domingo, 9 de fevereiro de 2014

O LIVRE ARBÍTRIO É IRREVOGÁVEL



Ninguém poderá julgá-lo melhor que você mesmo. Mas é preciso entender, que não bastam os respaldos de leis criadas para sustentar algo de que não se pode mais controlar, apenas porque tornou-se uso comum, mas como essa legalidade interferirá na sua moral e em seus diversos setores da vida. 

Naturalmente, ninguém escolhe morrer. Morre-se sem querer. Do mesmo modo, apesar de os motivadores dizerem que nós “lutamos” para chegar aqui, quando explicam sobre a disputa do espermatozoide para fecundar o óvulo, conscientemente não foi uma escolha que fizemos. As escolhas passam a fazer sentido quando começamos a desenvolver a consciência das coisas, de acordo com os sinais externos e a nossa maneira de interpretá-los, ou como nos ensinam a interpretar tudo aquilo que faz parte do nosso convívio. Até mesmo no campo jurídico, as responsabilidades sociais começam quando a pessoa tem consciência de seus atos. Nesse ponto pesam a educação, as tradições, a liberdade de decidir o que aprendemos ser o melhor para nós, de acordo com os costumes que são criados pela sociedade. Alguns costumes passam a a ser assimilados como algo comum à medida em que a adesão à suas práticas aumenta. Hoje em dia, há opiniões antagônicas sobre as práticas homossexuais. Por consciência natural - não a sugestionada pelo meio -  difícil é entender o que se passa com pessoas que escolhem se relacionar sexualmente com outras do mesmo gênero. Assim como não é admissível pais relacionarem-se com filhas, ou irmãos com irmãs; adultos com crianças; é considerada uma aberração, por exemplo, quando se trata de relação sexual entre homens e animais, apesar de não muito divulgado, há ocorrências dessa natureza. Não há exagero se admitirmos que em todos esses casos, há distúrbios no comportamento sexual.  Imagine agora se com o tempo esse tipo de comportamento tornar-se tolerável pela sociedade e a criação de "leis" regulamentarem essas práticas? Elas (as práticas) mudariam o seu caráter apenas porque são respaldadas por uma lei? É fato de que mesmo as leis garantindo determinados comportamentos, esses atos trarão consequências internas ou externas. Até mesmo leis são criadas de acordo com a necessidade de se regular determinado comportamento social, legitimando ou prevendo penalidades para suas infrações. As leis não tem poder de impedimento ao erro, mas observá-la consequentemente leva ao acerto pelo cumprimento de suas determinações, mesmo contrariando nossos impulsos e vontades. Temos liberdade até para não aceitar regras. Nos tempos do velho testamento, Deus também autorizou por meio de Moisés "a carta de divórcio" por causa da dureza do coração das pessoas. Essa permissão, contudo, não pode livrar as pessoas das consequências de uma separação. O povo de Deus no deserto, queria comer carne, e a pediam insistentemente, quando receberam demasiadamente a ponto de não terem condição de consumir tudo o que recebeu. Foi uma desgraça para aquele povo - que sofreu tanta doença e morte causada por problemas sanitários - que mesmo tendo provas do cuidado de Deus, escolheram o que o coração pedia. É importante entender que nem tudo o que nos é permitido é lícito. Há sempre aquilo que nos convém ou não. Mas para isso, precisamos passar pelo crivo racional, não mais pelas paixões e vontades que nos movem a fazer algo pelo qual somos traídos em seus resultados. 

Somos livres, sim. Até para não aceitar regras.  

Se assim não fosse, nossa vida seria mecânica, “automática”, e as coisas aconteceriam de fato, sem termos a oportunidade de manifestar a nossa vontade, apesar de em aspectos pontuais e definidos, que fogem ao controle de nossas opiniões, acontecerem, independentemente do nosso comando.  Assim é a vida. Assim é a morte. No campo da convivência humana, é natural que o desajuste social seja também reflexo de ações desajustadas, escolhas e comportamentos equivocados que acabam interferindo na vida de outras pessoas. Apesar de termos direito a escolha, podemos admitir que nem tudo o que nos ocorre foi de fato algo que escolhemos. Por vezes, colhemos consequências que outros plantaram. Mas, conscientemente, ao admitirmos essa deficiência que “herdamos”, cabe a nós decidir o que faremos a partir dessa realidade que enfrentamos.

Assim Deus nos criou. Com liberdade. Essa liberdade  não  limita-se apenas à escolha que você não fez, de cujas consequências paga um preço que não acha justo. Mas a liberdade de entender e procurar identificar o seu papel diante da desordem que se alastrou pelo mundo. Aliada a essa liberdade está a sua vontade. É a vontade que nos move a agir em situação que entendemos ser necessário um trabalho para a nossa recuperação e restauração diante de uma realidade que não podemos alterar. Para muitos o “livre arbítrio” é confundido em sua interpretação  pelo fato , por exemplo, de alguém ter vontade de pular de um prédio, assim o fazer e perder a vida. Pergunta-se: que liberdade é essa que você escolhe e paga as consequências? É importante entender que o “livre arbítrio “ bem exercido pelo indivíduo, não despreza a lei natural das coisas. A “lei da gravidade” empurra para baixo. O contato com o solo, pela lei da física, causa danos ao corpo que contra ele se choca. Ter livre arbítrio, não significa que alguém pode escolher a tudo, sem que haja uma reação contrária ou a favor da escolha praticada. É preciso que sejamos juízes de nossas ações. E a liberdade nos dá, inclusive o direito de nos defendermos diante do que praticamos.

Foi assim que Deus julgou Adão no Éden, quando ao perceber que havia ultrapassado o limite da lei do criador, escondeu-se. Deus deu a ele a oportunidade de defesa, quando o perguntou: “Adão, onde estás?”

Estar em conformidade com as leis de Deus e as leis do universo, é uma escolha, um direito, que bem exercido, terá sua consequência; assim como andar em desacordo com essas leis, também trará consequências. É preciso, portanto, termos a capacidade de julgar as nossas ações, não só de acordo com os costumes criados pela sociedade, que  mesmo  sob respaldo de suas regras, não trariam imunidade ao indivíduo para se esquivar dos resultados de suas ações, mas importa que o senso de justiça e consciência de seus atos o torne digno do que recebe em troca do que se faz.

Ao fazer hoje o julgamento, ou seja, o nosso “arbítrio”, de que maneira vislumbramos os resultados da escolha que fazemos, segundo as experiências vividas, sem contar aquelas nas quais não podemos interferir?

Ninguém poderá julgá-lo melhor que você mesmo. Mas é preciso entender, que não bastam os respaldos de leis criadas para sustentar algo de que não se pode mais controlar, pois tornou-se uso comum, mas como essa legalidade interferirá na sua moral e em seus diversos setores da vida.