terça-feira, 30 de setembro de 2014

A GERAÇÃO FAST FOOD

“As crianças hoje não aprendem para a vida. Os jovens hoje só estudam para passar em concurso” – disse uma entrevistada num programa de rádio.
Será que ela tem razão?

Não se pode trazer um tema generalizado, pois há exceções, mas  as exceções aparecem apenas como algo aleatório e é comum que haja a exploração generalizada de exemplos que não deveriam ser seguidos. Discute-se os direitos de crianças e jovens, mas pouco se fala de seus deveres, que vem sendo esquecido ao longo das décadas. Os desejos individuais passam a ser “palavra de ordem.” As vontades devem ser satisfeitas, independentemente de que tipo de vontade e que interferência ela pode trazer para os direitos dos outros. Ao olhar sua realidade de vida, seu histórico meritório por suas lutas e conquistas, acaba passando por cima das realidades alheias e, em muitos casos, subjugando os outros sem o desempenho semelhante. 

A atual geração, por um lado, rica de informação sobre tudo que a rodeia, que domina a tecnologia e sabe qual é a última moda da terra, por outro, padece a falta de conhecimento de outras coisas, essenciais, o desenvolvimento analítico e senso crítico das coisas e educação para a vida e princípio de cidadania. É quase comum preocupar-se em ganhar dinheiro e ter um bom salário e, para esse fim, estuda, treina, reza pela cartilha, o molde sistemático, e consegue realizar-se financeiramente ao passar para um concurso de uma multinacional ou empresas públicas. Mas é lá, no desempenho de suas atividades, que se manifesta a educação do indivíduo no trato com as pessoas que a ele se dirigem. Há até mesmo os que buscam ostentação e riqueza por métodos duvidosos. 


Mas de que  fontes  vem o salário que recebem? O que precisam fazer para manterem-se em seus cargos ou subir na carreira? Que princípios e valores norteiam as ações, e que motivações movem suas mãos? Para que finalidade? 

Há quem conhece com destreza as operações matemáticas, domina a química e a física; por outro lado, desconhece o que seria essencial para sua sobrevivência; o lidar com seus limites, com suas emoções, e com a mente cauterizada a ponto de não enxergar o outro. É a geração que entende que tudo se compra com dinheiro, e o dinheiro tornou-se um fim para todas as coisas; para suprir todas as necessidades e desejos pessoais. É a mesma geração que xinga de fundamentalista e preconceituoso os que procuram mostrar o outro lado da moeda. 

Aos poucos, a mente vai passando por um processo de altivez, de auto-suficiência; de cegueira compulsiva; a sensação de poder acaba roubando do indivíduo a possibilidade de gerenciar sua própria vida, não as coisas da vida. Peca-se nos relacionamentos, no respeito ao espaço coletivo; na cortesia. Essas ações ocorrem no trânsito, nas vias, nos bares, em casa. Há até mesmo aqueles que adotam comportamento de não juntar o lixo que produz pelo fato de ter alguém que o faça.  Os mesmos que vivem em busca de "direitos" que julgam ter, só porque "estão pagando". Os que exigem tratamento distinto do que é dado aos demais só porque se acham em "patamares" mais elevados economicamente.


O “crescimento” precisa ser proporcional ao preparo para a vida. Senão é apenas uma “casca” que ao quebrar-se revela o que traz do lado de dentro. E essa quebra ocorre em muitos casos, quando suas vontades não são satisfeitas, quando suas verdades são confrontadas; quando se deparam com a vida real, não a que construíram por sua imaginação e poder de compra.