sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

A ‘CORTINA’ DA INCOMPETÊNCIA



Competência se desenvolve com capacitação
Uma frase que  tornou-se clichê, é utilizada sempre com ênfase à motivação: “Deus capacita os que são chamados, não chama os capacitados”.  Se concordarmos que essa frase serve de motivação àqueles que pensam não poder realizar determinada obra considerada difícil ou desafiadora, poderemos concordar também, que todo esforço deixaria de ser empregado por quem  foi designado a exercer alguma função importante. Por outro lado, Deus não é discriminador, mas seletivo. Ele vê além. Não vê como vê o homem. O homem, sim. Escolhe de acordo com suas amizades, com o que é mais cômodo e fácil de administrar, segundo seus projetos de poder. Mas isso não significa que Deus faça escolhas aleatórias, sem sentido. Quando escolheu a Davi e o ungiu como rei, Ele conhecia quem estava chamando. Se o critério da escolha de Deus é somente o poder que tem de capacitar os escolhidos, poderia ter escolhido qualquer outro filho de Jessé e tê-lo capacitado. Perceba que Deus tem seus critérios e, estes sim, são inquestionáveis. Os que dizendo-se incapacitados e incompetentes continuam numa missão e a conduz de maneira relaxada com respaldo em suas influências pessoais e articulações político-administrativas, não deveriam utilizar o nome de Deus, como se por Ele fossem chamados. Do mesmo modo, os capacitados e competentes para uma missão que não exaltam o nome de Deus, antes utilizam-se de sua posição para atender a seus próprios interesses, de igual modo não teriam o chamado divino para exercer suas funções. 
Há quem ‘trabalhe’ como se não necessitasse de competência e aperfeiçoamento no âmbito da atividade para a qual foi chamado, esperando que Deus o capacite. É indiscutível o fato de que todos nós somos capazes. É uma capacidade em potencial que só se manifestará efetivamente no exercício de uma função, a partir de conhecimento específico. O que não podemos é cometer o equívoco de igualar capacitação com competência, conhecimento com sabedoria. Um é o princípio, outro é o desenvolvimento que leva em conta a aplicabilidade do que sabemos.  A competência tem muito mais a ver com as fórmulas utilizadas, as ferramentas empregadas de maneira planejada e consciente oriunda das experiências acumuladas, que levem o indivíduo a realizar com precisão o que lhe é proposto.

Deus não só dá  a  todos capacidade para o exercício de seu chamado, como também desperta no indivíduo a busca pela competência.
O aperfeiçoamento da prática
dá mais segurança nas atividades

Se capacidade é algo natural, competência é valor que se agrega ao potencial do indivíduo de maneira construtiva. A “construção” da competência dependerá de outros fatores como vocação e talento que podem ser aperfeiçoados.

Certa vez um chefe reuniu seus subordinados e, tentando demonstrar humildade, revelou: “Eu não tenho capacidade de exercer a função que exerço. Eu não sou um líder. Eu não queria estar aqui, mas estou. Já coloquei meu cargo a disposição várias vezes, mas ainda me querem aqui”.
Esse é um tipo de liderança que prefere trabalhar com pessoas menos experientes, até mesmo principiantes, pois tem dificuldade de administrar profissionais competentes, e que de algum modo sente-se ameaçado pelos fantasmas que alimenta. Esse comportamento pode tornar o líder perigoso, pois dificilmente ele transmite o que pensa de fato, por medo de ser avaliado como alguém que não tenha competência para o exercício de sua função. Do mesmo modo torna-se pessoa imprevisível por sua insegurança.
Há quem considere que hoje em dia possuir um bom curriculum torna-se ameaça aos medíocres. Não é raro observarmos que há muitos subordinados com competência de líderes. Numa empresa pública em que o ingresso de profissionais se dá por concurso público, por meio avaliações, o candidato precisa basicamente mostrar conhecimento e habilidade para determinadas funções,  nas empresas privadas ou instituições corporativas o critério muda. Há os que entram pela "janela", sem ao menos saber o que deve fazer, nem as atribuições do cargo que ocupa.
Ouvi certa vez de um indicado ao cargo de direção geral: "Eu realmente não sei o que me espera; nunca trabalhei nessa área, mas que Deus me ajude". Numa visão objetiva dessa declaração, percebemos despreparo tanto de quem convida, quanto de quem aceita a indicação. Numa visão mais agressiva, parece ação fraudulenta, desonesta.

As indicações tem forte influência, e em muitos casos, cargos importantes como de chefia ou liderança de grupo ocorre nem sempre por competência do escolhido, mas pela boa relação pessoal que mantém com seus superiores, seu grau de afinidade e até mesmo de parentesco. Talvez a frase mencionada daquele chefe que se dizia "incompetente", explique esse vício praticado por muitas empresas.
Por exercermos uma atividade por longos anos, só não desenvolvemos competência por desinteresse, e os motivos podem ser vários. É preciso que o indivíduo esteja plenamente consciente e atuante e bem definido com relação ao exercício de sua atividade.  
Capacitação não é um fim em si mesmo. Aliás,  é o princípio que rege todas as ações  do ser humano. Competência está ligada à perfeição da prática. É necessário que capacidade e competência interajam para que todo o resultado do trabalho seja satisfatório. 
É possível  que haja  capacitados incompetentes, mas dificilmente encontraremos competentes não capacitados.