segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

NOVA VIDA, VELHOS AMIGOS


No passado, ele tinha um histórico de pessoa complicada, de gênio difícil quando se tratava de opiniões pessoais. Era firme no que defendia e, até mesmo agressivo para defender suas opiniões. A verdade é que ele respeitava a opinião e posição dos outros, por isso opinava com respeito; mas irritava-se com facilidade, quando era contrariado. Queria ser tratado da maneira como tratava. Mas nem sempre era assim. Por outro lado  era uma pessoa querida, por ser amigo e ter um espírito solidário e colaborador. Era espontâneo quando percebia que alguém precisava de ajuda.
Mudar de vida não é isolar-se
das realidades indesejáveis
mas com um novo olhar,
vislumbrar um futuro promissor. 


Ele tornou-se evangélico; foi batizado numa igreja e, como membro atuante, com a mesma maneira espontânea e humana de lidar com as pessoas a quem amava, agia com seus irmãos na fé.  Mas sua conversão ao evangelho, não cortou vínculos com seus velhos amigos. Apesar de receber muitas críticas de alguns, que diziam ser muito arriscado ele continuar participando das mesmas coisas do passado, ele não dava ouvidos. Diante disso, ele até criava discussões acaloradas para defender seu comportamento, que para ele era correto.  Ele pensava que a religião não podia ser um pretexto para se afastar de pessoas que tem outras maneiras de pensar ou levar a vida, pelo contrário, o princípio da religião como dizia, era um meio de ajudar pessoas a se religarem a Deus.  Ele dizia aos críticos,  que  não  encontrava uma outra maneira de testemunhar aos velhos amigos, se não fosse pela amizade e pelas boas relações.  

Para ele, deixar de lado "o velho homem", não tinha relações com o exterior, mas com a transformação operada no coração.  Isso gerava polêmica com os tradicionais, e, assim, era observado, mesmo que à distância, por aqueles que ainda desconfiavam de sua verdadeira conversão ao evangelho.
Certa noite, ao caminhar para sua igreja passou em frente a uma roda de samba e, ali, estavam seus velhos amigos, quando um deles o chamou. O amigo parecia bêbado; falava com dificuldade, com uma pronúncia pesada, característica de quem está alcoolizado.  Estava com as roupas sujas, como quem já havia caído na calçada. Seu amigo evangélico parou, enquanto os batuques dos tambores continuavam, atrapalhando a conversa dos dois.

Mudança de vida,
nem sempre sugere
mudança de lugar. Mas de atitudes. 
Então, o amigo, alcoolizado, foi convidado a sair de perto do barulho para que pudesse ser ouvido. O outro estava ali, parado, na esquina, com trajes de igreja, com a Bíblia na mão, ouvindo um homem que estava sendo rejeitado pela família; um homem que entregou-se à bebida, por uma desilusão amorosa muitos anos antes, da qual não se recuperou.

Ali, na roda de samba, buscava o apoio da companhia de amigos, onde bebia, extravasava suas emoções com o cantarolar às vezes balbuceado, dos ritmos dançantes. Mas foi ali, conversando com o samba como trilha sonora, que disse ao amigo que não agüentava mais aquela vida. Que havia perdido o grande amor de sua vida e que precisava muito de ajuda para superar sua desilusão. Ele pediu oração ao velho amigo, pois dizia que ao ver sua mudança de vida, gostaria de ser como ele agora. Seu amigo, a caminho da igreja, ouvia atentamente, quando percebeu que estava atrasado para o culto. Mas, continuou ali mesmo, onde estava, ouvindo aquele jovem, já com aparência castigada pelo sofrimento e muitos anos como usuário de álcool. As faces pálidas e encovadas; com uma mente ao mesmo tempo perturbada, esforçava-se para ser compreendido.  Mas recebeu atenção e seu pedido foi atendido pelo amigo, que decidiu continuar junto aos seus velhos amigos, para mostrar-lhes que a solução existe.

 
Na verdade, muitas vezes pensamos que a conversão ao evangelho, é afastar-se de pessoas que consideramos más influências. Mas entre elas, há corações sedentos de vida, de esperança, de amor. Assim como fomos alcançados, poderemos ser instrumentos de Deus para ajudar ao aflito e  ao necessitado e, aos que, sem uma perspectiva de vida, tendem a fazer o que é mais conveniente diante de seus olhos. Quando aceitamos a salvação, também nos tornamos instrumentos de salvação para outras pessoas. Deus nos chama para servir, não os que já estão servidos, mas aos que ainda tem fome do pão que sacia para a eternidade.