segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

TÁ RECLAMANDO DE QUÊ? !


O acesso a informação tem provocado mudança de argumento da publicidade de alimentos,  muitos dos quais, criticados por  nutricionistas, ao considerarem seu baixo valor nutricional ou por oferecerem calorias vazias. O hábito alimentar saudável passa a ganhar mais adeptos, a partir do momento em que ele deixa de estar ligado apenas ao âmbito religioso e alcança a população por meios menos dogmáticos. Apesar da orientação bíblica, de que o nosso corpo é o "templo do espírito santo", e que por isso devemos evitar alimentos insalubres para não contaminá-lo, para a população, em geral, o entendimento maior é quando essa revelação bíblica é  "codificada" pelos estudos científicos e defendida em grande escala por especialistas no assunto de saúde. Mais cedo ou mais tarde, o princípio bíblico alimentar passa a ser compreendido.

Quando a questão de saúde é defendida no âmbito religioso apenas, sem respaldo de médicos, nutrólogos e pesquisas científicas, pode não exercer o mesmo efeito. Há  diferença em ouvir a explanação sobre questões de saúde de um pastor ,ou estudioso e pesquisador da bíblia, e de uma autoridade no assunto. Pode ser o mesmo que colocar um nutricionista para tratar de assuntos religiosos doutrinários em suas palestras. É muito comum que assuntos de importância significativa deixem de ser aceitos por terem sido defendidos por bandeira religiosa em passado recente.  Com a abertura da informação, essa restrição diminuiu e, hoje, a compreensão é maior, dando maior sentido ao que o princípio bíblico defende como alimentação saudável, no livro de Gênesis.

Em tempo algum, nunca houve tanta oferta
de alimentos prontos: "T
empo é dinheiro". Para quem?
INFORMAÇÃO E ESCOLHA

E se não houvesse a liberdade de informação, como seria a escolha do consumidor, diante de tendências mercadológicas? 
Se, por outro lado não houvesse cobrança maior de órgãos de saúde pública  talvez, seríamos consumidos de maneira assombrosa pela publicidade de produtos com superprodução e apelos psicológicos, que destacam  bem estar; a vida em família; o jantar à mesa; o café da manhã, a vida saudável, o que, de fato é algo fictício, como explorado em toda publicidade, cujo "enredo" é preparado estrategicamente, com a participação até de especialistas para garantir um melhor efeito psicológico que leve o público a despertar, de algum modo,  interesse pela  experimentação do produto anunciado. 

O apelo positivo pode até existir.
Mas é a imagem que aguça o apetite. 

O incentivo ao exercício físico, a dieta equilibrada; a diminuição do consumo de alimentos gordurosos e pré-prontos, tem levado a indústria da publicidade sugerir uma outra abordagem das propagandas, mas, que de fato, não muda a fórmula desses alimentos nem altera o seu efeito.

Quando poderíamos imaginar um comercial de margarina incentivar a prática de esportes,  por exemplo? E aquela famosa rede de lanchonetes americana, reconhecida por seus sanduíches calóricos e gordurosos cada vez mais incrementados,  oferecer saladas em seu cardápio?

Certamente, essas medidas são tomadas, principalmente, porque a população está  melhor informada sobre o fato de a ingestão de alimentos ter uma íntima ligação com a saúde e a qualidade de vida. Isso não significa "conversão" das indústrias desses alimentos. Só o discurso muda, para ganhar a simpatia dos que aprenderam estar mais atentos à saúde.   

A abordagem muda. Só não se altera a essência desses produtos que ainda estão presentes nas gôndolas dos supermercados com uma variedade excepcional nunca vista antes em toda a história da produção e consumo de alimentos. É cada vez maior o número de produtos pré-prontos e uma infinidade de alimentos expostos, que oferece maior praticidade e comodidade para uma nova geração refém do tempo.  É essa a abordagem dos comerciais: Você não precisa saber cozinhar. É só levar ao forno, e pronto! Já existe todo tipo de alimento preparado, com o modo de fazer da indústria gastronômica.

