quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

APAZIGUANDO A CONSCIÊNCIA


Ele era um jovem muito sonhador. Queria trabalhar, estudar, conseguir futuramente um bom emprego e ajudar a família. Ele queria construir um futuro melhor, diferentemente da realidade dura que enfrentava seus pais.

O jovem, foi criado sob princípios religiosos e, seus pais, deixaram escapar grandes oportunidades, porque acreditavam que religião e trabalho tinham que estar em harmonia. Para eles, seria chocante o fato de passar por cima de seus princípios só por causa de um bom salário ou uma boa colocação no mercado. Dinheiro não era tudo para eles. Uma consciência tranquila, sim.
Quando estamos decididos,
dificilmente pensamos duas
vezes no momento da prova. 

Foi sob esse sistema que o jovem foi educado. Até que seu tio, que trabalhava em uma grande empresa, conseguiu um emprego de office boy para ele. O jovem, ainda no período de experiência foi chamado na sala da chefia. O chefe pediu à ele que fosse no bar da esquina comprar um maço de cigarros. Diante do chefe, ele demonstrou preocupação, sem expressar imediatamente alguma palavra. Ficou chocado com o pedido e sem saber o que fazer naquele momento. O chefe olhava firme para ele, como que esperando a reação natural de pegar o dinheiro e dirigir-se ao referido bar para comprar-lhe o cigarro. Mas, sem graça, olhava para o chefe como querendo dizer alguma coisa. Como fazer isso?  - pensou ele. Seus pais nunca fumaram. Ele, criado nesse ambiente, como um jovem religioso, aprendeu que o mal que não queria para si, também não fizesse ao outro.

Por outro lado, ele pensava que poderia colocar seu emprego em risco, se não fizesse aquele favor para seu chefe. Mas ele decidiu fazer o que seu coração dizia. Ao mesmo tempo, pensou que se fosse penalizado pelo que achava certo, pelo menos sua consciência estaria tranquila. E foi assim que disse ao chefe, que se ele quisesse um outro favor, poderia fazer, porque comprar cigarro não achava certo. E explicou seus motivos. O chefe olhava para ele friamente, ouvindo as explicações - e ele continuava: dizia que seus pais nunca fumaram e que também nunca fumou porque o cigarro fazia mal à saúde. Finalmente disse que o mal que não deseja para sí, não deseja para o outro.

O dinheiro do cigarro que estava na mão do chefe, que antes, estendia em sua direção, foi colocado no bolso da camisa novamente. Depois de dizer essas palavras o jovem se sentiu aliviado.
O chefe disse ao jovem, que nunca ninguém havia negado esse pedido a ele. Todos que passavam pelo seu departamento, nunca demonstraram esse tipo de preocupação, com uma coisa que considerava tão simples. E acrescentou: - a partir de hoje, você terá minha grande consideração e farei de tudo para que você seja bem sucedido aqui na empresa. Porque se você valoriza as pequenas coisas e se preocupa com a sua consciência, você está aprendendo a ser um ser humano melhor.

Na verdade não foi o fato de o jovem ter sido comparado de maneira superlativa aos demais “compradores de cigarro”, que o tornou melhor que os outros. Aliás, cada ser humano vive de acordo com sua realidade e com seu aprendizado e, muitos, aos poucos, passam a entender com suas experiências de vida. Outros, continuam achando tudo muito normal, assim como o exemplo que o chefe deu àquele jovem. Mas o ponto forte que definiu o caráter daquele principiante, foi o de ter mantido firme sua posição e consciência diante de uma “prova” , que pensava ele poder lhe custar a primeira oportunidade de emprego.

Em outras situações, as coisas não são diferentes. As atitudes que tomamos, é que de fato, expressam o que defendemos, o que aprendemos e o que seguimos. O que poderia mudar, se levarmos em conta o pensamento prático e superficial? Tudo poderia continuar como estava. O chefe não deixou de fumar por causa disso, nem o jovem sofreria de maneira direta algum efeito se tentasse apaziguar a consciência com o pensamento de que não estaria induzindo ninguém ao vício, pelo contrário, estaria fazendo um favor a alguém, ajudando-o a alcançar a coisa desejada.
Os caminhos estão diante de nós
Eles não nos fazem piores ou melhores,
mas podem revelar o que buscamos. 


A verdade, é que se quisermos, conseguiremos argumentos para massagear a consciência e, isso, repetidas vezes, acaba tornando-se comum. Sob variados pontos de vista, temos variados argumentos e possibilidades de nos mantermos, de algum modo, em  “paz” com a nossa consciência.  É nesse ponto, que começamos a ensaiar com o nosso “eu interior” um discurso conveniente, que muitas vezes tornam-se até convincentes e conseguimos encontrar quem nos dê razão.

Na vida sempre estamos diante de situações assim. Precisamos escolher entre uma consciência tranquila ou aceitar fazer o que imediatamente pode ser uma promessa de oportunidades que sonhamos na vida. De fato, o que ocorreu a esse jovem, não é comum. O chefe poderia ter se endurecido e não ter reconhecido a questão espiritual decisiva por trás da atitude daquele jovem e não deixaria de ter razão, sob seu ponto de vista e realidade de vida.
Mas nem todos tem a  sensibilidade de entender e respeitar o outro em suas crenças ou modo de agir, diante de coisas que parecem simples e comum a todos. Mas, mesmo tendo que pagar um preço, talvez, o melhor mesmo é a decisão por uma consciência tranquila e ter paz consigo mesmo.