sábado, 18 de fevereiro de 2012

E QUANDO O CARNAVAL PASSAR?


Buscar o Senhor enquanto se pode achar e
invocá-lo enquanto está perto
deve ser comportamento diário. 

O  período de carnaval exerce grande interferência na  vida das pessoas, até mesmo em relação aos crentes. É comum o esvaziamento dos templos em que muitos se retiram para passar os momentos do feriadão fora das grandes cidades, para, de alguma maneira,  fugir das agitações que essa festa popular sugere. É comum, também, o planejamento para essas viagens que mesmo sob a justificativa de fugir do carnaval e dos barulhos e incômodos que provoca, nem sempre o tempo é utilizado mesmo para a meditação, a reflexão sobre as condições espirituais que o mundo atravessa, até mesmo em questões pessoais diante de nossos comportamentos e decisões na vida.

Em épocas como páscoa em que os cristãos exaltam o cordeiro de Deus, em vez do coelhinho da páscoa e seus ovos de chocolate; como no natal, em que aproveitando a data utilizamos para chamar a atenção para o verdadeiro sentido da data, no carnaval não é diferente. Os apelos são sempre os mesmos. Utilizamos o discurso de que “como nos dias de Noé” as pessoas estavam distraídas com as coisas da vida até que veio o dilúvio e a todos consumiu.  Não são apenas os divertimentos ou momentos de euforia que  levam-nos à distração. Hoje, as possibilidades para a distração são bem maiores, mas não importa a realidade. A distração passa a ser um estilo de vida e, esse estilo escraviza. Somos distraídos e absortos por aquilo que damos mais importância e vivemos em torno disso, até mesmo por causas que julgamos necessárias.  O caso de Maria e  Marta  e o  comportamento que adotaram diante de Jesus, nos traz à luz a essência da mensagem. Jesus não era um estranho entre elas.

É importante, sim, acentuar as mensagens de advertência ao mundo e levar pessoas à reflexão. Mas o que o nosso recolhimento pessoal pode significar para a vida daqueles que preferem se divertir no Carnaval? De que maneira esse recolhimento que fazemos  mostra, de fato, a nossa necessidade de uma aproximação com Deus?

Cada um pode fazer de seu momento
 de comunhão
um estilo de vida, mesmo longe dos templos. 


Aprendemos que o nosso momento de comunhão, reflexão e meditação precisa ser diário. E, se isso não ocorrer no nosso dia a dia, dificilmente poderá ocorrer num momento em que nos retiramos em grupo. Mesmo diante da programação elaborada para esse fim, é preciso que a mente esteja preparada para esse propósito, senão, de algum modo, o retiro será também um momento de divertimento e passatempo, mesmo diante de atrações que consideramos saudáveis dentro da proposta que defendemos; do mesmo modo como os que encontram na festa carnavalesca um motivo para se divertir, brincar entre amigos e realizar o que gostam dentro de sua realidade. Ou seja: nada de novo acontece: cada um na sua, buscando fazer o que sempre fizeram. E Deus e sua mensagem continua a mesma para todos. 

Talvez seja cômodo da parte dos que não compactuam com a “festa da carne”, adotar um pensamento crítico, mas não é isso que pode operar a mudança que necessita ser operada. Ainda que nos afastemos das grandes cidades e das agitações comuns, isso também não trará a mudança de vida buscamos, assim como somos orientados pela revelação Bíblica. Parecemos viver de certo modo, “orquestrados” pelo sistema secularizado cujas ações ativas e propositivas ocorrem por esses estímulos, que tem prazo de duração definido.  A vida “espiritual” não é robustecida por alimentos temporários como os compartilhados em palestras, exposições e testemunhos que ouvimos normalmente nesses encontros. Tudo tem sua validade, não necessariamente como algo que venha interferir numa mudança de vida. A questão vai além daquilo que ouvimos ou das sensações que temos diante de determinada mensagem ou exposições que impressionam em determinados momentos.

Assim como a festa da carne dura alguns dias, do mesmo modo o retiro “espiritual” tem seu período determinado. Assim como os carnavalescos voltam a sua vida normal após a folia, os retirantes espirituais também voltam à sua rotina após o feriadão. E a vida continua. Como? De que maneira? Assim como foi nos dias de Noé, tem sido em nossos dias. Isso é fato. Tanto para os que estão ajudando a construir a arca, quanto para os que debocham e caçoam da mensagem de diversas maneiras. Poderemos estar adotando o mesmo comportamento daqueles que continuavam sua vida normalmente e indiferentes com o compromisso que temos de ajudar a levar pessoas ao caminho da salvação. Preferimos viver em tribos, em células, compartilhando nossos pensamentos; nos   confortamos  pelo fato de termos encontrado a verdade; compartilhamos nossa literatura, nossas músicas entre o nosso grupo e continuamos  alheios. Nos  satisfazemos  em criticar aos de fora e, internamente, aplaudimo-nos uns aos outros; fazemos a nossa própria festa; produzimos a nossa própria comida; dançamos a nossa própria música.  

Hoje, como em qualquer outra época ou dia da semana,  precisamos nos despojar da nossa própria justiça e permitir que Jesus entre em nosso coração para realizar a mudança e operar a conversão. A conversão não é diária como pensamos. A perseverança, sim. E ela só é possível quando aceitamos definitivamente O Caminho, A Verdade e a Vida. De outra sorte, viveremos uma vida penitente em todos os momentos, apresentando-nos como miseráveis por reconhecer o nosso estado, deitando nas cinzas e nos vestindo com pano de saco, mas sem uma entrega real do coração, pedindo a Jesus o que ele já nos ofereceu; “buscando” uma verdade que já encontramos  mas não a praticamos.  Se assim ocorrer, seremos multiplicadores dessa mensagem, refletindo em nossa vida a ação do Espírito Santo e ajudando a outros encontrarem esse caminho, mesmo que necessitemos ir onde o pecador está.  
Precisamos adotar a missão de “pregar a tempo e fora de tempo” e não sermos motivados apenas como mensageiros reacionários, mas propositivos. Que não falemos apenas em momento oportuno, motivado por ações coletivas de grande repercussão, mas que a transformação de nossa vida seja contagiante em todas as situações.