quarta-feira, 12 de setembro de 2012

QUESTÃO DE HONRA

Quando a fé for posta na balança
o que vai prevalecer?
Meu pai conheceu a mensagem do sábado - como dia de descanso, separado por Deus na criação do mundo - quando ele tinha por volta de 30 anos de idade. Meus irmãos mais velhos, hoje, cinquentões, eram crianças. Ao crer na mensagem, deu uma reviravolta em sua vida e na vida da família. Era assim que fazia. Firme, decidido nos propósitos que assumia, mesmo que isso lhe custasse o conforto. Ele era comerciante e, em seu estabelecimento, servia bebidas alcoólicas, cigarro, etc. Minha mãe trabalhava junto com ele, fritando aperitivos, salgadinhos que eram servidos aos fregueses. Meu pai decidiu fechar o comércio, para praticar sua fé sem interferências que o levassem a titubear entre dois pensamentos. Assim ele cria.

A "porta" do ganha pão da família foi fechada por sua própria decisão. Assim, saiu a procurar emprego que o liberasse no sábado. Encontrou vaga numa fábrica de balanças no fim dos anos 1960. Quando falou com o responsável pela contratação que precisava folgar aos sábados, mesmo tendo que dobrar outro dia, assim o faria, pois havia entendido que o Sábado era um dia santificado por Deus e nele todo o trabalho de seu interesse deveria deixar de lado. Mas o patrão não o liberou no sábado. Como precisava, começou a trabalhar, mesmo assim, e no sábado seguinte ele faltou ao trabalho pensando argumentar depois com mais ênfase. Mas foi uma tentativa em vão. O patrão o demitiu. Ficou desempregado, com filhos pequenos para sustentar. Saiu a procura de outros empregos, mas sem sucesso.

O fiel da balança de Deus revela sua justiça.
Certa tarde, ao estar em casa, depois de mais um dia de procura, um carro buzinou em frente ao portão. Ele foi atender. Um homem bem trajado desceu chamando por seu nome. Era difícil um carro parar em frente a uma casa no bairro onde morava. Um lugar simples, pouco desenvolvido, contrastando com o luxuoso veículo de cor preta de para-choques e calotas protuberantes cromadas e pneus com faixa branca em toda circunferência. O pessoal chamava o carro de "besouro" por causa da cor e do formato que fazia lembrar o inseto.

-Seu Teixeira, - gritou o homem em frente ao portão. -Eu vim buscá-lo para voltar para a fábrica. Fique tranquilio que vou liberar o senhor no sábado. O senhor quer voltar?

Meu pai o recebeu, convidando-o a entrar. Jamais esperava que o emprego fosse atrás dele, na porta de casa.

E seu ex-patrão humildemente revelou:

-Olha, vou lhe dizer uma coisa. Eu vim aqui lhe oferecer trabalho depois que algo estranho começou a acontecer na firma. Depois de sua demissão, a empresa vinha caindo o movimento. E eu senti que você só queria poder obedecer ao seu Deus. Senti que foi por isso que as coisas começaram a dar errado por lá. Você pode voltar.

Meu pai recebeu aquela notícia e convite como uma provisão divina, devido sua necessidade e por ter orado muito para que as portas lhe fossem abertas.

Incrivelmente, os negócios da fábrica de balanças São Miguel no Rio de Janeiro, voltaram a normalizar-se.