domingo, 3 de agosto de 2014

POR QUE SOU CONTRA A UNIÃO DAS IGREJAS

UNIÃO DAS IGREJAS:  SUPREMACIA  E  SUBSERVIÊNCIA

Defender a União das Igrejas num mundo em crise de discriminação, fundamentalismo religioso, a exacerbação das divisões por opiniões diversas, que acabam fazendo do sistema religioso facções distintas em nome do que tratam como “o mesmo Deus”, parece razoável, plausível, digno de aplausos e ovações em todo o mundo. Por outro lado, não seria politicamente correto alguém se levantar e apontar a “união” como um erro, um equívoco. Esses, certamente, poderiam ser vistos como rebeldes, que intentam contra a paz e as boas relações entre os povos. Este é um bom motivo que tornou recentemente o Papa Francisco benquisto por seu discurso oportuno e que toca o coração das pessoas. 
 Para tanto, é preciso ficar bem claro que outros interesses há por trás de uma união no mundo religioso, arregimentada por alguém que representa um poder religioso que reivindica o direito de representar Deus na Terra, ou usurpa essa condição?
Não é exagero considerar que quando se fala em ecumenismo, paralelamente compromete-se a liberdade religiosa. Porventura que necessidade haverá de liberdade religiosa quando todos estiverem debaixo do mesmo "guarda chuva"?
É possível que tal atitude represente supremacia, a custas da subserviência dos demais – alvo de interesse unilateral. No momento em que se discute discriminação religiosa e social, sugerir que uns se adaptem aos interesses de outros para serem aceitos, não representaria discriminação?
Se a união é sugerida por algum poder religioso, é notório que esse poder, precisaria de apoio para estender seu domínio em todas as esferas religiosas, que não se restringe apenas ao cristianismo. É o mesmo que acontece no mundo político. Por que determinado partido que colocava-se como oposição, muda de lado? Que tipo de acordo é feito para que o que está no poder governe com tranquilidade sem comprometer seus planos? Essa questão é muito séria: os acordos são mais interessantes para quem exerce o poder, do que para aqueles que são dominados. O arrefecimento dos ânimos opositores não significa necessariamente o interesse pela paz do outro, mas pelo conforto de governar sem oposição. Dificilmente se consegue adesão, sem o estabelecimento de acordos que devem ser cumpridos, como requisito para que essa “união” seja concretizada. Alguém precisa ceder, conceder; estar de acordo. Alguém precisa abrir mão; abrir a porta, para que outro ocupe o lugar. Isso ocorre no sistema organizado, que a partir desse ponto parte para o convencimento de seus adeptos, que não participam diretamente de decisões políticas de sua organização religiosa. As crises internas poderão ocorrer pelos "rachas" com base não de outros interesses, mas em relação à prática da fé e das doutrinas bíblicas. 
 
Representação dos jovens na fornalha

Vozes destoantes são sempre um desgaste para uma liderança que precisa exercer seus planos com segurança, e é natural que a parte considerada mais fraca sofra a destituição. Há um episódio mencionado na Bíblia, de três jovens que se recusaram a ajoelharem-se diante de uma estátua de ouro do rei erigida em seu louvor. O que pesava na decisão dos jovens não era o fato de manterem a boa relação com o império, pois a questão de fé superava o que poderia ser superficial como o "manter as aparências:" "A política da boa vizinhança." Afinal, o que representava aquela estátua para quem foi ensinado que não deve honrar outro deus, diante de Deus? Se eles se ajoelhassem, em condição de reverência a uma estátua de ouro, deslumbrante aos olhos, o que poderia mudar na vida deles? De fato, isso não passou em seu pensamento, pois como manter boa relação sendo subserviente ou condescendente com o que representa um desrespeito à fé que eles tinham contrariando a vontade de Deus? A questão foi além disso. O que estava em jogo não era a boa relação testada por imposição do que era contrária a fé dos jovens. (Daniel 3: 16 -18) - a fidelidade deles à fé foi tamanha que se entregaram à fornalha como punição por sua "desobediência" à ordem do rei. 

