uma nova doutrina educacional; os valores de família e o fomento para a divisão de classes sociais. Essa ânsia para a continuidade no poder e o desespero que leva um governo de 12 anos no comando da Nação convocar a luta de sua militância pode revelar, também, que o governo está desgastado por ter se mantido na defensiva sobre muitas ocorrências que partiram de dentro de casa, como a corrupção, os escândalos envolvendo gente diretamente ligada à presidência da república, que tentou se valer do que pensavam ser a ignorância do povo e sua defesa cega do “governo amigo dos pobres.” Essa visão, aos poucos está sendo desconstruída e o povo começa a ver a real face da governança. 

Essa deve ser a maior preocupação de cada cidadão, não com o número de pontes construídas, não com comparações de quem foi mais ou menos corrupto, mas o que deixam escapar, e de que maneira se colocam diante das denúncias capazes de estremecer suas bases e comprometer seus projetos de poder. É a maneira de lidar com situações que merecem explicações e elucidação que mostra o caráter de cada indivíduo que exerce o poder. Aqueles que vivem na defensiva, repetindo o discurso de que acusações é intriga de opositores e “dor de cotovelo de quem gostaria de estar governando” além de ser um discurso provocativo e raso,  é um despropósito que leva ao descrédito quem o diz. É argumento muito pequeno em relação à importância dos acontecimentos. É preciso deixar de fazer da política uma queda de braço com torcidas organizadas. É importante maturidade para considerar o que há por trás da cortina de fumaça que se formou. E quanta maldade há nos bastidores. O espetáculo que todo mundo vê, pode esconder as mazelas disfarçadas por trás das máscaras.