Já foi o tempo em que os lares produziam uma maior quantidade de lixo orgânico, exatamente por consumir produtos in-natura. Dificilmente via-se nas lixeiras, tantas embalagens de alimentos, como se vê atualmente. Lembro-me bem de quando eu era criança, o lixo produzido lá em casa era casca de batata; talos de verduras; cascas de cebola; restos de legumes, etc, que serviam de adubo para a horta do quintal. 

Preparação do alimento:
cena cada vez mais rara na família moderna


Com o passar do tempo e com a modernidade, em que a mulher também passou a ocupar várias funções, o papel da mãe cozinheira que preparava os alimentos para os filhos tornou-se menos praticável. 
Dificilmente observa-se hoje as mamães preparando o bolo, batendo a massa, junto aos filhos. Já tornou-se comum até a merenda ser comprada nas cantinas das escolas.  É mais prático comprar o bolo pronto, do sabor que quiser. É menos trabalhoso dar o dinheiro para o filho comprar o lanche na escola, do que preparar a merenda em casa, como era costume muito comum em décadas passadas. Dentro da "lancheira" ou "merendeira" como se chamava o recipiente que as crianças levavam penduradas no ombro, levava-se o que a mamãe preparava. 

Sem dúvida, essas  pequenas  atitudes  ao longo dos tempos, vem trazendo efeitos que  podem ser percebidos na saúde. O hábito de preparar os alimentos tem se perdido – e somos bombardeados a todo instante por publicidade de uma variedade de opções em comidas e guloseimas. O efeito disso é rápido. Hoje em dia, até mães que amamentam, tem a opção de armazenar o leite para que não seja necessária sua presença na hora de alimentar o filho, deixando a cargo de outra pessoa - por causa de suas obrigações de trabalho fora de casa. Essa mudança de comportamento social, também podem gerar seus reflexos na afetividade. O simples fato de a mãe preparar o alimento para o filho, demonstra carinho e cuidado especial. É bem verdade, que aos poucos, a tendência é que esse comportamento se torne comum, fazendo com que nos adaptemos a essas situações. 


VOCÊ DECIDE
Mas, para ninguém ter do que reclamar, as famosas marcas desses alimentos, patrocinam campanhas de saúde, incentivam o esporte, etc.

Alimentos congelados pré-prontos.
Opção para quem não tem "tempo".
A suma é: Você pode comer a vontade, mas faça exercícios. Você pode beber, mas beba com moderação; se beber não dirija. Coma aquela feijoada gordurosa, mas tome aquele antiácido, que resolve.

De algum modo, sempre se recorre a paliativos para, ninguém tendo do  que reclamar,  passa a se responsabilizar pela escolha e consumo desses produtos. De verdade, é mais uma maneira hipócrita de tratar essa questão, por mais que queiramos olhar positivamente para as mensagens que apenas servem como  “licença” para que as fórmulas consideradas nocivas continuem fazendo parte da composição desses alimentos. No final das contas, diante de tanta apelação, é como se dissessem: eu avisei: “bebeu por que quis; comeu por que quis; fumou por que quis”. Não reclame. Eu avisei!
Alimentos congelados e semi prontos
 são expostos em locais estratégicos










A  ABIA (Associação Brasileira da Indústria Alimentícia), fez um levantamento sobre o consumo  de refeições (pratos, lasanha, feijoada, sopa, massas e outros), lanches, pizzas, pães e salgadinhos prontos para servir e resfriados aumentou suas vendas a taxas médias anuais de 13,2% entre 2005 e 2009. A ABIA  estima ainda que o volume de consumo no setor, foi de R$ 2,78 bilhões em 2009.   


O poder de consumo do brasileiro aumentou, segundo estatísticas e estudos socioeconômicos,  mas  não há educação alimentar adequada para a seleção e uso racional dos alimentos. Comida e prazer estão associados, mas a principal função dos alimentos é nutrir.