Mas, no caso da união das igrejas, que interesses haveriam por trás da intenção e da tarefa de convencer todas as religiões a estarem debaixo de um mesmo comando? Que necessidade haveria? De que maneira isso poderá interferir na direção que o mundo vai tomar? O que isso pode interferir na vida dos adeptos de determinadas religiões, que se veriam na obrigação de cumprir preceitos criados por essa liderança mundial que contrasta com a base da fé cristã como orienta a Bíblia, livro de fé e prática dos cristãos?
Não dá para imaginar que isso significa que todos os líderes mundiais das religiões abram mão de seu comando; nem que entregue seus templos e mudem sua razão social. Se muitos se separam de seus grupos para, segundo seus interesses, fazerem-se líderes, apóstolos ou pastores, poderiam eles abrir mão de tudo isso para se unirem a uma só igreja? Dá para supor que não. Mas é esse ponto que se torna uma incógnita. Onde encontrar os pontos de interesse comum entre todas as religiões? O que pode caracterizar todas elas com uma mesma marca, uma mesma ideia, independentemente do nome pelo qual cada uma é conhecida? 
Sou contra a união das igrejas, pelo simples fato de que todas devem ter liberdade para exercer a fé, e que seus membros sejam livres para estudar, pesquisar, e encontrar a verdade; e porque essa união, que parece amistosa como um cordeiro em seu gesto, é impositiva e centralizadora, destrutiva como um lobo na proposta. 

De acordo com o livro adotado pelos cristãos, Deus enviou seu Filho ao mundo para representá-Lo diante das pessoas. Jesus foi quem revelou o Pai e quem ensinou o caminho para a eternidade. O relato sagrado também considera que Jesus é o único intercessor entre Deus e os homens. Portanto, toda e qualquer tentativa humana de tomar essa posição, caracteriza-se usurpação de poder.
Jesus não estabeleceu uma religião; Ele foi o próprio religare, ou seja, o que cumpriu a missão de religar o homem a Deus, depois da separação que o pecado consequentemente causou.
"Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito." (João 15.7) – Observe que Jesus considera a unidade nEle, em sua palavra. A palavra de Jesus é a base da união, e nela não há diversidade, mas convergência. Em outra passagem, Jesus diz a seu próprio respeito: Eu sou o bom pastor, e o bom pastor dá a vida por suas ovelhas” – João 10:11.
Só haverá união em Cristo, não união religiosa. Pelo contrário: a confusão religiosa aconteceu e hoje vivemos esse drama, exatamente porque as pessoas deixaram de ouvir o chamado do bom pastor, criando seus próprios caminhos e conceitos religiosos, até mesmo pela desconstrução de princípios imutáveis. Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências” -  2 Timóteo 4:3.

Ora, como poderá haver união das Igrejas, se cada qual busca suas próprias razões, estabelecem suas próprias doutrinas e costumes em desacordo com a voz do bom pastor?
É  motivo de estranheza  se  considerarmos que por trás do interesse da união das Igrejas, haja outros interesses políticos escusos cujas informações ao público são sonegadas, tratando o tema apenas como uma questão de boas relações de uns para com os outros o que dificilmente causa rejeição. O tema chama mais atenção para as relações entre pessoas, do que das pessoas para com Deus, que deveria ser o alvo central. Despertar a Adoração e reverência, o culto a Deus. A união em Cristo é que torna o indivíduo cheio de amor para com os semelhantes, diferentemente de estar atrelado a alguma convenção religiosa e sob comandos humanos que não passa da superfície e sem o poder de mudar a vida das pessoas ou transformá-las. Nesse caso, a  paz torna-se possível sob condições que a cartilha estabelece; pelos acordos cumpridos em relação às lideranças religiosas, desviando o olhar daquele que é realmente o sumo pastor, que chama suas ovelhas. Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.Mateus 11:28.
Em Jesus quebra-se todo o orgulho humano e desconstrói-se todo o estabelecimento de ensino que não seja o que Ele ensinou, pois aos homens, diz: “Aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração.”


A função de levar pessoas a unidade em Cristo não pertence a nenhum homem, a não ser sua vontade pessoal de ser guiado por Ele, assim como a ovelha se permite a guia de seu pastor. O tema supera as boas relações pessoais, a amizade, o respeito, o amor ao próximo. Trata-se de algo que foge a questão de opinião e posições pessoais, que por esse caráter,  pode unificar as pessoas em torno de um só objetivo. 

Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o lavrador.
Toda a vara em mim, que não dá fruto, a tira; e limpa toda aquela que dá fruto, para que dê mais fruto.
Vós já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado.
Estai em mim, e eu em vós; como a vara de si mesma não pode dar fruto, se não estiver na videira, assim também vós, se não estiverdes em mim.
Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.
Se alguém não estiver em mim, será lançado fora, como a vara, e secará; e os colhem e lançam no fogo, e ardem.

João 15:1-6