sábado, 22 de dezembro de 2012

ANO NOVO, O QUE HÁ DE NOVO?



  “Quem observa o vento, nunca semeará”

Elias Teixeira
Não há nada de mágico, nem de novo, na mudança de calendário. Aliás, não deveríamos pautar a nossa vida pelos dias, nem pelos anos, nem pelos nossos desejos e vontades, apesar de esses elementos em muitos casos se  transformarem em mola propulsora das realizações, mas tudo que ocorre em nossa vida, de fato,  pode iniciar-se a qualquer momento, no momento em que tomamos decisões. O sábio Salomão disse em seu livro de Eclesiastes, que há tempo para tudo debaixo do sol (Eclesiastes 3: 1-8). 
Mas o mesmo sábio que declarou que há tempo para todo propósito debaixo do sol, também disse que não há nada de novo debaixo do sol. "O que foi, isto é o que há de ser;e o que se fez, isso se fará; de modo que nada há de novo debaixo do sol". De fato, não podemos parar o ciclo da existência. Nisso não podemos interferir. As nossas escolhas e decisões dentro desse ciclo existencial, é que trará motivação à nossa vida.
O que foi, isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se fará; de modo que nada há de novo debaixo do sol.

Há alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo? Já foi nos séculos passados, que foram antes de nós.
Eclesiastes 1:9-10
Uma geração vai, e outra geração vem; mas a terra para sempre permanece.

Nasce o sol, e o sol se põe, e apressa-se e volta ao seu lugar de onde nasceu.

O vento vai para o sul, e faz o seu giro para o norte; continuamente vai girando o vento, e volta fazendo os seus circuitos.

Todos os rios vão para o mar, e contudo o mar não se enche; ao lugar para onde os rios vão, para ali tornam eles a correr.
Eclesiastes 1:4-7


"Há tempo para todas as coisas" é, na verdade, a constatação de um fato, daquilo que é, e nada podemos fazer para mudar esse ciclo natural. Não significa que devemos esperar que tudo aquilo que depende de nossas ações aconteçam de maneira automática, pois, se a semente não for plantada, não se inicia o processo de germinação. A nossa parte precisa ser feita. Não é o tempo que realiza nossos propósitos, nem nossos planos. O tempo passa para quem planta e para quem não planta. Passa para quem vai e para quem fica; para quem sonha e para quem não sonha. O tempo dá conta de si mesmo, independentemente das nossas ações. Porém, quando decidimos um rumo em nossa vida, as coisas tomam um novo caminho a partir dessa decisão. A decisão é a primeira atitude, mas que por si mesma não tem vida própria, é necessário um trabalho permanente, uma metodologia a ser seguida para que o fim seja alcançado. E há um tempo para isso. O tempo vai obedecer, certamente, seus aspectos naturais, o desenrolar de nossas ações para que tudo se concretize. Não é nada automático. Há coisas em que não podemos interferir, pois dependem de força alheia à nossa vontade, como uma semente. Nós semeamos, mas não temos o poder de fazê-la brotar. Há um  tempo natural para sua germinação. Fazemos planos, trabalhamos para determinado fim, mas não temos garantias de que usufruiremos de tudo o que sonhamos. 


A jabuticabeira pode levar anos para frutificar
Uma coisa me vem a memória sempre que vejo um pé de jabuticaba. No quintal da casa onde morava com minha família, meu pai plantou uma muda de jabuticabeira. Eu e meu irmão acompanhamos o plantio e, após cobrir com terra suas raízes, olhou para nós e disse: ”Eu não vou chegar a ver esse pé de jabuticaba dar frutos”. Ele nos disse que demoraria pelo menos uns dez anos para começar a frutificar. E, realmente, ele não provou da fruta que plantou. Vivemos numa correria frenética. Deixamos de observar as pequenas coisas do dia a dia, as oportunidades que se abrem para nós, porque somos imediatistas. Queremos ganhar muito de maneira rápida e deixamos de plantar raízes para a posteridade. E quando percebemos a nossa vã correria por projetos não realizados, por planos não cumpridos, queremos da noite pro dia fazer a semente brotar, na tentativa de adiantar um processo do qual perdemos o controle pela maneira indolente de agir no tempo determinado. 
Quem olha as dificuldades, nunca semeará
Deixamos de realizar algo sólido e duradouro, porque pensamos apenas no hoje, na satisfação momentânea. Assim o tempo passa. Não podemos freá-lo, nem voltar ao passado para resgatar o tempo perdido. Por isso, as decisões precisam ser tomadas, e a partir delas, iniciar com diligência tudo o que desejamos realizar, não importa quanto tempo demore.  “Quem observa o vento, nunca semeará”(Eclesiastes 11:4). Se considerarmos as dificuldades, os desafios a enfrentar em nossa jornada para a realização de nossos objetivos,  encontraremos motivos para desanimar. Talvez   nem seríamos capazes de plantar a semente de um fruto que não iremos comer. 
 
Não importa se fazemos ou não fazemos. O tempo passa
Um novo ano está diante de nós. E parece que apostamos nossas fichas na virada de um ano, como se algo mágico viesse ocorrer, alguns até, de maneira mística, utilizando-se de elementos que sirvam de "amuletos da sorte". Uma oferenda a algum santo de devoção; o vestir-se com roupas de cores representativas que sugerem boa sorte, e outros tantos elementos, que já fazem parte naturalmente dos festejos para a chegada de um novo ano, e uma nova contagem. É comum ouvirmos felicitações, promessas de que dessa vez vamos chegar lá; que  daqui  para frente tudo será diferente. São desejos positivos que devem ter lugar em nossa vida. Mas, como  seres  humanos, dificilmente conseguimos zerar o tempo e começar tudo de novo. Trazemos em nossa vida muitas cargas das quais dificilmente nos livraremos, sem antes rever nossos erros para buscarmos os acertos; o valor que damos as coisas, o cultivo que exercemos em nosso dia a dia. Trazemos a nossa carga genética, assuntos mal resolvidos do passado que podem eclodir a qualquer momento. Nossa vida é uma sequência e as consequências ocorrem independentemente da nossa vontade, pois não podemos nos predispor ao tempo. Certamente essas coisas não se desligam automaticamente como um “botãozinho” on/off. Talvez seja essa uma avaliação óbvia, porém percebemos que entra ano, sai ano, e sempre prometemos as mesmas coisas; desejamos os mesmos desejos; queremos as mesmas realizações. Isso, de certo modo pode nos passar a ideia de que se não decidirmos, seja em que tempo for, de nada valerá os nossos desejos, pois por si mesmos  não são autorrealizáveis. Um  conselho devemos seguir: Confia teus negócios ao Senhor e teus planos terão bom êxito”. (Provérbios 16:3) Este deve ser o princípio de todas as nossas ações. Assim,  tudo o que realizarmos ocorrerá segundo os planos de Deus para a nossa vida.