domingo, 9 de fevereiro de 2014

PRECONCEITO RELIGIOSO COMEÇA COM OS "DE CASA"

Muitas vezes pensamos que a conversão ao evangelho, é afastar-se de pessoas que consideramos más influências.


No passado, ele tinha um histórico de pessoa complicada. Alguns diziam que era um homem de  gênio difícil quando se tratava de opiniões pessoais. Era firme no que defendia e, alguns o chamavam de teimoso; em alguns momentos até agressivo para defender suas opiniões. Na verdade, ele dizia respeitar a opinião e posição dos outros, por isso opinava com respeito, mas irritava-se com facilidade, quando era contrariado. Queria ser tratado da maneira como ele tratava aos outros. Mas nem sempre era assim. Por outro lado  era uma pessoa querida, por ser bom amigo, apesar de temperamental. Mantinha espírito solidário e colaborador. Era espontâneo quando percebia que alguém precisava de ajuda.

Ele tornou-se evangélico; foi batizado numa igreja e, como membro atuante, da mesma maneira espontânea e humana de lidar com as pessoas as quais amava agia com seus irmãos na fé.  Mas sua conversão ao evangelho, não cortou vínculos com seus velhos amigos. Apesar de receber muitas críticas de alguns que diziam ser muito arriscado ele continuar participando das mesmas coisas do passado, ele não dava ouvidos. Diante disso, ele até criava discussões acaloradas para defender seu comportamento, que para ele era correto.

_Eu duvido que se Jesus estivesse aqui hoje, não estaria fazendo algo que escandalizasse aos que querem obter a salvação por seu jeito de pensar – defendia-se.

 Ele pensava que a religião não podia ser um pretexto para se afastar de pessoas que tem outros estilos de vida. Pelo contrário, o princípio da religião como dizia, era um meio de ajudar pessoas a se religarem a Deus.  

_Eu não consigo enxergar uma outra maneira de testemunhar aos meus velhos amigos, se não for por minha amizade – dizia aos seus críticos.



Para ele, deixar de lado "o velho homem", não tinha relações com o exterior, mas com a transformação sofrida  no coração.  Isso gerava polêmica com os tradicionais, e, assim, era observado, mesmo que à distância, por aqueles que ainda desconfiavam de sua verdadeira conversão ao evangelho. 

Certa noite, a caminho da igreja passou em frente a uma roda de samba e, ali, estavam seus velhos amigos quando um deles o chamou. O amigo parecia bêbado; falava com dificuldade, com uma pronúncia pesada, característica de quem está alcoolizado.  Estava com as roupas sujas, como quem já havia caído na calçada. Ele então parou, enquanto os batuques dos tambores continuavam, atrapalhando a conversa dos dois.


Então, o amigo, alcoolizado, foi convidado a sair de perto do barulho para que pudesse ser ouvido. O outro estava ali, parado, na esquina, com trajes de igreja, com a Bíblia na mão; para muitos seria uma cena constrangedora. Mas ele parou ali para ouvir um homem que estava sendo rejeitado pela família; um homem que entregou-se à bebida por uma desilusão amorosa muitos anos antes, da qual não se recuperou. Quem conheceu aquele homem anos antes, tinha dificuldade de aceitar a situação na qual se encontrava: maltrapilho; andarilho, rejeitado por falta de paciência da família de tanto insistir para ele deixar aquela vida. Mas era algo que havia fugido de seu controle. Talvez precisasse ser pego pela mão para sentir força e coragem para tomar a decisão que mudasse sua vida.


Ali, na roda de samba, buscava o apoio da companhia de amigos, onde bebia, extravasava suas emoções com o cantarolar às vezes solfejado, dos ritmos dançantes. Mas ainda não era o caminho que o levaria à solução de seus problemas. Ali, entre seus amigos, se sentia abraçado e talvez um pouco confortado por quem o aceitava. Mas foi ali, conversando, com o samba como “fundo musical”, que disse ao velho amigo que não agüentava mais aquela vida. Que havia perdido o grande amor de sua vida por causa da bebida e das brigas, e que precisava muito de ajuda para superar sua desilusão. Ele pediu oração ao velho amigo, pois dizia que ao ver sua mudança de vida, gostaria de ser como ele agora. Seu amigo, a caminho da igreja, ouvia atentamente, quando percebeu que estava atrasado para o culto. Mas, continuou ali mesmo, onde estava, ouvindo aquele jovem, já com aparência envelhecida castigada pelo sofrimento de muitos anos como usuário de álcool. As faces pálidas e encovadas; com uma mente ao mesmo tempo perturbada, esforçava-se para ser compreendido.  Mas recebeu atenção e seu pedido foi atendido pelo amigo, que decidiu continuar junto aos seus velhos amigos, para mostrar-lhes que a solução existe.

Na verdade, muitas vezes pensamos que a conversão ao evangelho, é afastar-se de pessoas que consideramos más influências. Mas entre elas, há corações sedentos de vida, de esperança, de amor. Assim como fomos alcançados, poderemos ser instrumentos de Deus para ajudar ao aflito e  ao necessitado e, aos que, sem uma perspectiva de vida, tendem a fazer o que é mais conveniente diante de seus olhos. Quando aceitamos a salvação, também nos tornamos instrumentos de salvação para outras pessoas. Deus nos chama para servir, não os que já estão servidos, mas aos que ainda tem fome do pão que sacia para a eternidade.