terça-feira, 16 de setembro de 2014

O VALOR DA PROFECIA

Não há profecia sem profeta, alguém que recebeu o dom de anunciar acontecimentos futuros ou coisas que já aconteceram na vida de alguém. O objetivo da profecia não é o de constranger alguém pelo pecado que cometeu, ou torna-lo temeroso de consequências futuras de suas ações. Em muitas religiões, o profeta é uma figura presente como sendo alguém inspirado por Deus para transmitir uma mensagem ao povo. Muitas religiões surgem a partir de uma revelação dada a alguém que é reconhecido como da parte de Deus para alertar, instruir ou ensinar algo essencial para a vida espiritual. 

O profeta não é aquele que chama a atenção para si mesmo, como se adivinhasse o que acontece na vida de uma pessoa, formando plateias para assistirem ao "espetáculo". Que valor profético teria a "profecia" dita a um grupo de pessoas que pretende buscar a "cura" de que ali teria alguém com uma dor de cabeça? Ou de alguém que fez um crédito e está com a prestação atrasada? Que valor teria uma profecia apenas para constatar ou tentar "adivinhar" o que está acontecendo? 

A profecia tem valor profundo e, muitas vezes, de muito sofrimento para o profeta, não um meio de promover-se a si mesmo. Observe o caso do profeta Jonas. Ele ficou aborrecido com a bondade e tolerância de Deus ao povo de Nínive para quem devia levar a mensagem de arrependimento. A profecia era de que Ninive seria destruída se seu povo continuasse com suas práticas e muitos se arrependeram e não pereceram. (Jonas 3: 5

Outro caso como o de Ezequias. Deus havia dito a ele que morreria, e que deveria colocar sua "casa" em ordem. Ezequias tinha uma doença mortal e estava com sua vida espiritual arruinada. Certamente Deus não queria amedrontar Ezequias com a notícia, pelo contrário, foi um alerta para que ele se arrependesse. Diante da mensagem ele reconheceu seu estado e orou ao Senhor chorando arrependido por sua condição, e viveu mais 15 anos. (Isaías 38:3)

Mas qual é o valor da profecia? Quando eu era criança eu tinha medo dos assuntos proféticos pela maneira abordada. Era como se fosse um fim em si mesmo e que servisse apenas para dizer algo que aconteceria, porque não era apresentada a maneira como as pessoas podiam se orientar para que a profecia não se cumprisse em sua vida. A preocupação era desvendar quem era a besta do Apocalipse e o que representavam aqueles animais horríveis descritos na profecia, que a alguns gerava um certo orgulho pelo discernimento profético.  


Se por um lado a profecia só tem valor e digna de crédito quando se cumpre, por outro, é preciso crer que se cumprirá e, isso, (seu cumprimento) independe de nossa interferência. A revelação é apenas uma maneira de apontar como devemos nortear nossas escolhas e decisões diante das profecias. 



No plano de Deus não há uma decretação relacionada aos indivíduos, como se fossem predestinados a um futuro sombrio e sem perspectivas. Deus pode mudar a nossa sorte de acordo com a nossa mudança. Isso não quer dizer que Ele mude, mas responde à nossa mudança por seu caráter de amor e misericórdia. Deus não pode interferir nas escolhas do homem, mas seus avisos são a oportunidade que Ele dá aos que ouvem suas orientações. 

Há muitos que colocam em dúvida o caráter de Deus tentando sugerir sua "maldade" quando faz cumprir uma profecia desastrosa. Deus não "faz cumprir profecia", como se Ele estivesse manipulando para que tudo ocorresse do jeito que Ele falou. Pelo contrário: Ele predisse porque sabia que ia acontecer pelas ações pecaminosas de homens que não ouvem os seus ensinamentos. É importante entender que Deus é Onisciente. Ele sabe das coisas antes do acontecimento. Tudo o que ocorre na esfera do controle humano não tem ligação direta com a ação de Deus: "Aquilo que o homem plantar, isso também ceifará." (Gálatas 6:7). São as decisões livres do homem a manifestação de seu próprio caráter.  "De Deus não se zomba" porque Ele sabe tudo antes mesmo de acontecer. Ele não usará sua força desproporcional à força humana para abater os homens. Na esfera humana os resultados são proporcionais à força humana.  (Provérbios 11).  


A profecia tem um papel orientador também neste sentido. Ela não somente mostra o que vai acontecer, mas também a saída que deve ser tomada. Se a história é feita por homens, ele não pode interferir no passado, mas pode escolher o futuro que deseja. É o resquício dessa história e as cargas do passado ainda sobre os ombros da humanidade que despercebida de seus atos desconsidera que a partir de suas escolhas é que ainda reproduz e faz valer o sentido da profecia que pode recai sobre si, ao passo que aqueles que atentam ao alerta e despertam o interesse do encontro com uma nova maneira de viver, as predições não se concretizarão em sua vida. 


Quando o profeta diz que alguém será mal sucedido se continuar vivendo uma vida desregrada e rebelde, ele pode estar dizendo também que essa pessoa poderá não mudar de vida e assim sofrerá as consequências. Quando da parte de Deus ouve-se que haverá duas classes de pessoas: a que mudará de vida e que se rebelará, não é uma decretação individual como se alguém já estivesse “marcado” e não houvesse saída. Sob esse aspecto não haveria sentido essa profecia ser dita apenas para constatar obviamente o que iria acontecer. Não haveria sentido em alertar uma pessoa sobre o buraco à frente, sabendo que essa pessoa não tem outra chance. Do contrário sim. A força da profecia não está no fim que apresenta, mas na alternativa de salvação no meio do caminho. Ninguém cairá no abismo sem ter tido uma chance de mudar o rumo.


A profecia não é algo misterioso ou nebuloso; o homem não pode fazer nada para que ela mude seu curso sobre o que foi dito dos acontecimentos que precederiam o fim do mundo, por exemplo, como em Mateus 24. Não é para causar medo ou espanto, pois não teria sentido que diante disso não houvesse esperança para quem se protege e decide orientar-se para a sua segurança.

A revelação também aponta que quem for fiel até o fim, terá a vida eterna. (Mateus 24:13).

Apesar de o conhecimento ser importante, não é necessário que você seja um especialista ao decifrar os acontecimentos e compará-los com os prognósticos como fazem os grandes estudiosos para ser salvo. A salvação não dependerá desse conhecimento como um fim em si mesmo. Não surtirá efeito se o conhecimento for usado para autoafirmação meramente religiosa no sentido de mostrar quem detém o dom profético. A profecia de Jesus aos discípulos ao mesmo tempo que apresentou os sinais que precederiam sua vinda e o fim do mundo, chamou a atenção deles quanto ao preparo para os dias difíceis, despertando-os para o sentido da perseverança e fidelidade. É indispensável conhecer a vontade de Deus segundo a sua palavra. 

As profecias cessarão; o conhecimento não terá valor; conhecemos em parte, mas quando o conhecimento maior se revelar, todas as especulações humanas não terão valor. O que vai perdurar é o amor. E a profecia já havia revelado a falta de amor nos últimos dias. A profecia sempre exercerá efeito em nossa vida se tivermos amor, pois é o amor que vai permanecer quando todas as profecias forem cumpridas.