segunda-feira, 18 de agosto de 2014

A FICHA CAIU

Quanto mais exposto e conhecido é um administrador público aumenta-se tanto a rejeição quanto a aprovação, isso é óbvio. Dilma Roussef tem o maior índice de rejeição entre os demais principais candidatos, cerca de 37%, contra 18% de Aécio Neves e 11% de Marina Silva, segundo o Datafolha.  A desvantagem da candidata do PT em relação ao alto índice de rejeição, pode estar ligado ao tempo que está no comando do país, onde a população ainda clama por mudanças essenciais como saúde, educação entre outros pontos como infraestrutura e o crescimento da Nação. Em sua primeira e última entrevista em nível nacional, o candidato do PSB Eduardo Campos, morto em acidente aéreo um dia depois de sua exposição na Rede Globo e no canal Globo News, afirmou que o Brasil paralisou no governo do PT. Obras inacabadas, o descontrole inflacionário, a incapacidade de gestão com técnicos e especialistas em áreas específicas, abrindo espaço para apaniguados políticos, com o apoio de vários partidos sem identidade própria, mas que reforça o interesse do governo quando precisa votar propostas de seu interesse.
O principal partido de oposição ficou desacreditado por ser apontado como corrupto, assim como o PT de Lula, diante de diversos escândalos sobretudo o “mensalão” que os petistas consideram ter começado com o mensalão mineiro, que os tucanos não aceitam. O projeto do governo do PT é um projeto de poder, que aos poucos vai ruindo os padrões democráticos ampliando suas bases e presença por todo o Estado, não no sentido de promover mudanças que estejam em consonância com as expectativas populares, mas com a perpetuação em seus cargos, aumentando suas alianças e criando ministérios para abrigar partidos que os apoiam. A ideologia política deu lugar ao fisiologismo, onde a defesa  de  interesses personalistas estão acima do interesse nacional.

Sindicalistas e organizadores de protestos e mobilizações populares que num passado recente estavam nas ruas, foram abrigados no governo do presidente Lula, gerando conforto e uma aparência de paz social, sem protestos nas ruas, sem mobilizações, que surgiam essencialmente dos movimentos que o próprio partido organizava, com o apoio da UNE, MST; CUT e Centrais Sindicais. 

O PT teve 12 anos para mostrar seu perfil de governança que, sem dúvida, não saiu da base da pirâmide, sustentando e dando sequência a uma política viciada pelas barganhas e loteamento de cargos para sua sustentação no poder. Os últimos 20 anos não foram de grande impacto positivo no país em relação à infraestrutura, e o Brasil vem há muito tempo vivendo de créditos do passado na Indústria, na infraestrutura. O governo do PSDB se caracterizou em criar uma nova moeda para dar estabilidade econômica ao país e controlar a inflação. Foi um trabalho conjunto de técnicos, governo com o apoio da sociedade que foi informada sobre o que estava ocorrendo e o que viria após os desdobramentos. O PT conseguiu desconstruir a imagem do governo anterior pelas privatizações, que o governo defendia como uma maneira de tirar de sua responsabilidade empresas que precisavam crescer e que teria que dispor de muito trabalho para gerenciá-las adequadamente. A marca do governo petista era tirar milhões da pobreza ampliando o programa assistencial lançado no governo anterior. Lula dizia em sua campanha “que era preciso dar o peixe, mas ensinar a pescar”, mas é grande o número dos que ainda se cadastram para o programa. Um dos fundadores do PT, Hélio Bicudo revelou durante uma entrevista que tinha reservas sobre o programa Bolsa Família por não ter um caráter de continuidade para que as pessoas pudessem de fato sair da pobreza e andar com as próprias pernas. O fato é que o Bolsa Família representa 25 milhões de votos garantidos, como sustentou José Dirceu, retrucando a posição de Bicudo. Pelo andar da carruagem petista dá para perceber que sua intenção a longo prazo, é a de enfraquecer cada vez mais a oposição nos Estados, o que dificultaria alianças de partidos não alinhados com o governo. Assim tem sido pelo lançamento de candidatos ao governo de capitais estratégicas como Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, porém com candidatos fracos, sem expressão política de relevância suficiente para chegar ao governo. O PT se construiu com a imagem do Lula, apesar de protegida, já mostra sinais de desgaste por sua não influência para a eleição de seus indicados nesses Estados. É notório que o PT não tem em seus quadros um político Estadista, com característica de gestor competente, assim como não foi o Lula que foi eleito sem esse perfil de administrador público, o mesmo se repetiu com Dilma Roussef. Mas com o tempo, as ações se tornam claras. As dificuldades e a incompetência gerencial vão dificultando os resultados que a população espera. É preciso desconstruir a ideia de escolher o menos pior para escolher propostas diferentes. É preciso despolarizar a disputa num país imenso, com grande potencial de desenvolvimento em todas as áreas. 


