segunda-feira, 19 de novembro de 2012

NINGUÉM SUPERA-SE A SI MESMO



Hoje e sempre
Novos desafios fazem parte do processo de amadurecimento e eles surgem proporcionalmente à disposição que temos de enfrentá-los.

Motivação só desperta nossas potencialidades.
Durante esses 23 anos como radialista, vivenciei grandes mudanças, em curto espaço de tempo. Mas as experiências amadurecem a nossa maneira de lidar com as novidades. Aliás, novidades são sempre desdobramentos das realidades com as quais convivemos diariamente. São fatores seqüenciais.  Se  estamos dispostos a acompanhar com atenção as ocorrências quotidianas, estaremos, de fato, fazendo parte dessas mudanças e jamais seremos suplantados por elas. O preparo ocorre naturalmente pela maneira de lidarmos com as nossas atividades. Não é preciso esforço concentrado numa preocupação neurótica e enfadonha para nos prepararmos para o futuro. É preciso estar presente, fazendo a nossa parte, desenvolvendo e desempenhando o nosso papel, a missão que abraçamos.  As observações e percepções que desenvolvemos no decurso de nossas atividades, diminuem o fator surpresa. Nesse contexto, tudo é esperado. Novos desafios fazem parte desse processo de amadurecimento e eles surgem proporcionalmente à disposição que temos de enfrentá-lo, e do preparo que trazemos na bagagem da experiência. Por isso todos esses desafios serão vencidos naturalmente com base nesse suporte. A confiança é elemento chave nesse processo, pois ela torna-se “raiz” para a sustentação dos propósitos de superação.  Ninguém supera-se a si mesmo. Só alcançamos o que nossa capacidade nos permite e isso é algo desenvolvido, aprimorado.

Na minha carreira de comunicador, não seria diferente. É preciso estar ciente das atividades comuns nessa profissão: redigir um texto, fazer uma entrevista, apresentar boletins, comentar, etc. Isso é algo basal. Elementar.  Não há nada de extraordinário. Tive a oportunidade de avançar em várias áreas nos meios de comunicação, como dublador, narrador, comentarista e apresentador de TV.  E não foi por uma busca específica. As oportunidades foram surgindo progressivamente, de acordo com a necessidade de atender a solicitações recebidas. É preciso exercer o domínio de nossa  atividade em todos os campos. Isso não significa estacionar-se. Estar preparado não quer dizer ser auto-suficiente. É preciso estar atento ao que ocorre à nossa volta. Não existe uma fórmula para isso. Cada indivíduo tem em sua essência imaterial, relacionada ao dom, que lhe dá possibilidades de desenvolver essas percepções de maneira natural. Isso vai além do trabalho meramente técnico, que pode ser orientado por estudos e exercícios práticos em laboratórios, por exemplo. Essas informações seguem a uma diretriz elaborada para dar um norte ao exercício das funções que exercemos. Cada indivíduo, mesmo recebendo as mesmas informações, tem uma maneira peculiar de interpretar os signos, que lhe proporciona maior conforto para o desenvolvimento de suas tarefas, a ponto de dominar, não ser dominado pelo trabalho.  É isso que diferencia um profissional de outro. Há os que desenvolvem mais, outros não conseguem avançar além do óbvio entendimento que absorveu. 
Quando  fala-se  em superação, interpretamos que houve dificuldade em lidar com certos desafios. Nesse caso, é muito importante o preparo e a experiência para saber o que fazer diante dos imprevistos. Experiência um dia todos terão. E isso não está relacionado somente ao tempo de atividade, mas também ao seu pleno exercício. Só o tempo de convívio com a atividade que nos torna mais preparados. Os imprevistos também podem ser previsíveis; devemos sempre esperar por eles, mesmo quando planejamos.  Não uma “espera” desgastante,  mas com a consciência “incorporada” de que a linha do acerto é paralela à linha do erro. Não podemos transformar o erro em acerto. Eles são distintos. Mas é preciso saber como superar cada etapa.

No dia 11 de setembro de 2001, estava na redação da emissora com o diretor de Jornalismo José Antonio Ferrari quando a televisão do departamento  mostrou o momento em que um avião atingiu uma das torres do World Trade Center em New York. O  Conexão, programa jornalístico apresentado ao meio dia, estava com suas pautas já definidas quando decidimos, de última hora, entrar no ar, sem textos redigidos. Acionamos correspondentes que esporadicamente enviavam flashes de notícias de relevância internacional para ajudarem na cobertura, ao vivo, por telefone. 

O programa foi apresentado em sua totalidade conduzido apenas pela experiência acumulada na função. Caso como esse não é novidade nos meios de comunicação. Não é algo surpreendente, nem digno de aplauso. Os profissionais naturalmente estão preparados para situações dessa natureza.