sábado, 11 de fevereiro de 2012

QUEBRANDO PRECONCEITOS


Ele começou a namorar com uma moça de família. Um jovem responsável e trabalhador, porém tinha muita dificuldade de expressar seus sentimentos. Apesar de dizer a pessoas mais próximas de amava sua namorada e com ela desejava se casar, ele era tímido junto a ela. Pensava coisas bonitas para dizer, mas não tinha coragem de falar. Ensaiava algumas palavras que pretendia dizer, mas na hora de se expressar, a timidez o impedia. A moça ficava confusa, sem saber direito o que se passava com ele. Ela perguntava, e ele sempre dizia que não era nada; que ela não se preocupasse. Mas essa maneira com a qual ele se relacionava, começou a esfriar, da parte da namorada.

No fim daquele ano, ele planejava uma surpresa. Com o dinheiro que recebeu do décimo terceiro salário, comprou um belo presente para entregá-la. Muito feliz, chegou em casa e se preparou para ir à casa da namorada para entregá-la o presente e levar a ela uma carta que escreveu, dizendo  tudo o que sentia, e que com palavras não conseguia dizer.

Ainda não aprendemos a aceitar as pessoas
como elas são. 
Mas, quando chegou à casa da namorada, ela havia saído. A mãe disse que ela saiu com umas amigas para o aniversário do primo de uma delas. Com o presente na mão, sua expressão entristeceu-se; não perguntou mais nada e, em sua cabeça, pensava muitas coisas. Ficou perturbado e sentiu-se traído pelo fato de ela não ter dito nada a ele sobre sua saída naquele dia.
Ao voltar para casa, ficou pensativo. No fundo ele sabia de  sua maneira distante de se relacionar por causa de sua timidez e isso lhe causava grande sofrimento. E, não só em relação ao namoro, mas ele tinha dificuldade de dizer não, quando queria dizer não. Dizia sim, apenas para agradar as pessoas.  As vezes dizia sim para questões que sabia que o faria sofrer. Mas achava-se responsável e, para ele, sua palavra não podia voltar atrás. Mesmo insatisfeito com algumas situações, ele dizia que o importante é que estava sendo útil.

Alguns os aconselhava a procurar tratamento psicológico para saber lidar com sua timidez, mas ele sempre recusava.

Finalmente a moça de quem tanto gostava, disse que não queria mais namorar com ele, e romperam - o que os outros que olhavam de fora há esperavam.

Na vida, todos nós temos dificuldades em áreas diversas. Há os que se desempenham bem numa área, enquanto outros, apresentam mais dificuldade. As relações humanas requerem comunicação. Mas é importante reconhecer que nem todos conseguem expressar-se da maneira como desejariam, ou como esperamos e, isso, de algum  modo  torna-se um sofrimento para quem se reconhece assim. Há muitos que perdem grandes oportunidades na vida em áreas diversas, mesmo tendo grande potencial, inteligência e preparo, mas na comunicação interpessoal, por causa da timidez, arriscam-se a  estagnar-se.

Somos formatados segundo os
conceitos sociais.
A mudança do pensar ocorre quando
nos permitimos o confronto de idéias. 

Na verdade, vivemos numa sociedade em que aprendemos a olhar o ser humano de maneira rasa.  Dificilmente paramos para tentar entender o outro; seus olhares, suas expressões. Por trás de uma pessoa que consideramos fechada pode haver um bom amigo, assim como um bom amigo pode ser os mais expansivos. Na área profissional, o desempenho nem sempre pode ser afetado por causa da timidez, dependendo da área onde atua. Procurar olhar uma pessoa de maneira individualizada, fugindo aos apelos dos esteriótipos que a sociedade cria, pode nos fazer descobrir grandes seres humanos, competentes e produtivos, mesmo aqueles que aparentemente nos fazem jujgá-los como indiferentes, distantes e introspectivos. Como não aprendemos a lidar com isso, pelo formato com o qual somos criados, isso, certamente dá trabalho e, de fato, aprendemos que os semelhantes se atraem - assim, dificilmente saberemos aceitar as diferenças, provocando divisões, as  facções, tribos, e julgamentos precipitados. Quando nos permitirmos a boa vontade de não olhar apenas para as expectativas que criamos em relação ao outro, mas procurar aceitar as pessoas como elas realmente são, do mesmo modo, daremos a nós mesmos a oportunidade de mudar nossos conceitos e quebrar preconceitos.