quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

MISSIONÁRIA DO AEROPORTO DIZ QUE DEUS TEM UM POVO



“Os salvos em Cristo entenderão” – respondeu. “Jesus chorou por um povo no passado e eu fui revelada que Jesus chorou outra vez por um povo que se distanciou de suas verdades e que precisa voltar a praticar as boas obras. Santidade ao Senhor, é o que precisamos".  

Missionária do aeroporto como é chamada D.Isaura

Ela tem 79 anos. Disse que foi chamada por Deus para pregar o evangelho quando tinha quase 20 anos de idade. Com enxoval comprado para casar-se, decidiu viver para Deus.  Do sertão de Pernambuco, Isaura Lima passou os últimos 20 anos pregando em aeroportos brasileiros. Antes, passou  40 anos pregando o evangelho em vários outros lugares. Ela não se casou, não teve filhos; o que sabe é que tem sobrinhos em São Paulo,  mas não sabe ao certo em que cidade do Estado. Acredita que ainda tem uma irmã viva.

No aeroporto de Londrina onde fui esperar minha esposa e filho que voltavam do Rio de Janeiro, deparei-me com seus cartazes, afixados nas cadeiras e no carrinho utilizado para carregar as malas. Parei diante dos cartazes e comecei a ler vários versos bíblicos escritos à mão e com mensagens de advertência.E é ali mesmo, no aeroporto que passa a noite, dormindo nas cadeiras ao lado de sua Bíblia e de suas malas. A missionária passa 20 dias em cada aeroporto. Alimenta-se em restaurantes, os mais baratos que há próximos ao local. As vezes, lancha nos quiosques. Aposentada, ela disse que nunca lhe faltou nada e que Deus sempre envia pessoas para dar o que ele precisa.

Percebi que ela observava em silêncio o meu movimento, quando me dirigi a ela fazendo pergunta sobre o que li.

Ela me disse: “Eu  sou surda. Tudo o que quiser me perguntar, escreva neste papel” – trazendo-me imediatamente uma apostila para servir de base para eu escrever.

A "missionária do aeroporto" afirmou ter sido membro de igreja por 31 anos - apesar de ter me dito o nome da igreja quando lhe perguntei, ela pediu para eu não revelar o nome da Igreja nesta postagem, pois isso não ajudaria em nada mas revelou que começou a sofrer ‘perseguição’ dentro de sua própria igreja, ao tentar pregar as advertências que dizia receber pela revelação bíblica em contraste com suas práticas que o povo estava esquecendo. “Mas eu não quero falar de igreja; não falo de religião, não me preocupo com isso. Meu trabalho é alertar as pessoas” – disse.

“Poucos  querem a verdade. Deus me mostrou que meu trabalho é o de advertir os seus escolhidos, para que eles não troquem a salvação pelas coisas do mundo” – disse ela, sendo taxativa na afirmação: “O mundo não quer a verdade de Deus”.  



Perguntei a ela sobre religião, igreja, verdades da Bíblia, o que ela crê e o que ela prega e se eu podia publicar o que me dissesse.  

“Você faz muitas perguntas” – disse ela, bem humorada. “Vamos por partes” – emendou, já desconfiada que eu era de alguma igreja. "Jornalistas comuns não fazem perguntas do tipo que você faz".

Com um português impecável e, ao mesmo tempo, consisa nas palavras ela revelou que no início do chamado pensava em algo muito grande. Queria pregar no mundo inteiro por diversos meios, mas disse que Deus lhe mostrou outro caminho. “Eu queria um lugar, uma casa e condições materiais, mas Deus me revelou que o que Ele tem para mim não está aqui na terra, e que aqui eu teria que sofrer por sua causa. Eu já sofri muito, mas hoje eu já não sofro mais. Para mim é um alívio”.

Isaura lê com facilidade sem auxílio de óculos


A senhora fala sobre os salvos. Há alguém salvo? Como saber se uma pessoa é salva? – perguntei.