É notório um projeto de poder político e personalista se comparado ao que fizeram pelo país. Depois de conhecido todo esse trabalho ao longo de 12 anos, o pedido de voto do partido para mais um mandato pode soar não como um pedido de oportunidade para mudar o Brasil, mas para garantir sua própria sustentação política e continuidade do discurso triunfalista que não mostra a verdade como ela é.


Os passos que o PT tem dado no âmbito do governo apontam para uma mudança de regime no país que lutou por uma democracia e que se vê aos poucos se aprofundando em projetos e propostas para facilitar o poder de liderança, sem considerar as leis que mantém a ordem e a justiça, em questões que contrariam a Constituição. Medidas provisórias editadas pelo governo em temas de interesse nacional são aprovadas sem o conhecimento da população, que interfere diretamente em sua liberdade, apenas para atender a interesses do próprio governo para sua sustentação. Quanto mais tempo no poder, o PT continua colocando em prática suas intenções, aumentando os tentáculos da corrupção em todas as esferas do poder, que não possuem independência e isenção, passando a agir de acordo com os interesses majoritários, mesmo que para isso tenham que mudar leis ou desrespeitá-las. O discurso da “perseguição“ política é sempre um alarde  quando percebem que seus atos são descobertos e vazados na mídia, levando-os a discutir e a criar leis que impeçam a liberdade de expressão, ou pedindo afastamento de jornalistas de canais de televisão que mostram posições críticas ao governo capazes de despertar a opinião pública para um outro olhar. Por outro lado ameaçam com a suspensão de verbas publicitárias de empresas estatais que em grande parte sustentam essas emissoras. Por outro lado as manobras para evitar cassações de mandatos de apaniguados políticos das figuras consideradas importantes para a legenda, que mesmo punidos pela justiça ainda tem o apoio partidário com suas influências para mantê-los em seus quadros. O embarreiramento da verdade pelos discursos sentimentalistas de seus protagonistas acabam desviando o foco do que deveria ser um ponto para ser avaliado e que passa despercebido pela população que passou a esfriar seus ânimos para a cobrança, pois o governo trabalhou demasiadamente para que o povo tivesse maior poder de consumo, o que tem levado a vertiginosos índices de inadimplência e descontrole das contas pelo demasiado número de oferta e pouca capacidade de endividamento da população que vive a ilusão de ter ascendido a uma nova classe média, apenas pelo poder de consumo. Até quando isso vai resultar em voto? 

Quando é que o povo vai entender que está sendo iludido como massa de manobra para legitimar um governo que pensa apenas em seu futuro político e para tanto usa instrumentos econômicos para maquiar a verdadeira imagem da sociedade, que na superfície mostra o que não tem no profundo. A tática do governo de “facilitar” a vida do povo financiando certos confortos, por outro lado, tem causado grandes danos nas contas do próprio governo, deixando faltar recursos para outras áreas como saúde, educação, infraestrutura.É preciso estar atento a tudo isso. Não basta apenas olhar para a mesa e perceber que há comida, que existe um carro ainda que financiado na garagem que passe uma ideia de ascensão social; daquele calçado de marca que antes era sonho de consumo. Uma nação não pode ter caráter personalista, mas deve responder aos reclamos estruturais que vai além de um povo bem nutrido, e do jovem com dinheiro na carteira para curtir as “baladinhas” nos fins de semana, mas o que esse jovem terá no futuro. Em que se resume suas expectativas além dos “rolezinhos?” Para isso, o governo de igual modo, precisa pensar o futuro do país em suas bases, em suas estruturas sem a ilusão mágica do agora. Um dia a ficha cai. A educação exerce um papel fundamental para que o povo, esclarecido, eleja um governo à altura e que não reproduza apenas o pensamento coletivo com medidas populares e eleitoreiras, aquelas que são "jogadas na cara" no período da propaganda eleitoral que desvia os olhares da população para os grandes interesses da nação mas que ensine, na prática, que tudo se consegue com esforço, trabalho, planejamento e muita honestidade. Por enquanto, não é isso que estamos vendo. E faz tempo.