domingo, 1 de janeiro de 2012

O CAVALO DA SORTE


O cavalo branco

Há muitos que provocam uma oportunidade, porém, quando ela se abre, nem sempre  cumprem  os requisitos para usufruí-la plenamente.

"A oportunidade é um cavalo branco que passa somente uma vez na vida. Se ele passar e você não montá-lo você não terá mais chance”.
Há quem considere o fator "sorte"
para a realização na vida.
 


Assim falava seu Vicente. Era um homem idoso, alegre, espontâneo, tinha algo de misterioso nas palavras, como essa que transcrevi. Morava no mesmo bairro que minha família. Tinha uma risada forte, dava para perceber sua presença ao longe. Gostava de contar causos e anedotas a quem parava para ouvi-lo.

Fui crescendo e, de vez em quando, parecia ouvir a voz do seu Vicente na minha mente. E começava a pensar e refletir sobre aquela frase. Eu era ainda um menino, e achava uma crueldade a tal  “oportunidade” passar uma única vez na vida. Não me conformava com essa idéia. Oportunidade é algo abstrato, mas se materializa quando estamos aptos para recebê-la. Aptos ou não para aceitá-la, ela ocorre quando a “provocamos” também.  

Há muitos que vivem provocando oportunidade, porém quando ela se abre, nem sempre cumprem os requisitos para usufruí-la plenamente. Mesmo havendo possibilidades de novas oportunidades, aquela que deixamos passar não é recuperável. Cada oportunidade é única e insubstituível. Se não estivermos aptos para usufruí-la, ela passa a outros.

Mas a oportunidade, ao contrário do pensamento do “filósofo popular” não é algo que surge misteriosamente como um cavalo branco que passa esperando que alguém suba em seus lombos e cavalgue como se esse fosse o ápice de uma realização.  O “montar” o cavalo poderia ser apenas a primeira ação, diante  de uma oportunidade pois para a cavalgada segura, é preciso ter preparados todos os apetrechos e equipamentos para “guiar” essa oportunidade pela estrada afora. Sem essas medidas de segurança, a oportunidade pode se perder pelo caminho, “chacoalhada” pelo trote.
Na estrada da vida também
deparamos com trechos perigosos


Esses apetrechos e equipamentos, seriam as condições que criamos, sejam materiais ou imateriais.  O “trote” da cavalgada representa os embates, os desafios, e  os confrontos no decurso da jornada.  É preciso estar consciente sobre a maneira, o tempo e a hora de utilizar esses mecanismos de segurança. É a lucidez sobre os nossos atos, os propósitos e os planos que “desenhamos”, que nos mostrarão o momento certo de agir com mais intrepidez e energia para nos mantermos no caminho da conquista sem desanimar.  Não são  as  ferramentas  o mais importante: é a maneira de manuseá-las que faz a diferença. Há muitos que perdem grandes oportunidades, mesmo com todos os elementos favoráveis e com todo suporte para seu desenvolvimento.


Ted Williams - mendigo que ficou famoso pela
"Voz de Ouro" e ganhou emprego
numa emissora de rádio americana.
Alcoólatra, teve problemas de relacionamento no

trabalho. 
De certo modo, as oportunidades estão sempre diante de nós.  O   preparo que pensamos ter, é que determina nossas ações de ousadia para encará-las. Isso não se refere apenas ao preparo didático acadêmico ou por teorias, mas também à disposição interior do indivíduo diante de suas motivações.

A capacidade de lidar com as oportunidades é, em muitos casos, amadurecida diante da percepção e análise profunda do indivíduo sobre suas potencialidades. Há muitos que inicialmente não se achavam capazes de exercer alguma função ou assumir responsabilidades, mas com a aceitação do desafio e  com olhar em suas limitações com o objetivo de buscar alternativas tornaram-se aptos a superar dificuldades.
É preciso ficar bem definido que a atividade precisa testemunhar de quem a exerce. É o trabalho que torna alguém  reconhecido e, consequentemente, requisitado a realizar seus serviços. Quando alguém chega a esse nível, é certo que as oportunidades se abrem ainda mais. Novos horizontes se despontam. É a maneira de conduzir e lidar com as experiências, levando-se em conta as exigências e, por outro lado, com a consciência  de até aonde se pode avançar, bem como com atenção voltada às reformulações e atualizações, tornará o indivíduo apto a permanecer em movimento constante, construindo, inovando, crescendo.
Não seria inteligente olhar a oportunidade como algo que surge aleatoriamente. A melhor oportunidade é aquela que construímos, de acordo com nossas aptidões, auto-confiança e determinação sobre o que fazemos, não somente as oportunidades que nos propõem. 

Algumas oportunidades propostas podem confrontar-se com juízo de valor, princípios morais ou religiosos, ou à alguma questão de foro íntimo, relacionada à formação de caráter, às crenças, etc. As realizações em todas as esferas só se concretizarão em sua essência, se elas estiverem em sintonia com a consciência individual desses valores. Para muitos, melhor que a realização profissional ou financeira é a paz interior, com a certeza do cumprimento de seus deveres  sobre  o que  julga  mais importante. Diante de uma oportunidade é importante considerar não apenas o que se vai ganhar, mas de que maneira esses “ganhos” poderão evoluir para  perdas do que já se conquistou em várias áreas da vida. Diante de oportunidades, é preciso tomar decisões. E não há decisão sem perda.  
A maneira como subimos a escada da vida,
pode determinar a nossa permanência no topo. 

O topo nem sempre é o lugar  que alcançamos
mas a atividade que praticamos.

É muito comum ter que abrir mão de alguma coisa para obter outra. É preciso considerar se essas perdas são recuperáveis ou como sobreviver a elas caso não haja uma maneira de repará-las. O indivíduo arrisca-se a entrar em choque consigo mesmo quando avança em determinado terreno, desprezando seus valores.  A   longo    prazo,  isso  pode   custar-lhe a paz de espírito, o que torna-se um entrave para a felicidade e uma vida de realização plena. A plenitude da realização não está na dimensão ou no valor da conquista, mas em sua essência imaterial. É aquilo que resta em nós quando perdemos de vista o que é concreto. A real prosperidade na vida, a partir de uma oportunidade,  não se dissocia desses valores. Aliás, os valores imateriais são aqueles os quais ninguém poderá roubar-nos. É aquele que não se perde, mas se renova na manutenção dos princípios, na linha da boa fama, da decência, da solidariedade, da honestidade e da honra. Prosperidade não se baseia na materialização de um sonho, apenas. O material é somente a prova de uma conquista, onde não terá que se provar a maneira como foi conquistado.

A luta entre a carne e o espírito é o maior desafio que o homem tem que enfrentar. Porque é uma luta dele contra ele mesmo em sua introspecção. Não há como substituir. São as nossas intenções que trabalham a nosso favor ou contra nós. São as intenções que nos revelam, de fato, o que somos, de acordo com os métodos que escolhemos.