“Não me preocupo se estou salva ou não, nem se este ou aquele é salvo. Essa não deve ser a nossa preocupação nem o nosso julgamento. A nossa parte é fazer a vontade de Deus, e muitos preferem alimentar o pecado no coração, mesmo os que se acham santos. O mundo não quer nada com Deus e muitas igrejas vão pelo mesmo caminho”- respondeu.

Ela revelou um assunto extra-bíblico, afirmando que recebeu uma mensagem, dizendo que em 1985 concluiu-se o selamento e foi fechada a oportunidade para a salvação. "Os perdidos já estão perdidos. Eles não se voltarão para Deus". Ela disse ainda: "Minha mensagem é para aqueles que um dia ouviram a voz de Deus, se mantenham firmes em comunhão com Ele.

A senhora acredita que existe uma igreja verdadeira? – perguntei.

“Deus tem  um  povo. Primeiro o povo de Israel que o rejeitou. Depois foi instituída uma igreja que se prostituiu. Depois Deus levantou uma outra Igreja para restaurar a verdade, mas esta também já se afastou de suas verdades” – respondeu ela.



Perguntei a ela a  que igrejas se referia:



“Não quero falar sobre isso. Não quero criar polêmica religiosa. Já entrei em muita polêmica no passado, mas entendi que polêmica por causa de religião não ajuda. Os  salvos em Cristo serão revelados” – respondeu, e me fez um alerta: “Muito cuidado com o que você vai escrever sobre isso. Cuidado com a sua salvação. Não faça nada para trazer escândalo aos que vão ler o que estou lhe dizendo”.



Mas, de que igreja a senhora é?



“Sou da Assembleia celestial. Tudo o que faço é na presença de Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo e seus anjos. Meu compromisso não é com igrejas, é com Deus. Hoje estou liberta. Não sou mais perseguida por pastores nem por igrejas” – enfatizou.



Mas não temos que congregar numa igreja?

“O sistema religioso está no fundo do abismo; as igrejas só pensam em dinheiro e posição; há muita vaidade e pecado escondido. Deus tem um povo. E este povo está espalhado por todo o mundo. Estes são os selados. As igrejas hoje tem medo de falar a verdade que precisa ser dita com medo de o povo ir embora" – afirmou, citando João 10:16; I João 2:6.

A senhora fala em resgatar verdades. Que verdades?

“Seguir o bom Pastor com ‘P’ maiúsculo. O pastor Jesus. Ele veio nos proteger da falsidade farisaica que até hoje predomina; e há ovelhas que pertencerão ao seu rebanho” – enfatizou, reforçando: “Andar como Jesus andou é a maior doutrina”.



Ela ainda disse que é preciso deixar o orgulho, a vaidade e tudo que nos afasta de Deus. “Deixar as coisas do mundo” – afirmou.

Mas isso não deixa as pessoas dispersas, sem rumo? Não há uma igreja?

“Os salvos em Cristo entenderão” – respondeu. “Jesus chorou por um povo no passado e eu fui revelada que Jesus chorou outra vez por um povo que se distanciou de suas verdades e que precisa voltar a praticar as boas obras. Santidade ao Senhor, é o que precisamos". 



Aqui no aeroporto, as pessoas param para lhe ouvir?


“Tem gente que para um pouco para ler os cartazes, curiosas. Outras me fazem perguntas, daí  eu respondo, faço oração e elas vão embora. Há os que me veem como louca e não dão atenção” – encerrou.

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Refleti depois da conversa que tive com essa senhora, e percebi que ela só tem essa liberdade porque trabalha de maneira independente, fazendo o que diz acreditar sem representar ou estar em nome, ou carregar sobre si  a nomenclatura de alguma agremiação religiosa. Penso que se ela tivesse instituído uma igreja, seu discurso poderia parecer tendencioso para levar pessoas à sua denominação, o que naturalmente ocorre. Senti nela uma postura isenta de interesses denominacionais, pois ela rechaçou qualquer ideia e foi até cautelosa em não entrar no mérito da discussão sobre esta ou aquela igreja.

Elias Teixeira