sábado, 7 de janeiro de 2012

NINGUÉM ME ENTENDE


Aquela criança chorava insistentemente. Todos os esforços de sua mãe para que o menino ficasse quieto em seu colo, foram em vão. Eu estava ali, naquela praça a espera do ônibus e fiquei observando. Ela oferecia brinquedo, mas nada adiantava. A criança esperneava, relutava, como se o colo da mãe não fosse o lugar onde gostaria de estar naquele momento. Na tentativa de assossegar a criança, aquela mãe – que parecia estar com a paciência no limite-  pegou um doce na bolsa e ofereceu ao menino. O choro estridente, ouvia-se de longe, por vezes, oscilando entre alto e baixo com pausas pequenas e chamava a atenção de todos ao redor. 
Liberdade é uma atitude de espírito

Aquela mãe parecia envergonhada, diante da situação em que chamava a atenção de todos que ali estavam. Talvez  por julgar o que as pessoas poderiam estar pensando dela. – Que mãe é essa que não consegue acalmar o choro de um filho? Naturalmente, é isso que se passa na cabeça de uma mãe, quando seu filho não se comporta como ela espera. Pensa no que os outros estão pensando dela e, muitas vezes, esquece de perceber o que a criança, de fato precisa naquele momento. É até compreensível. Mas é um motivo que leva a atitudes geradas pela impaciência.

E, talvez, o choro da criança não estaria sendo  compreendido naquele momento de tensão.  Foi então que numa ação brusca, com expressão furiosa,  aquela mulher,   colocou o menino no chão.  Ele mal andava. Devia ter seus quase dois anos de vida.
Percebi que o descer do colo passou uma sensação de liberdade àquele menino! Fiquei surpreso com aquela cena.
Nem sempre nosso grito pela liberdade
é compreendido. 


Os passos cambaleantes daquele bebê, rapidamente se dirigiam aos pombinhos que comiam milho  tranquilamente diante do chafariz daquela praça movimentada. O pipoqueiro parou de mexer a panela, e acompanhava cada movimento daquele menino. Os taxistas cruzaram os braços, olhando na direção da criança que tornou-se a maior atração naquele momento. O choro do menino  cessou e deu lugar a gargalhadas típicas de uma criança naquela fase, como se o mundo não existisse ao seu redor.  Foram gargalhadas despretensiosas, cada vez que um pombinho corria, fugindo dele por  sua aproximação.
Todo o espetáculo que fez, anteriormente, querendo desprender-se do colo da mãe, tinha esse objetivo.  Aquele menino só queria correr atrás dos pombinhos da praça!

Seus motivos são respeitados
por quem lhe ama. 
Quantas vezes você também chorou e seu choro parecia incompreendido? Quantas vezes, preso à vida e seus afazeres, você desejou sentir  liberdade como daquela criança, que só queria correr atrás dos pombinhos da praça? Sua alma chora. Mas Deus entende. Ele compreende o seu desconforto nos braços dessa corrida frenética pela sobrevivência. Deus entende os desejos do seu coração que as circunstâncias da vida lhe impedem realizar. Mas foi Ele mesmo que colocou à sua disposição uma vida plena de significado. Nas pequenas coisas, hoje, você poderá sentir a alegria de viver.

Precisamos nos sentir amados para vivermos felizes. A sensação de sermos compreendidos, nos dá segurança e confiança. É bem verdade que por mais que esperemos de alguém essa atenção, frustramo-nos no momento em que as respostas parecem não ser as que desejamos. No fundo, por mais força e segurança que sentimos em alguém, esse alguém é tão necessitado de amor e carinho como você também. Suas percepções são de igual modo limitadas à suas opiniões e visão de vida. É a partir deste momento  que precisamos canalizar nossos sentidos para algo mais profundo e espiritual que nos preencha esse vazio do coração. 

É preciso entender, que dificilmente nossos sentimentos serão compreendidos por quem imaginamos que os compreenda. Dificilmente seremos correspondidos da mesma maneira como entendemos que merecemos,  tendo como base a maneira como tratamos os outros. 

Esperamos a troca, a reciprocidade, mas o nosso sentimento e a maneira como pensamos de nós mesmos e nossas intenções, é diferente da maneira como somos vistos. Talvez esses conflitos emocionais, nos torne tão isolados em determinado momento, ou tão solitários, mesmo diante de uma multidão que nos observa alheia ao que trazemos no fundo do coração.  Viva sem criar muitas expectativas de retorno do que faz ao outro. Esteja sempre disposto a fazer por decisão pessoal, por filosofia de vida.