quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

BRASIL, QUEM APAGOU A LUZ?


As luzes estão apagadas. Na política, na educação, na saúde, nas possibilidades. 

Um país para se desenvolver precisa investir em infraestrutura. Em 1982 foi inaugurada a Usina Itaipu Binacional, com esforços conjuntos do governo Brasileiro e do Paraguai. Durante seu discurso de inauguração da hidrelétrica de Itaipu, o presidente João Figueiredo disse que a solenidade possuía o sentido de "reafirmar a confiança no valor do esforço humano para superar dificuldades passageiras e perseguir um futuro de progresso e prosperidade". Observe o que o presidente disse: "Superar dificuldades passageiras." Ou seja, não significava uma solução definitiva, não era "venda de ilusões". 


O governo atual apresenta discursos defensivos, mas no fundo sabe que falhou nessa questão. Mas admitir isso, é como dar tiro no próprio pé, ainda mais quando o interesse na reeleição é maior do que o esforço que deve ser feito para salvaguardar os direitos da Nação, em diversos setores. 
O mesmo governo vive de créditos do passado - mesmo desconsiderando os esforços de governos anteriores, na tentativa de apagar a história de um povo desmemoriado -  ao mesmo tempo em que "paga" as contas do que foi esquecido, exatamente porque o governo não pertence ao mandatário. Governantes vem e vão. Tem prazo de "validade" e expectativa de vida. Sua figura é  representativa da Nação com legitimidade, escolhidos por voto direto num sistema democrático. Cabe ao mandatário a responsabilidade com o presente visando não ao seu futuro político, como o que ocorre hoje, mas com o futuro do país em vários setores.  Os tempos difíceis passaram. E até quando reclamaremos de "herança maldita" sem ao menos cuidar do que é necessário sob nossa responsabilidade? O país é economicamente viável, de solo e subsolo riquíssimo; capacidade energética invejável; agricultura, pecuária, entre tantas outras qualidades que não foram criadas em 20 anos. A administração deve utilizar-se do que tem a disposição para servir ao país como um todo, sem ideais classistas e de visão e ações unilaterais com vistas apenas ao voto e a intenção de permanência no poder por reações estatais que são percebidas a curto prazo. 

Um governo que pensa no futuro do país - não na captação de votos ou preferência nacional por  medidas aleatórias, algumas repetitivas, como as que criam o chamado "clientelismo político", inclusive por ações sociais que deveriam ser emergenciais mas se tornam permanentes por serem viáveis sob o ponto de vista eleitoral- investiria em infraestrutura. Assim o governo trabalha na superfície, de algum modo dando resposta ao que a sociedade observa a olho nu. É um governo óbvio, previsível, e que não governa para a construção de uma Nação com capacidade de oferecer a seu povo saúde de qualidade, educação; moradia digna e trabalho. 

"Distribuir renda" sob a mentalidade do atual governo é um equívoco pretensioso. Um país que ainda exalta suas ações de combate à fome e torna essa luta a sua bandeira e seu lema, por outro lado, mostra que ainda não priorizou a liberdade e a independência de seus cidadãos, elevando-os da base da pirâmide social pelas oportunidades a eles oferecidas, em todos os sentidos, não mais sob paternalismo governista. É esse "paternalismo" ou "maternalismo" que torna-se o carro-chefe numa nação que continua carente de tudo. Pesquisas recentes revelam que mais de 40% da população brasileira é composta de analfabetos funcionais - título vergonhoso dado a pessoas que sabem ler e escrever, mas não entendem o que leem, fruto de uma educação que não leva o indivíduo a despertar o senso crítico. Os poucos que conseguem uma visão diferenciada, tornam-se ameaça pelo sistema implantado que visa escravizar as pessoas com correntes ideológicas pervertidas.  "As coisas não mudam da noite pro dia" - mas esses erros continuam a se repetir. Ações repetitivas não levam a mudanças. Inoperância repetitiva, nada constrói. O governo do PT está no poder há 12 anos, e ainda trabalha para atrair clientes por ações superficiais que não constroem para o futuro e promessas ilusórias que alcançam a maioria explorada no que lhe é de direito. 
Ainda discutimos comportamento social, sendo que comportamento é resultado da cultura, daquilo que se prioriza ou do que é deficiente em setores primários. Comportamento é secundário e formatado por vários fatores desencadeantes. Comportamento é efeito, não causa, e os discutimos como um fim em si mesmo. Um país que prioriza a educação e infraestrutura, de fato, exerce postura diferente do que verificamos nas ações de seus indivíduos até mesmo em seus relacionamentos, que preza o respeito ao próximo e a coisa pública.  Um governo precisa entender as prioridades de uma nação. O governo que se exalta por pequenas ações, como elevar o poder de consumo das pessoas que tem mais comida na mesa, que pode comprar celulares e eletrodomésticos, automóveis, entre outros bens de consumo, sem pensar nas consequências sociais e seus reflexos na saúde; ecológicas, de infraestrutura e logística - é continuar governando na superfície e aplaudido pelos analfabetos funcionais que o próprio governo tem interesse em manter. Num país onde se discute se "rolezinho" e vestir roupas de marca é um direito do pobre é um direito da população, ainda não se tem noção exata do que seria de fato direito. O Brasil é um país em desenvolvimento, mas com mentes atrasadas, e que pode permanecer em desenvolvimento, porque parece que esse título é mais agradável pela força de expressão  sugerindo que está em movimento. Mas o movimento está na superfície apenas. Voltando para a questão anterior, a  falta de investimento no setor de governos posteriores  à 1982 trazem hoje a decadência energética no país. Vontade política e estabelecimento de prioridades é que movem as ações de um governo. Exemplo disso foram os investimentos para a copa, a construção de estádios, entre outros; o investimento em outros países com liberação de verbas para portos, por exemplo. 

Enquanto isso, vivemos num país sucateado, mas maquiado na superfície. Os frequentes apagões verificados em períodos de grande demanda de energia elétrica, ocorridos nos últimos anos, e nos anteriores, inclusive com a necessidade de racionamento de energia elétrica orientada pelo governo entre 2001 e 2002, medida criticada demasiadamente pela oposição que, hoje, no poder, não atribui problemas de investimento mas à falta de chuvas. Há quem ouviu entrevista de João Figueiredo afirmando que o país teria energia garantida por 20 anos - e se os governos não investissem, poderia sofrer crise de desabastecimento. Não seria a realidade que vivemos hoje? Até quando vamos "fazer festa à luz de velas?" "Acreditar na penumbra?" Até quando vamos votar de olhos fechados?