segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

QUE NATAL É ESSE?



Esta não é uma realidade distante de nós

Quisera todos fizessem um Natal diferente. Que estivessem na casa do choro, não na casa da alegria; na casa da escassez, não na casa da fartura.    

O Natal dela parecia como os outros tantos que passou. Foi assim que aprendeu. Ceia, guloseimas, bebidas. Natal sem comida, Papai Noel e árvores enfeitadas de luzes e presentes, não era Natal. Mas algo começou a mudar na vida dessa jovem, que aos 23 anos,  teve o natal mais emocionante de sua vida. Não aquela emoção costumeira de estar reunida em família assentando-se diante de uma mesa farta como se faz naturalmente nesse período do ano. Mas foi uma emoção diferente. 


Mesa farta, indispensável na comemoração natalina.
Ela decidiu passar o natal num orfanato. Reuniu uma turma de amigos que compartilhavam a mesma ideia para então conseguir todos os meios e recursos para cear com 60 crianças, sem pai e mãe.



Em muitos outros natais, ao levantar-se da mesa e caminhar para perto da janela de seu prédio, olhava nas calçadas, meninos e meninas de rua, revirando restos de alimentos nos latões de lixo. Seu coração ficava apertado ao ver aquela cena. Ela tinha muita vontade de levar alguma coisa para aquelas crianças, mas seus pais e os parentes que se reuniam para a comemoração, diziam que aquelas crianças eram perigosas pois poderiam ser usadas por adultos criminosos e alguma aproximação com elas, poderia despertar a atenção de assaltantes, por ela pertencer a uma família rica. Mas foi a partir daí que a jovem começou a fazer planos de passar um natal diferente. Não agüentava saber que tendo tanta fartura em sua mesa, havia alguém, naquele momento, mendigando um pedaço de pão. A cada porção que colocava na boca, a cada gole de bebida, parecia doer na alma, talvez mais que a dor da fome daqueles que não tinham o que comer. 
O contraste
Enfim chegou o Natal. Ela foi a única da família a não participar da ceia daquele ano. A contragosto da família, juntou sua mesada durante todo o ano, e na companhia de amigos rumaram para um orfanato. Lá, deparou-se com o retrato da realidade que ela não conhecia de verdade. Criada num lar com todo conforto, agora estava diante de crianças sem pai e mãe, indesejadas no mundo, sem afeto e sem amor. O que elas teriam naquela noite  era apenas um simples pão com manteiga, uma laranja e um copo de refresco de uva. Ao virem tanto alimento chegando, seus olhinhos brilharam; algumas, timidamente, encolhiam-se no cantinho da parede, sem saber como receber os presentes que ganhavam. Alguns, nem sabiam como usar. 


Com o coração alegre, transbordante de tanta emoção, aquela jovem prometeu a si mesma fazer um natal diferente. 

Se nessa data comemora-se o nascimento de Jesus, nada mais importante que fazer o que Ele fez: Curar as feridas; dar de comer ao faminto, a água ao sedento; atender aos pobres e necessitados. Para ela, a fartura do Natal sem o compartilhamento e a compaixão com o próximo, é um contraste ao que o homenageado da data ensinou quando aqui esteve. 
Quem fará a um desses pequeninos?
 Quisera todos fizessem um Natal diferente. Que estivessem na casa do choro, não na casa da alegria. Mas aprendemos, desde cedo, a cortejar a imagem da beleza e desprezar aquilo que nos ensinam ser feio. Quisera todos fizessem um natal diferente. Que desejassem saúde, fartura e boa sorte com ações em favor dos moribundos, dos desvalidos e sem rumo na vida. Abraçar não só aos amigos, aos  chegados, mas aos arredios que por sentirem-se "desajustados" ou tímidos, não sabem se aproximar. É chamar para a festa aqueles que estão do lado de fora, ou com espírito altruísta ir, onde eles estão. Que o pão seja dividido não apenas com aqueles que os tem, mas com aqueles que padecem de fome. 

Este 'natal diferente', certamente foge aos apelos que conhecemos; certamente sairíamos da “linha”; ignoraríamos etiqueta, quebraríamos protocolos e paradigmas. Mas foi exatamente isso que Jesus fez quando entre os homens esteve.