domingo, 31 de agosto de 2014

SÓ SEI O QUE NÃO QUERO

É preciso experiência e muita observação para chegar ao ponto de dizer o que não se quer mais. Mais cedo ou mais tarde chegamos a este momento. É natural que muitos de nós vivamos segundo a sugestão do sistema em que fazemos parte, seguindo orientações e até mesmo tradições, cujo desgaste serve de ponto de partida para a busca de  outras  alternativas.
Por um lado, os argumentos dominantes procuram imprimir a ideia de que sem a aceitação do sistema não haverá sobrevivência. E isso  se repete, independentemente do sistema operante. Quem está no poder, pretende, de todas as formas, colocar-se em posição decisiva nos rumos e no futuro de seus liderados. Mas aos poucos, pelas observações do discurso à prática é indiscutível que surja o descontentamento de grande parte da população que não tem correspondidos os seus anseios e expectativas sobre questões elementares de responsabilidade da administração pública.
Os que rompem com o sistema não tem certeza de que consequência essa rejeição traga  a  curto prazo, mas todo rompimento é necessário para que alguma mudança comece a ser operada.
A dignidade de alcançar determinado alvo na vida começa pelo rompimento. Levantando um exemplo clássico, o próprio Jesus considerou certa vez que quem não deixasse suas tradições e raízes por amor a Ele, não seria digno dEle. Tudo o que prende e torna-se barreira para o avanço deve ser combatido. Humanamente falando isso demonstra dignidade, honestidade.
Em questões políticas o que se percebe são grupos distintos que formam suas bases e seus aliados para implantar sistemas organizados para obter o poder de governar sobre a maioria da população nem sempre representada em seus interesses. Todo aquele que rompe com esse sistema de negociações internas, interesseiras e partidárias, pecando em suas ações efetivas pelo povo que legitima sua ascensão ao cargo de representante, tende a alcançar maior aprovação popular, diante do desgaste das ações oficiais e da mudança de objetivos unicamente para manter a governabilidade. De que adianta manter a governabilidade se esta não representa os anseios de seu povo? Observa-se com isso maior interesse pela fixação de determinados partidos e grupos no poder, sem considerar que a observação popular começa a se voltar para suas ações contraditórias. Com o passar dos anos, o discurso que atraiu no passado já não surte o mesmo efeito, pois na prática, as ações não revelaram as mudanças propostas.
Recentemente o ex-presidente Lula em discurso afirmou que “eles tentaram atrapalhar a eleição de Dilma e agora tentam outra vez. Eles não sabem do que somos capazes de fazer para Dilma ter mais um mandato.”
Onde fica a vontade popular nesse caso? Se Lula refere-se “eles” como a elite dominante,  esquece do povo que elege seus representantes. O que ele, o Lula ou o seu partido ou militância podem fazer contra a escolha dos eleitores?
As recentes pesquisas mostram o recado do povo, muitos criticados por suas opções, atacados por uma força tarefa militante do atual governo para tentar inviabilizar a troca de presidente. O recado do povo é de que não quer mais este governo. O índice de rejeição é bem maior do que as intenções de voto na candidata oficial. Pode até ser que o povo não saiba o que quer, mas está claro o que não quer: ser governado pelo PT. O que “eles” agora, o PT pode fazer para impedir a vontade popular, depois da oportunidade que teve de governar o país por 12 anos?
Não é a “elite branca e dos olhos azuis” que decide a vontade popular. O mandatário no cargo é o principal responsável por suas próprias ações diante do povo que representa. Ele é o alvo agora, não os eleitores. O quadro se inverte quando o discurso não convence mais. E é isto que está acontecendo atualmente. O povo está pouco interessado em saber se o outro será melhor que este. O que o povo não quer, é continuar com este. Esta pode ser uma explicação adequada pelo que está ocorrendo na corrida eleitoral. A preocupação não é com o mínimo que foi feito "e que ainda há muito o que fazer", o que eles dizem nos discursos, mas o básico e essencial que não foi feito e que ainda continua sendo plataforma em suas promessas de campanha. 
Tenho observado que as pessoas não estão mais dando ouvidos à denúncias em ano eleitoral, pois entendem que isso faz parte do jogo político que desconsidera a vontade popular. Tem surgido inúmeros ataques à candidata que se coloca como o caminho alternativo entre os dois polos que governou o Brasil e que recentemente em pesquisa popular empatou intenção de voto com a candidata do governo. É um jogo de poderes, que nada tem a ver com os interesses do eleitor. O PT conseguiu eleger Lula por causa das privatizações que o PSDB fez, e foi sua grande bandeira para vencer as eleições, acusando o governo de neoliberal. Até hoje o PT usa o discurso de 2002, ao referir-se ao governo do PSDB. Por outro lado, no governo, o PT repete as mesmas coisas com outra roupagem, usando eufemismos. Até hoje tentam destruir a imagem do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso pelas privatizações que realizou em seu governo.

As graves denúncias do mensalão, por exemplo, (piores do que as que derrubaram Fernando Collor) não prejudicaram a reeleição de Lula, nem a eleição de Dilma Roussef. O eleitor está aprendendo a se guiar pelas mudanças práticas, não retóricas defensivas, o que afeta diretamente a sua vida e, mesmo depois de ter dado voto de confiança, apesar das denúncias de corrupção, agora o povo dá mostras de que quer trocar o governo. O que muda governo é a vontade popular. Isso independe de estratégias políticas. O poder ainda emana do povo.
A corrida eleitoral apresenta um "fenômeno" atípico. Uma força tarefa tenta fragilizar a força de Marina Silva, a menos rejeitada nas pesquisas. A mais rejeitada, Dilma Roussef, não seria escolhida por 38% dos eleitores. O cenário aponta que o povo não quer mais ser governado pelo PT. Essa tentativa de minimizar Marina, que não seria escolhida por apenas 10% dos eleitores ouvidos pelo IBOPE, pode acabar favorecendo o outro polo, o PSDB, cujo candidato tem 18% de rejeição. Todo o esforço contra Marina não será capaz de fazer o eleitor votar em Dilma, apesar da tentativa de associa-la ao Lula. Sob este ponto de vista, relaciona-la ao Lula, pode fortalecê-la diante dos eleitores do ex-presidente. O cenário e confuso. O bom mesmo e não tentar interferir na liberdade de cada cidadão escolher seu candidato, pois a tentativa de atacar quem esta subindo, pode levantar muitas suspeitas contra os atacantes.




O que é fato, é que este governo (PT) não pode mais falar em nome do povo para garantir sua popularidade, pois o povo deixou de ser representado em suas ações.