segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

JESUS POP



O EVANGELHO POPULAR

"Jesus" no Ringue
Há uma confusão que paira sobre o nosso pensamento, concernente ao conceito do que é popular. Podemos observar que ser popular é diferente de ser comum. Naturalmente o que é comum faz parte do uso e costume de um povo e que nem sempre sabe a origem de seus usos e costumes. Quando tratamos de algo comum a todos, certamente estamos tratando do que todos esperam e, dificilmente, o que é comum surpreende, pois faz parte do pensamento coletivo.  O que há de comum no evangelho de Jesus? Observe seus ensinamentos: “ame a teu próximo como a ti mesmo... se alguém lhe ferir uma face, ofereça-lhe a  outra...orai pelos que vos perseguem”...

Será que é isso o que comumente vemos acontecer, ou o que observamos é uma sociedade cada vez mais egoísta, amantes de seus prazeres e vingativa, diferentemente da sugestão que Jesus oferece em sua mensagem? A visão comum não promove mudança. 



É comum dar uma balinha para a criança quando ela chora; é comum dizer que o que é bom é caro. Mas a percepção  por um  outro olhar sobre esses conceitos criados pela sociedade, pode nos revelar coisas surpreendentes.  Hoje é surpreendente quando alguém não reage a uma ofensa; quando paga o mal com o bem; quando ora pelos inimigos, entre outras ações que dificilmente a sociedade espera, porque as expectativas são comuns. É surpreendente um operário endividado devolver uma mala cheia de dinheiro que achou ao dono. Por outro lado existem argumentos para minimizar o peso da consciência de quem não deseja fazer do mesmo modo, até mesmo com argumentações razoáveis até certo ponto: "Achado não é roubado, quem perdeu foi relaxado". Outros poderiam defender: "Mas o cara estava endividado, ele achou a mala cheia de dinheiro que dava para resolver sua vida" - esses são argumentos comuns e que, de acordo com o juízo de valor do indivíduo, não faria mal algum. E não faria mesmo. O que pesa nesse caso, é o que se adota como valores e princípios.  

Praticar o evangelho é sair do comum, porém, sua popularidade se estabelece, pois vai ao encontro das necessidades essenciais e universalizadas do ser humano em todos os aspectos. O evangelho de Jesus visa promover a paz entre os homens, mas que por sua natureza comum, passam a reagir conforme suas paixões. O Evangelho de Jesus leva o homem à refletir sobre seu estado e maneira de agir, mas, pelo senso comum, sua tendência é reproduzir o pensamento da maioria comum. 
                    Já houve quem disse que se Jesus estivesse aqui, chamaria seus discípulos a "curtir" um cineminha; a dar um rolé nas "baladinhas" e teria um time de futebol do coração torcendo nas arquibancadas; que dançaria enquanto participasse cantando num palco de Tv. 

Aliás, aquilo que desejamos no coração, sempre é justificado de maneira retórica, atribuindo que esse também seria uma metodologia de Jesus para "converter" as pessoas.  Mas, converter de quê, se esse Jesus faz o mesmo que eu faço e aprova tudo o que gosto? Que evangelho é esse que age como uma "balinha" para a criança birrenta, sem identificar os motivos de seu desconforto? 
Construimos "nosso Jesus" à nossa maneira
Não deveria ser o contrário, como fazer o que Jesus ensinou, gostar do que Ele sugere, fazer a vontade dEle em detrimento de nossos desejos comuns, mesmo que sua verdade transformadora seja inicialmente amarga? 

Esse modelo tem sido adotado até por professos cristãos, que em sua prática revela o contrário do que o Mestre ensinou. O evangelho de Jesus é popular, pois traz respostas para os anseios humanos, sem distinção, mas não é comum diante das práticas que seres humanos decidem realizar. O evangelho é popular, pois está centrado no amor, na justiça e na paz. A banalização deste evangelho se dá quando queremos transformá-lo em algo comum, sem dar a ele a devida importância, sem creditar a ele o princípio da transformação e mudança que pode gerar em cada indivíduo.



As "estratégias" de evangelização baseadas em comportamentos comuns da sociedade, que fazem uso de seus gostos e preferências são embasadas em suposições ou análises hipotéticas de um resultado que não ocorre como se espera.
Certos modelos de abordagem funcionam como "propaganda enganosa", cujo objetivo é apenas atrair pessoas, e o que sucede a isso revela-se mais como frustração do que o encontro do que realmente essas pessoas esperavam, que futuramente se sentirão traídas ao cair numa "armadilha". Este sentimento leva mais à  repulsa, do que à aceitação. O Evangelho que transforma sempre foi claro, direto, transparente, definido. A verdade que temos medo de apresentar supondo que com isso afastaremos as pessoas da proposta transformadora é, de fato, um elemento que produz libertação. Atrair pessoas para os templos, ou levar um grande número de pessoas a um show de artistas queridos do mercado gospel, é diferente de atraí-las para Jesus, pois este torna-se um método invertido. A questão mais importante não é se esses métodos trazem resultados ou não, pois Deus age na vida das pessoas individualmente, principalmente as de coração sincero. O que é importante neste caso, é como estamos transmitindo Jesus a elas. Deus usou até a mula, um animal,  para falar com Balaão. E até das "pedras" Deus pode suscitar seus filhos. Não é este caso que está em questão, mas a maneira equivocada ou até mesmo maliciosa e tendenciosa de atrair pessoas para determinada religião, sem instruí-las sobre o evangelho genuíno.
"Balada" Gospel cada vez mais comum nas igrejas
método utilizado por lideres religiosos com o objeti-
vo de atrair os jovens promovendo entretenimento
dentro dos templos.   
Muitas vezes esses métodos parecem eficazes quando avaliados numericamente pelo ajuntamento de multidões, pela opinião dos espectadores sobre o que sentiram diante de determinado evento, esses que são atraídos pelo que lhes é comum; que choram,  se  emocionam; que se gesticulam e participam e, por outro lado não lhes é apresentado o evangelho que transforma e mesmo assim ficamos felizes porque estamos fazendo a nossa parte, não importa como seja. Mas oferecemos a nossa àgua, que não sacia a sede; oferecemos o nosso pão, que não sacia para a eternidade, e acabamos, com isso, criando "clientes" da fé, que precisam cada vez mais de uma "dose mais forte", tornando-se dependentes de algo para satisfazer seus anseios meramente temporais. E continuam bebendo de fonte que não sacia.  Justificamos nossa maneira equivocada de agir, pelo fato de, bem ou mal, estamos trabalhando para Jesus.   Passamos a usar nossos esforços como um fim em si mesmo, publicando nossos feitos diante dos homens, enquanto que o evangelho surpreendente, o que leva à mudança de vida pelo poder do Espírito Santo fica em segundo plano. Preferimos apresentar um Jesus Pop, ou um Jesus comum, feito de acordo com as expectativas humanas, do  que o Jesus Salvador, o Cristo crucificado que nos pede o coração. Preferimos  chamar atenção para nós mesmos, pelas luzes e cores nos palcos montados segundo o que o homem comum aguarda, sem que antes ofereçamos Cristo ao altar de nosso coração. Assim, o evangelho continuará sendo o comum. Aquele que todos esperam, que serve apenas como aquela “balinha” dada a uma criança birrenta; como aquele ditado popular que diz que o que é bom é caro, supervalorizando o evangelho segundo seus interesses, tirando o olhar da simplicidade surpreendente que é o evangelho que transforma vidas despertando no ser humano o desejo pela eternidade. 

Há os que procuram modificar a imagem de Jesus para atrair públicos específicos.