segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

NOVA CHANCE


Em todo fim de ano ele prometia à família que deixaria de beber. A bebida o estava prejudicando, tanto no trabalho, quanto em suas relações sociais. Essa promessa que fazia, tinha muito a ver com os constrangimentos que sentia.  Era uma promessa que expressava mais um desejo, do que sua possibilidade solitária de lutar contra o alcoolismo. No trabalho já estava passando por problemas por causa da bebida.  O patrão já havia dado várias chances para ele, por ser um bom profissional  e muito competente em seu quadro de funcionários. Ele parecia um escravo do alcoolismo.
Estender a mão em sinal de apoio
é grande alívio para quem precisa de ajuda. 

Ele chorava e  se lamentava porque não tinha forças para deixar a bebida.  Ele sempre prometia à família, mas não conseguia cumprir. A força de vontade dele, necessitava de ajuda externa, pois como dependente alcoólico, sua vontade não era suficiente.  Ele tinha consciência que sua vida estava sendo arruinada.

A situação tornou-se insustentável, quando ele sofreu uma convulsão alcoólica de tanto que havia bebido durante as festas de fim de ano.

Foi em 1996 que às pressas foi internado na emergência de um hospital público. Mas foi ali, no corredor da emergência, diante da família, que chegou um homem. Parecia um cristão. Dizia com palavras de conforto, que aquele problema não estava perdido. Aconselhou os familiares a  procurarem a clínica onde ele trabalhava. Segundo ele,  muitos em condições piores eram recuperados da bebida. Mas naquele momento, a família estava muito preocupada com o estado de saúde do rapaz, que acabara de entrar em coma alcoólico e  quase morreu.

A família descobriu depois, que o motivo de ele  ter se embriagado daquele jeito, era por que ele havia assinado aviso prévio da empresa onde trabalhava.

Quando há afinidade nos propósitos
as ações ganham reforço. 
Ao se recuperar, ele contou à família que não aguentava mais aquela vida - a família o incentivou a se internar numa clínica para se recuperar do alcoolismo. Mas a clínica cobrava uma taxa de manutenção mensal. A família não tinha condições urgentes para interná-lo. Mas cada um foi fazendo sua parte, juntava um pouco aqui, um pouco alí, e conseguiram o montante necessário. Foram 06 meses para passar pelo período de desintoxicação e tratamento. Agora ele parecia recuperado, com uma aparência melhor, saudável e muito  disposto. Ele foi orientado a não frequentar lugares onde tinha bebida e que nesse período era importante ele evitar toda e qualquer situação que o levasse à bebida.


E assim foi. Já se passaram 15 anos. Nunca mais ele pôs um gole de bebida na boca. A família o ajudou. E ele aceitou ajuda, sem ser criticado, ofendido ou discriminado. Ele  estava consciente do drama e do sofrimento que vivia.

Na vida, precisamos de chance, de uma nova oportunidade. Sozinho, as vezes torna-se difícil. Seja qual for o problema, é com o  compartilhar de nossos dramas, que encontramos refúgio e auxílio. Mais que receber uma chance, ele se permitiu uma nova oportunidade. Isso é possível a todos. A compreensão da família, o respeito quanto ao problema que o outro vive, a solidariedade e a amizade, são indispensáveis em toda e qualquer situação que comprometa a vida de alguém, que não conseguiria livrar-se de seus problemas sem encontrar apoio.