sábado, 26 de julho de 2014

ERRANDO CERTINHO!


Tudo o que somos instruídos a fazer na vida requer que seja feito "certinho". É assim que a humanidade vem sendo dirigida. Dirigida? Mas  todos  não tem vontade própria e direito de escolher o que fazer? Na teoria isso é uma realidade, mas não se cumpre seguramente na prática. Algumas escolhas são feitas por falta de alternativas, uma via de escape que não ofereça prejuízo. "Ou pegar ou largar" pode ser confortável para quem está oferecendo, nem sempre para quem está sendo oferecido. O risco é de quem precisa, não de maneira proporcional a quem está em vantagem. 
De todas as maneiras somos sugestionados, até mesmo quando são criadas justificativas que  deem suporte para as decisões tomadas as quais referendam algumas atitudes, principalmente quando se faz parte de algum sistema organizado. Há muitos que erram, mas tem que errar “certinho”, não  podem pisar fora da faixa, assim como os que são sugeridos e ensinados a fazer algo considerado moral e correto, que seja feito correto, onde um simples tropeço põe tudo a perder. É assim dos dois lados: do lado de lá, e do lado de cá da porta. Não importa de que lado alguém esteja, a exigência é cumprir bem seu papel.

Certa vez um funcionário de uma importante organização foi demitido e, antes que saísse, um dos diretores da empresa disse: “Espero que você deixe as portas abertas.” O que isso pode nos fazer entender?
Por um lado, uma aparente supremacia, como se esse funcionário não conseguisse sobreviver do lado de fora. Por outro lado, pode nos fazer supor que existiu algo, não tão agradável da parte de quem estava se despedindo, que pudesse o levar a reivindicar o que poderia ser seu direito. 

“Um dia você pode bater na minha porta de novo” – por isso, não tente fazer nada que venha fechar as portas!
“Deixar portas abertas” significaria não denunciar os erros? Não se confrontar com os considerados mais fortes que “aniquilam” os mais fracos por seu poder de domínio e manipulação? Não buscar seus direitos? Quem pode, dita as regras, e nunca foi tão clara a célebre frase: "Manda quem pode, obedece quem tem juízo." Mas obedecer a quê, ou a quem? - Não é de sano juízo a obediência a qualquer ordem, e o adaptar-se a qualquer sistema em nome de uma "harmonia" mascarada. As sensações e sentimentos reprimidos por "ordens" um dia eclodem. Mas para evitar esse tipo de reação extrema, o sistema usa seus recursos de manipulação para arrefecer os ânimos e desviar o foco do que é real. É uma espécie de anestesia que alimenta sonhos, faz nascer supostas esperanças que não acontecem senão por uma ação direta, individual e independente do indivíduo, que é levado a acreditar que não vai conseguir do outro lado da porta. Que sem ajuda, ele não vai longe; que do outro lado é tudo difícil; que ruim aqui, pior lá fora; levando-o a um espírito de constante dependência, submetendo-se a conformidade com o que pode ser mudado pela libertação. 

É cada vez mais difícil manter os valores que aprendemos, num sistema que para dominar sobre os demais, invertem a ordem das coisas. É preciso se submeter a esses modelos amparados por argumentos razoáveis sob ponto de vista da sobrevivência e da satisfação pessoal para sobreviver, e para isso, muitos  acabam  reprogramando sua mente para não se sentirem afetados ao fazer algo que lhes pareça errado. “Matar para não morrer”; “Antes ele do que eu”; “Se parar na minha frente eu atropelo.” E não é raro ouvirmos discursos que levam pessoas a se sentirem confortáveis, mesmo fazendo algo que aprenderam não ser correto.  E, com o passar dos tempos, o que era errado, passa a ser feito  corretamente e de maneira “impecável.” Pessoas são absorvidas de seu poder de percepção de suas reais atitudes, encontrando justificativas pessoais que explicam suas ações, pois assim tem sido ensinadas.
É preciso reaprender a liberdade


O que você é capaz de fazer para manter as portas abertas? Avalie dentro de que portas você está e quais os requisitos precisa cumprir para que elas continuem abertas para você. Nem sempre uma porta aberta significa liberdade. As portas podem estar abertas, mas você desaprendeu a ser livre, sua mente foi reprogramada por sugestões manipuladoras, outras vezes por força de circunstâncias. 
Ao lembrar do episódio da tentação de Jesus, imaginamos que o diabo "abriu as portas" do mundo, oferecendo reinos e posições, sob o cumprimento de um pedido: "Você terá tudo isso, se ajoelhado me adorar." É notório que tudo o que alcançamos na vida é por recompensa. Precisamos cumprir requisitos para obter resultados. Mas de que fonte tem vindo nossa recompensa? A quem ou a que temos nos submetido para cumprir os requisitos em troca dessa recompensa? 
Portas abertas  pode ser escravidão, subserviência e aniquilação da individualidade; da justiça, da verdade; a renegação de valores e a relativização de princípios. Em que portas você tem batido? Onde pretende entrar?  Do lado de dentro, todos precisam cumprir seu papel, direitinho. Até mesmo quando são ensinados a errar, mas tem que errar “certinho.” Politicamente correto.