sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

SÓ PODIA SER UM ANJO... MAS ERA UMA MULHER



Ele olhava as horas no relógio e caminhava apressadamente, tentando passar em meio a uma multidão que acabava de desembarcar do trem na estação de sua cidade. Mas o grande número de pessoas o impedia passar com facilidade. Com muita dificuldade continuava até que a multidão foi se dispersando, e cada pessoa tomando sua direção.
Cada indivíduo é uma vida, uma história!

Ele estava preocupado com o horário de chegar em casa. Preocupado porque havia algumas coisas para comprar  para a sua ceia de natal. O pagamento atrasou. E teve que esperar até o último instante para ter os recursos, os quais, já não eram suficientes nem para suas despesas comuns. Mas, a ceia de Natal, não podia passar em branco.

Ele trabalhava como servente e autônomo e, diferentemente de quem é empregado, não tinha cesta de natal para ganhar, como muitas empresas oferecem aos funcionários. Apressadamente, atravessando na frente dos carros, chegou ao supermercado que estava lotado. Mas, alí na calçada, havia uma mulher com o filho no colo. Ela, com uma receita médica na mão,  abordava as pessoas pedindo dinheiro para comprar o medicamento para o filho que chorava em seus braços.

Ele passou de longe, tentando fugir do tumulto de última hora, e sequer olhou para aquela mulher. Além do cansaço pelo esforço do trabalho, ele queria resolver logo o que precisava, para assim continuar o caminho de volta para casa.
Em meio à multidão, você não é mais um:
 Você é único.


Mas para a sua surpresa, quando saía do supermercado, percebeu que aquela mulher era sua esposa, que havia levado seu filhinho ao médico e precisava urgentemente do medicamento. Ela não conseguiu medicar o filho no posto de saúde, pois o local estava cheio e com atendimento precário. Ao deparar-se com a situação, ele entrou em desespero. Não sabia o que fazer naquele momento. O pouco do dinheiro que recebeu, havia gastado com algumas guloseimas especiais para que sua família tivesse uma noite de natal com um pouco mais de fartura. Sabia que as outras contas e despesas poderiam esperar até o fim da outra semana, quando receberia novamente parte do salário.

Um pouco mais à frente, uma família estava com o carro estacionado, e observava  a cena de onde estava. Prestou atenção em cada gesto do casal, e percebeu que eles estavam com problemas. Foi então, que descendo do carro, uma mulher, de boa aparência e bem vestida, se dispôs a ajudá-los. Ela fez o que se sentiu tocada a fazer naquele momento. Ela foi até à farmácia e comprou o remédio para o filho daquele casal e, mais ainda, levou aquela família em casa, dando a ela carinho, compreensão, e alguns presentes para seus filhos. Cena como essa, pode acontecer frequentemente no nosso dia a dia.

As vezes, preocupados com os nossos assuntos, nem notamos que diante de nós, há pessoas sofrendo. Quão bom é sabermos também, que em meio a multidão, há olhos que nos vêem, e mãos que vêm ao nosso encontro para prestar socorro. Todos os dias temos a oportunidade de ser útil a alguém. De emprestar nosso ombro, de ouvir sobre seus medos e anseios. Todos os dias, temos a oportunidade de sermos um anjo para alguém. É só olhar um pouco à sua volta. Faça isso, mesmo que a multidão, seguindo seu curso, não pare para olhar a quem caiu à beira da estrada. Numa dessas, você pode estar ajudando um filho seu.