quinta-feira, 28 de agosto de 2014

A HORA EM QUE A MUDANÇA É NECESSÁRIA

Talvez não há coisa tão pior quanto escolher o "duvidoso" porque o certo fracassou.  Mas o que é certo? E o que é duvidoso?
Quem pode ter certeza de que a semente que plantou vai nascer? Na verdade, não temos interferência no processo de germinação de uma semente, mas a nossa parte é cuidar da base, da estrutura, do solo onde essa semente vai ser plantada. Precisamos conhecer o berço onde essa semente será cultivada.
As escolhas que fazemos nem sempre são guiadas pela certeza, mas por hipóteses levantadas por nossas percepções e observações do meio ambiente. São sugestões externas que acabam interferindo em nossas posições e olhares. As hipóteses nos levam ao erro com a mesma chance de nos levar ao acerto. Mas é possível que as experiências vividas e a  maneira como somos capazes de avaliar os aspectos envolventes nos ajude a tomar decisões menos arriscadas sob o ponto de vista das suposições, ou até mesmo dos resultados explícitos.
De algum modo na vida, estamos sempre escolhendo.  As  vezes escolhemos o desconhecido e é natural que duvidemos daquilo que não conhecemos.  É possível que o certo de hoje era o duvidoso de ontem, no momento em que experimentamos, comparamos e assumimos.  E este certo quando deixa de corresponder à proposta pela qual originou  sua conquista, torna-se consequentemente indesejável. Assim se renova as expectativas por outro proponente. É um círculo vicioso do qual não nos livramos, pois a vida está em constante movimento e essas mudanças sugerem acompanhamento, exigem percepção dos fatos. Assim, o ser humano parece insaciável.
Quando se trata de questões políticas administrativas, a frase “não troque o certo pelo duvidoso” é muito utilizada por aqueles que se mostram contentes ou de certo modo realizados pelo trabalho exercido, sem perceber que antes de ter a oportunidade de mostrar serviço, seus antecessores diziam a mesma frase.
Apesar de na política a população entender que o mandatário precisa ser alguém confiável, honesto e de um passado honrado, no âmbito do poder, essas características são sobrepostas em muitos casos por manobras e negociações para a árdua tarefa de administrar conflitos de interesses. O sistema está pronto. Ainda que com capacidade de diálogo e negociações  a tarefa do executivo nem sempre é exercida da maneira como tal gestor se propôs a trabalhar. O respeito às diferenças e a maneira de lidar com as diversidades e as adversidades por um lado pode trazer certa harmonia para o funcionamento da máquina, mas por outro lado, essa máquina pode não sair do lugar; pode não haver avanço e pôr  a perder a esperança daqueles que foram atraídos pelo discurso da mudança e da novidade porque os interesses internos são mais fortes e que muitas vezes tornam as ações mais amplas em favor da coletividade reféns de um sistema vicioso. 

Essa é uma realidade dura que enfrentamos em nosso país. O que importa muito nessa questão é, que ligação direta tem o mandatário no sentido de viabilizar essas ações que depõem contra as estruturas democráticas e que participação tem ele como agente administrativo na desconstrução do princípio da moralidade, da honestidade e verdade, mesmo sendo “bombardeado”, e arriscando  sua representatividade e permanência no cargo. As manobras que visam apenas a manutenção de certos grupos no poder  são, sobretudo, um risco à soberania Nacional e a democracia, reduzida a questões de interesses classistas ou partidários. O problema não é a corrupção como uma realidade, mas como o Chefe de Estado se impõe diante dela. O problema não é o jogo político, mas que tipo de peça o Chefe de é no “tabuleiro.”  É preciso prestar atenção nos sinais, não daqueles que estão nos bastidores, mas daqueles que se apresentam como a solução, a figura que responde pela Nação, pois é sobre estes que recai a cobrança e a responsabilidade. Os desgastes por questões mal resolvidas ou encobertas, recaem principalmente sobre o chefe maior.  Se avaliarmos que no âmbito do poder todos são iguais, poderemos, com isso, viver sempre na dúvida e canalizar essa desconfiança para ações que não levam à mudança, pelo menos por um período de tempo. De que maneira nossos políticos acusados tem se mostrado diante das acusações? De que maneira  tem lidado com as denúncias e se comportado diante de revelações desastrosas de sua administração? Até quando podemos aceitar o discurso defensivo da responsabilidade compartilhada, sem que nenhum  sinal de  combate aos erros sejam vistos, antes, colocando em dúvida o papel desempenhado pela justiça que condena os membros de seu governo? 

A população precisa estar esclarecida a respeito dessas questões e o governo precisa ser transparente para que o que era certo, não traga dúvida suficiente para levar a outras escolhas duvidosas. Assim o ciclo se repete.  Isso ocorre quando se perde a confiança. E um povo desconfiado torna-se vulnerável e imprevisível em suas ações. Porque por um lado, o que importa para o povo não é o que realmente quer, pois o querer é provocado, e continuar querendo depende da resposta que o povo espera.  Neste ponto, nasce o desejo de não querer mais. É assim que a mudança se torna uma necessidade circunstancial. A necessidade de mudança acontece por desencanto ou descontentamento quando diante de uma promessa não cumprida, a expectativas frustradas quando se relaciona a uma espera que depende da resposta de outros. Mas também ocorre por questões pessoais, por erros cometidos e o interesse de fazer diferente. Mudar não é de todo ruim. Mas é sempre um novo desafio e requer disposição para enfrentar novas expectativas e isso sempre fez e fará parte de nossa história. E não é mudar por mudar. É preciso haver propósito. Mudar muitas vezes é doloroso, mas compensa pela disposição e empenho no processo seguinte, pois sair da zona de conforto leva a conflitos que exercem um papel importante no amadurecimento pessoal e na segurança individual pelo conhecimento de seus limites e suas conquistas.