segunda-feira, 15 de setembro de 2014

A POBREZA DA RIQUEZA

A riqueza  sempre  foi  colocada como um empecilho para se alcançar espiritualidade elevada. Há quem diga de que quanto maior a riqueza para administrar, mais preso a ela o homem fica.
Por outro lado é importante entender que a riqueza enquanto acúmulo de bens, sem que o valor imaterial das conquistas seja observado, a tendência é de que esse “rico” pode ser espiritualmente pobre.  Há ricos, ricos. Há pobres, ricos, e há ricos, pobres, e pobres, pobres. A riqueza não consiste apenas nos bens que uma pessoa adquire, vai  muito  além disso.
A Bíblia revela na carta à Igreja de Laodicéia, de que Deus conhecia suas obras, inclusive sua ostentação e riqueza, mas  a  ela foi dado  o alerta de que era pobre, cega  e nua. (Apocalipse 3:17) 
No contexto do jovem rico, para entrar no céu, teria que vender seus bens e distribuir aos pobres e assim teria um tesouro eterno. Ele foi instigado a exercer a caridade, mas é possível que a caridade como um fim em si mesmo, sem o significado  espiritual, não tenha valor para levar alguém ao céu. (Mateus 19)
A riqueza ou  a  pobreza  mencionado na Bíblia, portanto, não leva em conta o que é material.
O exemplo do homem que guardava em seu celeiro muito mantimento e se alegrava em sua alma por tanta fartura, ao qual se fez a pergunta: “louco, se esta noite pedirem a sua alma, o que tens preparado para quem será?” é um alerta para ensinar que ter apenas recursos para viver bem, não significa que  lhe  será  franqueada a eternidade. A condição de pobre ou rico materialmente não representa absolutamente nada no campo espiritual. (Mateus 12)
Por isso, é tão pecado ser rico ganancioso e egoísta, como ser pobre cobiçoso ou invejoso. A condição monetária do indivíduo por outro lado, pode dar a ele a oportunidade de desenvolver a caridade ou generosidade; enquanto o pobre que retém o pouco do que tem com medo de que lhe falte o que comer, pode torná-lo espiritualmente como aquele que confia apenas em suas forças, assim como o rico que retém suas riquezas com medo do futuro. (Tiago 4:2) 
A riqueza significa libertação espiritual e de conceitos que aprendemos a respeito disso. É muito comum demonizarmos os ricos e santificarmos os pobres, sendo que espiritualmente, ambos podem ser semelhantes em suas ações  proporcionalmente a suas possibilidades.

No Sermão da Montanha, quando Jesus disse que os  “pobres de espírito”  eram felizes, porque esses reconheciam sua dependência de Deus, os que não são orgulhosos. (Mateus 5). Há muitos ricos “pobres de espírito” assim como há muitos pobres, “pobres de espírito”.
Quando o verso lembra que “é mais fácil um camelo passar no fundo de uma agulha do que um rico entrar no céu” – não está fechando as portas do céu para o rico, mas revelando, com isso, que o rico precisa deixar todas as cargas e sentimentos que o torna preso ao mundo.
A agulha a que se refere esse verso era uma entrada em Jerusalém usada pelos retardatários, pois as portas da cidade fechavam as seis horas da tarde e somente pela agulha, uma entrada usada como alternativa era possível entrar. Os camelos passavam de joelhos e sem cargas. As cargas precisavam ser retiradas de seus lombos para conseguir passar por aquele espaço apertado.
Quando Jesus repreendeu seus discípulos que reclamaram o valor caríssimo pago por Maria Madalena para ungir seus pés, é porque eles não tinham reconhecido a importância daquele gesto. Jesus não rejeitou o perfume que ungiu seus pés, pouco antes de sua morte, mesmo tendo custado uma fortuna,  mas disse aos discípulos que sugeriram que com o valor poderia ajudar aos pobres, o Mestre os lembrou que os pobres estariam sempre com eles, e que poderiam exercer a caridade.
Não é pecado ser rico, nem pobre. Seria diminuir, reduzir a salvação a coisas referentes a uma condição social. Não significa que um pobre monetariamente seja um pecador, nem que o rico financeiramente seja um desonesto.

Existem meios de se alcançar riquezas materiais. Riqueza tem mais a ver com sabedoria do que com o produto final, que é apenas uma materialização do que o indivíduo sonha e planeja. Especialistas motivacionais e experientes em área das finanças dizem conhecer o caminho da riqueza e segurança financeira, porém, essa questão não está ligada diretamente as coisas espirituais, mas aos objetivos que alguém traça para sua vida e não há nada de pecado nisso até o ponto em que essa busca interfira nas coisas do espírito. Tem a ver com planejamento e técnicas operacionais para ser bem sucedido nessas áreas. A riqueza não está ligada diretamente ao dinheiro, nem a pobreza.  Tem a ver com o que o individuo tem dentro d’alma. “Onde estiver o teu tesouro, ai também estará o teu coração.”