segunda-feira, 11 de agosto de 2014

DIZIMISTA DECADENTE

Prosperidade é resultado de propósito de vida 
O pai estava estacionando o carro próximo ao parquímetro quando apalpou o bolso e percebeu que não havia nenhuma moeda. Pediu então ao filho, que estava no banco de trás, algumas moedas que o havia dado algum tempo antes ainda na viagem. O filho, relutante, disse: “Essas moedas é para o meu cofrinho né? vai ficar faltando.” O pai, olhando para trás, disse ao menino: “O mesmo pai que lhe deu essas moedas não poderá lhe dar outras?” A partir desse argumento o filho devolveu as moedas ao pai. Não foi por uma ação imediata ao pedido do pai. O menino precisou compreender que as moedas que ele tinha foi o pai que deu, e o mesmo pai poderia dá-lo novamente.

Talvez a imaturidade do menino por sua falta de percepção, exigiu a sabedoria do pai para conseguir suas moedas. O pai respeitou o filho, pois,  poderia sentir-se no direito de tomar das mãos do menino as moedas, sem ao menos dar a explicação aquele que não agiu de modo imediato e espontâneo.

Se observarmos que Deus, o Criador do Universo é o dono de tudo, como a Bíblia diz: “O dono do ouro e da prata” – por outro lado poderíamos questionar que se tudo é dEle, para quê teríamos que devolvê-lo algo?

É nesse ponto que observamos tipos de comportamento diferentes em relação a esse tema que aguça incessantes discussões. Alguns se comportam como aquele menino, que talvez não tivesse entendido antes, de que o dinheiro que recebeu era do pai, e o mesmo pai poderia dá-lo outra vez. Por um lado, esse menino poderia ter dado as moedinhas ao pai, só por causa do argumento de que o pai o daria novamente.

O argumento usado pelas igrejas de um modo geral -  algumas de maneira mais intimista, outras de maneira mais inteligente e produzida, contudo mantendo o mesmo propósito – é o que o diabo usou na tentação de Jesus: “Tudo isso te darei, se prostrado me adorares.” Hoje, faz-se uma mistura de adoração, ao avaliar que doar dízimos e ofertas é uma maneira de “Adorar a Deus”, e que se assim o fizermos, teremos tudo de suas mãos. Esse argumento tem formado cristãos mais desejosos dos poderes da terra, da prosperidade terrena e do sucesso financeiro, que os tornam mais presos as coisas do mundo.
Na tentação, o diabo "ofereceu" poderes
em troca de adoração. 


Não é raro dentro de muitas agremiações religiosas o tratamento diferente dado aos que são mais abastados, daqueles que tem poucos recursos financeiros.

Muitos tornam-se dizimistas decadentes. Decadentes pelo fato de não reconhecerem ou entenderem que tudo a Deus pertence e que devolver a Ele é uma mostra desse entendimento sem a necessidade de discursos apelativos e por vezes errôneos em relação ao que ocorre a quem devolve a parte que a Bíblia orienta pertencer a Deus. Deus não é dono de parte. É dono de tudo. A parte que damos a Ele, vem de suas mãos. Por desconhecermos a Deus é que pedimos a Ele a herança para ganharmos a vida; por desconhecermos a Ele é que agimos como o filho da casa, que reclamou não ter nenhum cabrito de presente para festejar com seus amigos na parábola do filho pródigo: “Filho, tudo o que é meu é seu” – e certamente esse filho desconhecia o amor e a bondade do pai.

O diabo insinuou que Jó era fiel a Deus porque Deus dera tudo a ele. Uma coisa é doarmos algo sob a crença de que receberemos em dobro depois. Outra coisa é devolver o dízimo sob o argumento de que assim fazendo, teremos crédito com Deus. Esse é o tipo de oferta egoísta. Como o menino que deu as moedinhas para o pai, sabendo que o pai poderia devolvê-las novamente. 

O cristianismo aborda o tema do dízimo, muitas vezes apelando para as emoções e a provocação de sensações momentâneas nos indivíduos, até pela exposição de testemunhos de pessoas que só foram abençoadas e começaram a prosperar quando começaram a dar o dízimo. Seremos dizimistas decadentes ao agirmos com esse propósito. Desejamos que Deus abençoe e faça prosperar nossos negócios e felizes ficamos quando a praga destrói a lavoura do vizinho e para na divisão de nossa cerca. 
O ato de dizimar não significa imunidade contra o mal do mundo. 
Certa vez ouvi de um irmão: “Esses argumentos sobre o dízimo não me entram na cabeça.” 

Ele fazia referência a divulgação no rádio e na televisão de gente que contava testemunho de como era sua vida antes e depois de serem dizimistas. “Eu sempre devolvi o dízimo, e nunca me ocorreu nada disso que dizem por aí. Eu sou pobre financeiramente, nunca fiquei rico ou prosperei por causa do dízimo – avaliou."Ou Deus é mais Deus para eles do que para mim, fazendo acepção de pessoas, ou esse ensinamento está errado."

Certamente, as  pessoas  tem sonhos e projetos de vida e há muitos que prosperam financeiramente até mesmo sem serem dizimistas ou ofertantes em alguma igreja; por outro lado, há dizimistas que antes eram prósperos empresários que ajudavam as igrejas, construindo templos, que após golpe financeiro perderam tudo. Conheci um caso assim, e há muitos outros. Ou seja: “O gafanhoto comeu sua plantação” – mesmo sendo fiel dizimista.

Não precisa ir muito longe. Há livros de autoajuda e até palestrantes que ensinam como uma pessoa deve fazer para prosperar, revelando o segredo da lei do retorno. Em primeiro lugar está o estabelecimento de prioridades e uso dos meios corretos para chegar ao objetivo. Se você prestar atenção, é o mesmo princípio adotado por igrejas, ensinando como as pessoas devem fazer para prosperar. Nesse caso é preciso que estejam dispostas a pagar o preço, dar o passo da fé, que está sempre ligado a alguma oferta ou doação em dinheiro para Deus. Esse seria o segredo para Deus "abrir as portas para o sucesso financeiro."   


Onde está o erro? O erro está no entendimento; o erro está no ensinamento. Deus não move seus braços a favor de uns e a  outros contra, movido pelos recursos em dinheiro que alguns são capazes de ofertar a Ele, porque a justiça e a bondade de Deus se manifesta a todos. “Ele faz cair a chuva sobre os bons e sobre os maus” – A diferença é que os bons reconhecem que tudo vem de Deus, e oferecer à sua obra nossa ínfima oferta é uma demonstração de que o reconhecemos como o Senhor de nossa vida. E isso não nos torna imunizados das pragas; nem das doenças; nem da falência financeira. Se o fizermos com esse propósito, nossa oferta é vã, pois as bênçãos de Deus não são uma troca. É uma dádiva. Mas os planos de Deus ninguém é capaz de entender. O que importa é sermos servos obedientes aos seus ensinos. Devolver os dízimos à igreja é um reconhecimento de que a instituição que Deus deixou na terra precisa cumprir sua missão e muitos recursos são empregados para esse fim. Se assim entendermos, esse assunto deixa de ser uma discussão polêmica e controversa. O dizimista decadente é aquele que compara sua vida com a vida do outro, e orgulha-se por sua prosperidade em detrimento do empobrecimento do outro, como se fosse uma "vingança" de Deus contra seus ladrões.