quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

NÃO PRECISO DE NADA, OBRIGADO.


No livro de Crônicas, encontramos explicitamente as condições que Deus propôs para ouvir a oração do povo que se chama pelo seu nome. Como entender essa exclusividade de um povo que chama para si a responsabilidade de representar a Deus na terra?  

A condição que Deus apresenta para derramar seu poder sobre nós, primeiramente chama-nos à humilhação; depois oração; e conversão dos maus caminhos. Toda oração sem esse propósito será vã.


Oração não deve ser apenas um hábito dos crentes
Ela deve ter propósitos definidos.
O povo de Israel era tido como o povo da  promessa e, por causa disso, Deus não retiraria de sobre estes a responsabilidade de testemunhá-Lo, pregando o evangelho, começando por Jerusalém, até os confins da terra.

Há muito tempo, percebe-se o esforço daqueles que hoje se auto-denominam  povo de Deus, enquanto grupo organizado dentro de uma proposta real e verdadeira, segundo revelações proféticas.  Planta-se muito; colhe-se pouco. Dispõem de recursos e investimentos para fazer avançar o evangelho, contudo, chamando para si a responsabilidade de convencer pessoas sobre a verdade eterna. Do alto de seu poderio, ao concentrar riquezas em todos os aspectos que regem diversas áreas da vida,  tendem a utilizar sua auto-suficiência, como algo extremamente satisfatório para chamarem a atenção para suas propostas.

Sua pujança e fartura de conteúdos de caráter excepcional para sugerir mudança de vida, de comportamento, bem como orientações necessárias a seus fiéis para promover uma vida de comunhão íntima com Deus, a torna destaque diante de outros conceitos e propostas do mundo atual.

A riqueza traduz a sensação de auto-sufciência 
O avanço deste evangelho tem ocorrido de maneira sazonal, limitada às formalidades estruturais e organizacionais; um avanço orquestrado por grupos celulares que precisam se multiplicar porta afora  e alcançar os que ainda estão sedentos da verdade que liberta.  A tendência é aceitar a estrutura  conforme esses padrões definidos e limitados, que entende-se como  decisão sob a  orientação divina.

Mas de maneira institucionalizada, dificilmente o evangelho será pregado, senão pela ação do Espírito Santo. Nenhuma organização politicamente formada, poderá  convencer a outros de que foi eleita para representar Deus na terra, sem que seus frutos  sejam de arrependimento, humilhação, oração e mudança de rumo.

Este é o perigo da auto-suficiência, o mesmo que sofreu a igreja de Laodicéia, uma das sete igrejas da Ásia, que dizia a respeito de si mesma: “rico sou, estou enriquecido e de nada tenho falta”.
Suntuosas edificações,
são marca do poderio econômico
A questão em voga, não abrangeria apenas as condições aparentes,  a agregação de riquezas e conhecimento. Podemos nos orgulhar dos relatórios numéricos apresentados, aplaudir pequenas conquistas no âmbito celular, satisfazendo-nos com as realizações dentro da própria casa; nos fortalecemos pelo fato de nos sentirmos úteis à sociedade da qual fazemos parte. Preocupamo-nos com os números dos relatórios, mas estes  documentos serviriam apenas como elementos materiais contabilizados para a prestação de contas que possibilita a sustentação da liderança no comando das ações consideradas estratégicas para  seu avanço. Passamos a nos orgulhar de nossa beleza e aceitação popular, com a aprovação de autoridades públicas e de grupos simpatizantes, pela maneira politicamente correta  de nossa conduta. 

Mas não foi apenas isso que Deus teria levado em conta, em relação àquela igreja. Todas as obras positivas foram consideradas, mas acabou debruçando-se em suas qualidades, caindo na tentação de viver como se não precisasse abrir os olhos para "enxergar a vergonha de sua nudez e buscar em Deus o colírio".

A sensação de auto-suficiência tornou-se um risco para o afastamento de algo elementar para a igreja que chamou para si a responsabilidade de representar Deus na terra, contudo, negando o seu caráter. Por sua riqueza, tornou-se pobre e miserável espiritualmente.  

O mesmo discurso de Crônicas, ganha destaque semelhante no conselho que foi dado ao anjo da Igreja de Laodicéia: “Humilhar; converter-se, voltando a praticar as boas obras”. (Apoc. 3:14)

Não creio que a condição para que a mudança seja operada poderá ser cumprida enquanto organização religiosa, seja a que estrutura ou facção pertença. 

Assim certa vez Jesus orientou: “Na cadeira de Moisés estão assentados os escribas e fariseus; façam pois o que eles falam, mas não façam o que eles fazem”. (S.Mateus 23:12) A palavra de Deus sempre considerou teoria e prática. E essa cobrança era feita também aos que assumiam posições de destaque: "escribas e fariseus", que ocupavam funções importantes para conduzir o povo. "Cego guiando cego", neste caso, não no contexto que costumamos defender, sobre a questão de conhecimento doutrinário, mas em questão muito mais aprofundada que é a cegueira espiritual que não leva a reconhecermos o nosso estado de afastamento do amor e da justiça de Deus; a nossa dependência dEle para reconhecermos a nossa pequenez.

É preciso exaltar a Cristo em todas as nossas ações.  

Ainda hoje, a mensagem para a igreja enquanto instituição organizada é a mesma: “aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo”. É a justiça de Deus que deve prevalecer, na unidade do Espírito.  

Enquanto isso, valeria a palavra final, que desviou-se do anjo da igreja, direcionando-se aos indivíduos: “Quem tem ouvidos ouça o que o espírito diz às igrejas”.


Concentração de conhecimento
respalda as teorias.
A partir daquele momento, essas palavras passaram a exercer um efeito extraordinário, levando cada indivíduo a entender que, se o pastor, o anjo da igreja, responsável por fazer cumprir a justiça e o amor de Deus, junto ao seu rebanho,  estava prestes a ser “vomitado”  por  negligência,  despojados seriam todos os que virassem às costas à orientação divina.

À igreja restou o alerta: "arrependa-te, e volte a praticar as boas obras".
Deus sempre procurou os fiéis na terra. No passado encontrou a Enoque, Noé; Ló; Jó. Em toda a história, a crença em Deus esteve associada às atitudes de seus seguidores, bem como a prática da justiça e abnegação no serviço do Senhor, andando segundo a vontade de Deus, sob suas orientações. E, finalmente, as boas obras serão decisivas para o chamado: “Vinde benditos de meu pai”. Os olhos de Deus, hoje também procuram seus fiéis, que praticam as boas obras; os limpos de mão e puros de coração. Jesus morreu por pessoas. Ele se entregou por você também. Nada nem ninguém poderá elevá-lo a Ele a não ser Ele mesmo, que diz a seu próprio respeito: “Ninguém vem ao pai, senão por mim”.  Deus operará maravilhas em nossa vida, quando nos despojarmos do nosso orgulho e auto-suficiência, permitindo que Ele opere a mudança da qual necessitamos  individualmente. Se voltarmos o nosso olhar para uma organização político institucional, mesmo denominando-se representante de Deus, essa atitude poderá ser transformada em pedra de tropeço, desviando-nos do caminho para a eternidade.